segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Primeiros dias

Ficam para trás a dura poesia concreta de tuas esquinas, a deselegância discreta de suas meninas. Nada de leveza, nada de Paulista sem pressa, nada do cinza que circunda um bocado de beleza. Nestes primeiros dias, só há o caos, a solidão e as preocupações. O metrô é tão somente um instrumento de ir-e-vir. Não há vagas em lugar nenhum. As responsabilidades, crescentes e um pouco amedrontadoras. E será que o dinheiro vai dar no final do mês?

Corro, recorro, discorro sem cansar. Pelo menos tento, mas canso no final das contas. Faltam os braços longos para afagar devagar, falta o tom de voz tão conhecido para rir das pequenas desgraças cotidianas, falta esse calor humano pra aliviar um pouco do peso. Sinto tanta falta de tanta coisa, é verdade. Fico refém do Big Brother, dum lar que não é meu, destas paredes estranhas.

Mas o que sobra é otimismo, apesar da garoa que cai chata. Dos pés que doem procurando apartamento. Da saudade que bate ligeira, fisgando panturrilha. É assim que deve ser, é assim que vou crescer. E crescer, infelizmente, também dói. É perda, um pouco de sacrifício. É pagar pra ver.

Um pouco de paciencia, parcimônia. Enquanto as coisas, lentamente, se revelam.

É isto me guia nestes dias iniciais tão cinzentos.

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