quinta-feira, setembro 13, 2007

Caçando borboletas (2)

... foi quando vi que tudo estava perdido. Havia roubado duas rosas daquele jantar, roubei-as porque pensei: são tão lindas que merecem ser dadas para alguém - e imediatamente me lembrei de você. Estava surpreendentemente social: camisa, calça do terno, cabelo or-de-na-do, tão impecável porque você que me vestiu, afinal, bem sabes que pouco sei além das T-shirts and jeans. Nem na sua casa iria dormir, mas acho que perdi o jeito de dormir sozinho: acostumei a dormir de pés colados, calor do corpo, epidermes juntas. Estávamos subindo as escadas, você não as tinha visto em minhas mãos. E ali, na escuridão silenciosa do hall do apartamento de baixo, mostrei-as: para você, são para você, as duas. E você abriu o maior sorriso do mundo, o mais sincero, o mais transparente. Percebi que você estava numa daquelas alegrias envergonhadas, de tão grandes que ficamos até embaraçados de compartilhá-las com alguém.

"Sabe, eu nunca havia ganhado flores de ninguém"

Eu sorri, você sorriu em retorno. Foi quando você pegou na minha mão e me beijou, de estalo, alguns segundos...

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