quarta-feira, março 26, 2008

2 days in Paris


2 dias em Paris me rachou na metade, numa segunda gélida e particularmente solitária. Lembrou-me vagamente Lost in Translation, das relações onde as pessoas, apesar de próximas, parecem não falar a mesma língua. E, principalmente, que você pode passar anos do lado de alguém sem conhecê-la de verdade.

Existem os otimistas e os pacientes: o Jack, do 2 dias em Paris e até mesmo o Jesse, do Before Sunrise / Sunset. E existe a Julie Delpy, sempre a francesa cética e dura. E não porque ela seja insensível - mas porque a sensibilidade excessiva dói. Porque esse processo de se entregar e, posteriormente, descobrir que o amor não redime no final é desgastante. É perceber que talvez a vida não seja um filme hollywoodiano, talvez nasçamos para sermos sozinhos, talvez a redenção completa não aconteça. Talvez nunca encontremos quem saiba lidar com nossas imperfeições, idiossincrasias. Talvez felicidade seja uma vida anestesiante, sem muitos arroubos. Talvez Caio F. esteja mesmo certo: "Amor é falta de Q.I.".

O duro foi constatar que, nos últimos dias, ando mais Céline/Marion que Jack/Jesse. E isso, para quem sempre foi afeito a uma boa ilusão romântica barata: é desanimador.

*****

"Here it is. One more, one less. Another wasted love story. I really love this one. When I think that its over, that I'll never see him again like this... well yes, I'll bump into him, we'll meet our new boyfriend and girlfriend, act as if we had never been together, then we'll slowly think of each other less and less until we forget each other completely. Almost. Always the same for me. Break up, break down. Drunk up, fool around. Meet one guy, then another, fuck around. Forget the one and only. Then after a few months of total emptiness start again to look for true love, desperately look everywhere and after two years of loneliness meet a new love and swear it is the one, until that one is gone as well"
(2 days in Paris - Julie Delpy)

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