sábado, junho 16, 2007

Sentimental

"Eu só aceito a condição de ter você só pra mim
Eu sei, não é assim..."

Mas há a realidade. As crianças enfermas, daquelas que mijam e vomitam no seu jaleco antes imaculadamente alvo. Existe um resfriado daqueles, trinta-e-oito-graus-e-meio de pura diversão e mialgia em plena quarta-feira. Pequenas obrigações irritantes, tipo contas de telefone, as confusões da CEMIG, além das contas que não fecham porque eu, digamos, gastei demais do que deveria. Existe a reunião com o Exército e a simpática possibilidade do próximo ano ali, entre a fronteira do Brasil com a Colômbia, entre araras e Plasmodium falciparum (pros íntimos, dona Maleita, malária).

Faltam quatro semanas para o mid-term e, ao reinício, o derradeiro período da faculdade e toda a promessa do ano perdido se concretizando em horas de escravidão branca naqueles corredores tão longos, tão frios. Existe todo o caos na minha cabeça da vida Adulta se aproximando enquanto existem tantas outras coisas para serem feitas antes de eu ser "seguro e responsável".

Dentro de tudo isso o coração vai batendo mais devagar, é fato. Houve o romance, houve a magia, houveram as coincidências e as promessas. Mas o que fazer quando existe quase um estado de distância, dificuldade telefônica e talvez um certo exagero nas tintas daquilo que realmente foi vivido?

Não que isso seja uma desistência, mas a vida tem que continuar. Porque, apesar do vazio que fica dentro de uma série de ausências, outras dores antigas apresentam discreta melhora. Porque o que foi brilhante não se apaga e, como disse antes, se o destino erra um pouco a mão talvez, talvez...

E como eu sou um sentimental, ainda há a esperança. Um breve reencontro. Uma curta viagem. Uma noite, com as mãos pousadas aonde meu cabelo se enche de cachos. Esperancinha sem culpa, na verdade. Porque não há como esquecer aquele abraço forte, dizendo que já estamos distantes de tudo. É dele que me lembro, às duas da manhã em pleno plantão entediante.

Cantarolando Los Hermanos.

E fico bem.

"... mas deixa eu fingir e rir"
(Sentimental - Los Hermanos)

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