quarta-feira, setembro 19, 2007

Inventário

Lógico que isso aqui acaba sendo o monótono registro das minhas idiossincrasias, das minhas frustrações e um inventários dos relacionamentos mal-sucedidos. Mas também acaba sendo o registro histórico de minhas histerias, minhas dificuldades e, principalmente, da forma que eu lido com o mundo e as formas que tento driblá-lo.

Pensei muito nisso esses dias pois não tirei Belle and Sebastian da minha vitrola essa semana. Passei pelo Tigermilk, o The Boy with the Arab Strap e até terminar no If You're Feeling Sinister. E, por causa disso, lembrei do finado Get me away from here..., meu primeiro blog e dos primórdios do Martini Seco.

Aquela época era recheada de pequenas dificuldades, todas teóricas e estáticas. Era uma época em que eu via o mundo passar, esperando a oportunidade para pular para dentro do bonde. Uma época em que havia uma possibilidade de liberdade imensa, mas não sabia como usufrui-la. Época de avalizar os riscos, mas ser incapaz de assumi-los com medo de perder algo no meio do caminho.

Hoje as dúvidas são bem mais práticas - muita coisa se perdeu no meio do trajeto e percebi que, no final das contas, são poucas coisas que importam quando fechamos a contabilidade dos fatos. Hoje as questões são menos românticas, as expectativas são um pouco menores e triste até fico às vezes, mas é mais uma melancolia saudosa que tristeza que fato. Penso no emprego e imposto de renda, leio menos Bandeira e mais livros médicos, encontrei-me no mundo das epidemias e bactérias.

Aprendi a reconhecer meus platonismos doces. Enxergar as pessoas mais como elas são do que como eu gostaria que elas fossem.

Aprendi um jeito de ser doce e amado, que tudo é uma mera questão de se permitir.

E aprendi que as coisas estão longe de ser pontuais, mas na maioria do tempos elas são simples. Hoje transpareço uma tranquilidade que em certos momentos chega até a ser irreal, mas que me ajuda a redirecionar meus passos nesses dias tão confusos que estou vivendo.

Hoje, sei que apesar de não saber para onde vão, meus passos são firmes. E que, independente do que aconteça, eles nunca serão de todo solitários...

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