sábado, dezembro 01, 2007

20 dias e contando...

Sampa continua linda, é verdade. Passagem relâmpago: nada além de casa, metrô, prova, retorno. Mas confesso que já faz parte de mim as artérias de Sampa coalhadas de carros, prestes a infartar. Já faz parte de mim os leves solavancos do metrô, enquanto fico naquela atenção distraída pelos nomes das estações, as pessoas impassíveis com fones de ouvidos. Já faz parte de mim o som das buzinas ao longe enquanto entardece.

Caminhei a noite, quando o Paraíso desagua lentamente na Paulista - os prédios ainda de luzes acesas, a decoração incipiente de Natal pelas árvores. Incrível como sempre fico com um sorriso meio besta na Paulista - como estar ali nunca é uma coisa banal ou natural. E enquanto sentia, in loco, o coração do Brasil palpitar lembrei-me: faz mais de mês, não?

E neste momento, juro que pensei: aquilo tudo foi por conta do que mesmo?

***

Agora tudo se encaminha vertiginosamente para o fim, é fato. Tudo adquire um ar estranho de última vez: então, abraço apenas aquilo que é essencial, que é parte de mim e dolorosamente será difícil de deixar para trás. Não quero mais saber das cobranças, das dissimulações. Das palavras difíceis, das palavras tortas. Não quero preocupações banais com escalas ou puxasaquismo.

Quero piquenique no parque de domingo, como todo mundo querido por perto. Quero noite de porre histórico pra dançar até amanhecer. Quero cerveja no posto plena terça-feira, para discutir sem tempo os rumos estranhos do amor. Quero Sex and the City de madrugada, quero cinema de tarde. Quero sorvete quando o dia causticante abaixar.

Quero todo mundo segurando minha mão tão forte quando começar a chorar.

***

Sabem, eu perdi o jeito de chorar. Chego às vezes a sentir o olho arder, fungar um pouco - mas as lágrimas, destas pesadas e quentes, nunca.

Mas de pensar essas coisas bestas e mundanas - tipo mudança ou o-que-será-de-mim-ano-que-vem - juro que tá dando uma coisa tão ruim subindo a garganta.

***

Quer saber? Tô meio cansado desta vida mambembe. Há quase mês nesta vida de estrada, cidade diferente - e olha que ainda os destinos foram até interessantes: Sampa, paixão constante; Ribeirão, meio quase lar. Mas cansei de estar lá sem poder usufruir plenamente.

Queria mesmo, por incrível que pareça, era estar onde sempre estive: neste tédio iluminado, nesta previsibilidade contínua. Ficar por aqui e curtir o resto do tempo que me resta.

***

"Desconheço a certeza
Que lhe fez exagerar,
e abrir meus poros
Cavar flores sem lhe ver
Chega pra envolver,
envolver querer"
(Marisa Monte)

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