segunda-feira, outubro 29, 2007

Caçando borboletas

Não que eu as procurasse ostensivamente, afinal, tudo o que menos esperava nesta confusão de sentimentos que se seguiam nestes dias de inverno era algo tipo. Nem também que, de completo, as ignorasse, afinal tenho também aquelas pequenas ilusões ternas: depois do teatro, cerveja no bar, conversa descompromissada e porque não dividir um pouco de sonhos e frustrações desses vinte-e-poucos-anos-vezenquando-doloridos?

Tão estranho porque nestes dias até me sentia pleno, porque as últimas horas da madrugada, quando o álcool cessa o adormecimento e viramos todos abóboras, não doíam tanto quanto costumavam. Porque o fato é que não as procurava mais em cada esquina, em cada sorriso, em cada tentativa. Aprendi que borboletas vêm quando bem entendem, suaves no ruflar de asas, que pousam imperceptíveis e desconcertam tudo aquilo que estávamos vivendo.

Daí eu viajei de susto, plena segunda, naquele intervalo entre o amanhecer e o dia-cão. Naquela estrada vazia, fui pensando em você, reconstruindo passo a passo sua imagem. Fiz um retrato de um você que ainda não conhecia: que segurasse minha cabeça cansada num dia que eu dormisse no tapete, bêbado de sono; que conhecesse meus pais, almoço de domingo, entre churrascos e histórias constrangedoras; uma pequena piada fora de hora, politicamente incorreta, enquanto voltávamos para casa num sábado qualquer.

Quando voltei, todo o estrago já havia sido feito. Eu conhecia aquela sensação, do celular que afunda em minha mão suada entre ligar e não-ligar, hesitando nas palavras com medo de passar do ponto ou de escolher logo aquelas perigosas tipo: sempre, nunca, especial. Daquele medo de escapar aquele defeito inconveniente e botar tudo aquilo que poderia ser por água abaixo. Mas decidi ir, com champagne debaixo do braço e um punhado de boas intenções. Te visitei numa casa imaculadamente branca, poucas caixas ainda fechadas, felicidades pós-mudança.


E conversamos qualquer coisa, emendamos aquela conversa de bar que pareceu que nem terminou. Quando vimos, já era madrugada alta

[texto precocemente interrompido]

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