quarta-feira, julho 11, 2007

Open your eyes

Por andar distraído, diria a madrinha Clarice. De espírito leve, sem culpa e sem compromisso, expectativas basais e, porque não dizer, péssimas intenções? Até que, quando menos se esperava, encontrei aquilo que há dois anos não sentia: identificação quase instantânea, corpos praticamente complementares, um senso de humor discreto, um senso de liberdade acima do comum, daquelas coincidências estranhas das frases que se completam e das histórias que gostaria de escutar por horas e horas e horas.

Pouco aconteceu, na verdade. Dois encontros, algumas promessas vagas, talvez nos vemos nas próximas semanas. E dentro deste não-acontecer, as coisas foram acontecendo internamente. Borboletas no estômago, planos de viagens, pequenas expectativas. Foi um mês nesta rotina silenciosa de sorrisos gratuitos, auto-estima recuperada e espera sem pressa. Foi quase um mês completo gerando positividades e trocando os fantasmas do armário.

Mas são pequenas epifanias, do meu padrinho Caio F. São amores em copos de café: instantâneos, fugazes - mas tão lindos que não há como não ficar encantado com tanta beleza que se mostrou. Porque foi novamente cinematográfico, porque foi intenso sem ser piegas, porque fez reencontrar chaves que jurava ter perdido. Não tem preço ter tido o olhar mais terno posto em mim tão gratuitamente que, de lembrar, aperta o coração.

Não, não sou de jogar, por assim dizer, uma paixão tão instantânea e especial pela janela pela impossibilidade dela se concretizar no momento. A vida continua - prossigo bambo e torto, um pouco mais dolorido quando Los Hermanos ou Snow Patrol toca, imerso nesta rotina absurda e sem perspectivas. Mas prossigo menos cínico e um pouco mais crente de que, quando menos se espera, esbarramos com uma possibilidade tão brilhante que reilumina os caminhos e dá essa vontade simples de - nem sei...

E, desta mesmíssima forma, aguardando distraidamente que o destino arrume outra oportunidade dessas - num momento favorável, na mesma cidade, num futuro próximo. Num bar qualquer, à meia luz, Sinatra rolando melancólico ao fundo. Na mão, um copo de Martini, duas azeitonas. Borboletas no estômago, sem saber o que há por vir.

E ver você chegar, como se nada tivesse acontecido, com a melhor cara do mundo e ...

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