domingo, junho 03, 2007

Love letter

(27 de abril de 2007)

"Whenever I'm alone with you,
you make me feel
Like I am home again"

Talvez seja difícil para eu explicar: porque eu não entendo o que sinto, porque eu não entendo o que quero, porque eu não sei quanto de você sobrou em você depois de tanto tempo. Vario entre a indiferença debochada e a devoção contida. Hesito milhões de vezes somente para dizer um oi lacônico. Finjo que esqueço coincidências, ah faz tanto tempo, tergiverso, só esperando para ver qual sua reação.

Tive calafrios quando você resgatou aquele texto antigo que escrevi só para você. Eu me lembrei de quando descobri aquelas suas manchas na íris, tocava "Yellow" ao fundo e você me dizia: "for you I'd bleed myself dry. You know I love you so".

Saio para beber e fico bêbado, só não fumo por questão de princípios - mas deixo a cadeira do meu lado vazia, esperando você chegar. Torço para que o acaso nos coloque frente a frente só para escutar novamente sua voz e perceber, nos seus olhos, os reflexos e as sombras. Faço contas malucas das minhas idas e vindas, do que me reserva o destino ano que vem. Tento te encaixar, mesmo sem te consultar, nessa minha vida tão desocupada de coisas e carregadas de sentimentos.

Acordo todos os dias tão cedo que me assusto com tanta disciplina. Ainda rolo de banda na cama, sabendo que aquele espaço não me pertence e só está assim por mero acidente do acaso. Faço planos: talvez aprender a comer peixe, afinal imagino que você goste; talvez juntar dinheiro pra ir a qualquer lugar dos trópicos; talvez aprender a ser menos inseguro, mais doce e menos crítico.

E dentro de tudo isso, eu já te disse hoje: eu te amo?

"However far away,
I will always love you,
However long I stay,
I will always love you,
Whatever words I say,
I will always love you,
I will always love you"
(Love Song - The Cure)

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