quarta-feira, julho 18, 2007

# 2/2 - As cinzas

"É quando teus amigos te surpreendem
Deixando a vida de repente
E não se quer acreditar
Mas essa vida é passageira
Chorar eu sei que é besteira
Mas, meu amigo, não dá prá segurar"
(Vida Passageira - Ira!)

Sabe amigo, sei que há muito tempo você perdeu o hábito de ler isso aqui. Fiquei enfadonho, desinteressante. Um tanto moralista, um tanto ácido demais. Você me disse: eu perdi aquela capacidade de acreditar nos outros sem reservas, de dar a cara para bater sem medo de apanhar. E eu sinto falta daquela época, nos primórdios da faculdade, quando as músicas eram só músicas, os porres eram só porres e não tínhamos toda essa bagagem emocional para carregar.

Sei que nos distanciamos, sei que nos magoamos, sei que dissemos coisas tolas só porque éramos orgulhosos demais ou incapazes de reconhecermos nossos erros. Sei também que muitas vezes te julguei levianamente, da forma que você sempre odiou que os outros te tratassem. Mas eu estava errado.

Porque não sei como eu seria sem sua influência direta. Esse meu jeito direito de andar, aprendi contigo. Aprendi a deixar o cabelo tipo Strokes, aprendi a gostar de bossa nova e sertanejo, a fumar pito de palha e ser um pouco mais sociável. Aprendi a gostar de All Star, cantar "Stand by me" em duas vozes, não estudar para provas idiotas. Aprendi a ter coragem e não aceitar passivamente tudo que me oferecessem.

Hoje entendo que precisei passar por isso tudo para valorizar o que sua amizade significou para mim. Faço uma coisa que raramente consigo, porque sou irremediavelmente e idiotamente orgulhoso: peço desculpas. Nessas brasas, debaixo dessa lua e céu tão límpido, eu peço que você desculpe esse babaca. Há tão poucas coisa que sei nesses dias de incerteza, mas ainda bem que percebi a tempo que você é daquelas raras pessoas que eu quero levar sempre comigo, mesmo que seja só uma lembrança boa e nostálgica de alguma tarde divertida. Mesmo que não convivamos diariamente, mas que quando eu te encontrar, eu possa dar aquele abraço sincero de:

saudades tuas, cara.

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