quarta-feira, novembro 07, 2007

Perdas e danos

Engraçado que nas últimas semanas o que só tenho acumulado são perdas: em diferentes níveis, de diferentes maneiras, em diferentes graus de intensidade. E o exercício que se faz de todo o processo é cair de pé, praticamente impassível. Só não avisaram que cair de pé também implica em estourar artelhos, arrebentar o tornozelo e sentir cada ligamento estirar de uma forma, sabe lá, irreversível.

Mas sempre acreditei na elasticidade, na plasticidade e na minha imensa capacidade de cicatrização. E depois de uma semana um tanto atordoada, cada coisa vai ocupando (meio assim, no gerúndio) seu novo lugar. Não faltaram braços longos para me afagar quando precisei e novos planos que se abrem na iminência destes vários ciclos que, juntamente, se fecham, que se superpõem e os vejo, meio sem controle, acontecerem.

E na verdade, ainda meio bambo e torto. Esboçando uma confiança simulada num futuro que nem sem com qual cara terá, nem se seria melhor que isso aqui que estou chafurdado, nem se deveria apostar tão alto sem saber se sairia vivo de outra (ou a mesma, enfim) dangerização emocional. Mas dentro de tantas perdas, tantos danos, quando a sorte vira e pequenos ganhos voltam a acontecer, a sensação é de que tudo está como antes - meio perturbado e bagunçado, mas aquilo ali na essência.

Como "Open your eyes", num junho radiante. Como voltar para casa no Natal. Como relembrar velhos shows, velhos porres, contando os 50 e poucos dias para o fim que nem é tão fim, meio começo, dependente dos olhos de quem vê...

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