terça-feira, julho 24, 2007

# 1/2 - O último episódio

Ainda sob o efeito do último episódio de Sex and the City, tenho pensado muito na minha vida. De como essa última semana, de ócio absoluto e improdutivo, funcionou como um último episódio da idiossincrática temporada da minha vida. Mas isso é tópico para outro post.

Penso em últimos episódios, sempre cheio de ganchos para a próxima temporada. Mas normalmente últimos episódios são felizes. Nos últimos episódios, todo o sofrimento passado é convertido em felicidade numa pequena epifania e os ganhos dos sacrifícios são pagos, até a última gota.

Minha grande questão é: será que é mesmo assim?

Somos condicionados por Hollywood, as religiões ocidentais, a literatura barata de auto-ajuda e os ditados clichês que todo sofrimento tem seu preço. Que todas as nossas dores de cabeça, se formos suficientemente éticos e bons, resultarão num happy ending. Que se formos bons cristãos, não importando o quanto apanhemos, é passagem garantida para o céu. Na lógica do ditado que plantamos o que colhemos, nosso vinhedo das boas intenções frutificará independente do mau tempo.

E se as coisas não forem exatamente assim? E se esse universo não for regido por essas leis, que só beneficiam os pobres coitados, inocentes feridos e os bem-intencionados? Se essa selva cruel for tão somente cruel, o mundo for mesmo o lugar dos espertos e, naquele ditado orkutiano clássico, os bonzinhos só se fodem e ponto final.

Confesso que mesmo sendo este agnóstico convicto, cético na maioria dos assuntos, eu acredito de certa forma nesse balanço cósmico. Ajo com tranquilidade no dia de hoje, esperando que essa ação reverbere em bons frutos num futuro próximo. Sou tão inocente, a ponto de acreditar na maior parte das boas intenções das pessoas. E sinceramente acredito que algumas das minhas dívidas serão pagas e só me resta aguardar, tranquilamente com uma cerveja na mão, enquanto a espada da justiça não chega.

Porque gosto da minha ilusão de que minha vida é um pouco cinematográfica e, no final, tudo fará sentido e compensará no final. Agora, só falta escolher a trilha sonora...

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