sexta-feira, maio 25, 2007

Maria Antonieta

Tenho certeza que esse é um filme do qual a maioria não vai gostar. Ou que vai gostar, pelos motivos que para mim são errados (leia: fotografia, cenários, tanta comida vistosa, Paris e Viena). É parado, quase enfadonho. Tem uma trilha sonora que não se "adequa" ao filme de época. É recheado de momentos anti-clímax, longos takes e temas aparentemente desinteressantes. Mas é Sofia Coppola. E fico fascinado com essa capacidade dela de, dentro da não-ação, construir uma história.

Me apaixonei por Maria Antonieta pela sua capacidade de construir seu próprio mundo, o seu refúgio, dentro de uma instituição tão rígida e dentro de tantas responsabilidades. Em como ela conseguia (ou tentava) cumprir suas obrigações sem ter que sacrificar por completo aquilo que acreditava.

Que, dentro de toda sua inocência e alienação, ela se esforçava para fazer a diferença. E independente do contexto, essa tentativa é bem mais importante que o objetivo concreto.

Que se entregar a frivolidade sem culpa momentaneamente talvez nem seja uma coisa tão recriminável assim.

O filme foi na medida do que eu precisava: estava num dia tão pesado que, quando as luzes se acenderam, já estava até me sentindo melhor. E ajudaram nessa tentativa de quebrar essa ladainha monótona do blog de insatisfações e amores não correspondidos.

Vou lá ser um pouco de Maria Antonieta e já já eu volto.

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