quinta-feira, agosto 02, 2007

Cotidiano

"Às vezes quero crer mas não consigo
É tudo uma total insensatez
Aí pergunto a Deus: escute, amigo
Se foi pra desfazer, por que é que fez?"
(Cotidiano n°2 - Vinícius de Moraes)

Hoje sonhei contigo, sabe como? Juntos. Talvez eu ache isso até grave: porque daquele nosso reencontro tépido, não bancarei a Pollyanna botando intenções aonde não aconteceram. Ainda mais porque: estou aqui, você ali. Eu caminhando cada vez ao Norte, você rumando ao Sul. Até sua resposta, ao relê-la, pareceu-me intencionalmente vaga para não dizer o desagradável.

Acabei de apagar um post imenso e doce sobre aquela nossa última quinta-feira gelada. Mas de súbito, ao cantarolar Vinícius, percebi que a questão é outra: se fosse para movimentar, já teria ido. E o pior de tudo é que, na maioria do tempo, não compreendo nossa relação ambígua - e não é hora para iluminá-la e correr o risco, depois de tanta paciência e espera, de botar tudo - e definitivamente - a perder.

Afinal, aquela quinta-feira teve sabor de recomeço. De reinício. Pecados pagos e conta limpa. Talvez eu esteja sendo só pessimista, talvez seja aquela velha questão de tempo e insistência.

Talvez eu esteja, como sempre, acreditando demais aonde não pode surgir mais coisa alguma.

Talvez seja melhor deixar o barco correr, o mundo dar outras voltas e nos pegar novamente noutro momento, com mais certezas e menos interrogações.

Mas só sei que este estado constante de mãos atadas incomodam e doem. Bem vezenquanto, nessas noites geladas, quando lembro daquele seu All Star branco lindo: mas doem.

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