sexta-feira, novembro 16, 2007

40 dias e contando...

Já teve carro roubado, já teve porre histórico debaixo de cinco lustres & tapete vermelho & até sushi que aprendi que não é tão ruim, teve surpresa durante ressaca e prova idiota, teve chuva cataclísmica comigo atravessando-a heroicamente, tiveram todas as comprovações de que sou a pessoa mais azarada do universo, teve revista piaui na rodoviária tão sem culpa.

Teve o primeiro sinal que os últimos cinco anos e meio não foram de todo inúteis, que minhas mãos não são de todo incapazes. Dentro de toda escuridão da falta de perspectivas do ano que vem, aconteceu o primeiro facho de luz: e ele se dirige para a Califórnia brasileira, terra de tantas lembranças boas, lar de pessoas queridas e cabeça-de-ponte para tantos outros projetos ambiciosos.

São tantas alegrias, mas alegrias meio claricianas: meio patéticas, daquelas que ficamos com ela na mão sem ter com quem dividi-las. E não queiram entender que essas pessoas não existam - elas existem, são tantas e estão tão presentes no meu cotidiano nas últimas semanas que até parece ingratidão dizer coisa assim. Mas fica um espaço, uma coisa ausente que não sei explicar: de ligar, preguiçosamente, e entre o cansaço da manhã e o projeto de domingo dizer foram-72-pontos-acho-que-dá.

Mas passa, isso que é bom.

Porque, nestes quarenta dias que faltam, veio a certeza que estou finalmente pronto para partir. Bateu o vento, o recorrente vento da velha Kite, perdida no céu. Abro os braços quanto posso, para que eu vá mais alto, mais longe, pois sei que a corda que me sustenta é firme. Pois sei que o campo é vasto. Pois sei que isto tudo não é nada além de outro reinício.

E fico bem.

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