segunda-feira, junho 25, 2007

In bloom

E, tão de surpresa, acordar quinze minutos mais cedo que o habitual para colocar a casa em dia. Lavar toda a louça acumulada por duas semanas, guardar todos os livros espalhados pela casa no devido lugar, recolher as roupas sujas, lavar o banheiro e, porque não?, lavar todos os azulejos até branqueá-los, tirar o pó dos móveis e, nesta brincadeira, perder todo um domingo ensolarado. E nem reclamar.

E ainda amanhã é dia de comprar frutas na feira, passar na padaria para pegar um pouco de leite, presunto, mussarela, pão de forma, uma rosca doce e também no mercado para comprar um vinho doce, duas taças, sorvete e chocolate, talvez na floricultura e pegar um buquê de flores brancas para deixar o apartamento mais vivo e perfumado e quem sabe encher o tanque do carro, afinal, sabe lá Deus pra onde vamos e também créditos no celular, afinal se você me ligar e também naquela loja de velas coloridas, incenso, coisas de cheiro e para terminar, passar na locadora e reservar uns três filmes, daqueles meus prediletos, que quero que você veja para me entender melhor...

E, de repente, me vejo em meu apartamento tão ineditamente limpo, uma geladeira lotada, todo meu mundo reciclado e povoado de pequenas alegrias. Acordar cedo nem está tão difícil, cuido das crianças manhosas sem desassosego, até ando dormindo e sonhando coisas lindas no final. Faço balizas sem medo e com perfeição. Começo a papelada do Exército e, se a Marinha me pegar, que mal tem? Planejo viagens, estudo os linfomas e dentro de tantas ausências e dúvidas, tenho me bastado até bem.

O apaixonar é terapêutico - essa esfera magnética diária de otimismo, endorfinas quase horárias só pela perspectiva de. Lidando com os problemas de forma mais direta e objetiva. Vem um tanto de coragem que é perfeita para saltos, mudanças e decisões. É redescobrir todas as pequenas qualidades que, no dia a dia, você esquece que as possui. Relembrar que também sou apaixonante, também tenho esse dom de encantar mesmo que seja só por uma noite. Relembrar que também sou lindo, independente das olheiras insones e da academia que estou sempre tentando recomeçar. É um incentivo para superar, de certa forma, todos aqueles problemas emocionais insolúveis que há tanto estão presos no armário.

Mas, infelizmente, as paixões acabam. E o grande desafio é manter esse estado, de alguma forma, presente quando ela terminar. É impedir que tanta coisa linda que foi redescoberta, tanta mudança imprimida, simplesmente desabe quando o final chegar. Mesmo que a visita nunca chegue, o telefone não toque mais, toda aquela magia acabe.

Porque o que foi revelado nunca deveria desaparecer.

E se depender de mim, não vai.

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