quarta-feira, dezembro 26, 2007

Trópico de Capricórnio

Penso que agora pode ser diferente. E não descobri isso porque alguém tenha me falado (aliás, todos falam um pouco mas ninguém com iniciativa suficiente para me fazer engolir as verdades). Mas são sinais inconclusos, tipo horóscopo diário da Folha. Na verdade, vêm em sonhos: tenho sonhado contigo, umas duas vezes - coisas confusas, mas diferencio seus olhos, seu tom de voz macio e aquele magnetismo que nunca soube explicar. Penso em você em pequenos planos distraídos, como sábado em casa, eu e você, meu irmão e mais alguém, varando madrugadas jogando poker, beliscando qualquer coisa potencialmente aterogênica e rindo das agruras de nossos cotidianos. Penso em você em algum lugar ensolarado, pode ser praia, talvez deserta, nessa coisa tão boa de viajar juntos só juntos num lugar desconhecido, tão sol de doer as pupilas sem óculos escuros enquanto o mar bate devagar cadenciando leve o tum-tum daqui de dentro.

Penso em você porque 2008 exige escolhas e eu nunca lá fui dos muito corajosos. Sempre mais focado em auto-proteção que em resolutividade. Sempre aguardando uma certa reciprocidade nos atos. Mas isso é passado, isso é outra temporada, isso é outra estação.

Agora é assim: força e coragem, peito pra correr e costas tão largas pra suportar o peso. Cruzar o Trópico de Capricórnio sem muitas esperanças, num espaço limitado onde pouco cresce além daquela impressão explosiva, repeteco de outros dias brilhantes, preparando terreno pra um em breve, um por vir.

E que, tão abençoado e doce, guie 2008 por águas tranquilas e rasas, um pouco mais completo por saber que coisas assim, embora o universo tente dizer o contrário, ainda existam.

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