quarta-feira, março 14, 2007

The fivers

Caro amigo,

Tenho enrolado acima da média para atender seu pedido, mas simplesmente não deu. Como desculpas, uma rotina um tanto dolorosa que culminava numa falta de inspiração para posts um tanto ensolarados. Um tanto de estripulias murphyanas, que desgastam sem ferir mortalmente.

Mas talvez, o mais difícil, seja falar do óbvio. Algo que para mim tornou-se quase institucional, como amor de mãe, de pai, carinho irrevogável pelo meu irmão. E usei de referencias familiares não foi à toa: penso em todos nós como a família que pude escolher.

Engraçado que nem lembro mais como tudo começou - aquele momento que deixamos de ser meros conhecidos ou amizades eventuais. Não lembro quando saimos para fazer absolutamente nada e foi tão divertido quanto os dias que realmente havia algo grande para se fazer. Quando começamos a dividir problemas, trocar soluções, substituir neuroses. Quando nos tornamos tão previsíveis nos gestos e ações que apenas um olhar bastava para transmitir o que queríamos dizer.

E o legal que o sentimento sempre foi recíproco, suportou tantas formas de desentendimento e desencontros. Que realmente somos uma turma - e todos nós nos relacionamos com igual carinho e respeito. E que podemos ficar meses sem nos ver, só naquele insonso contato telepático ou internético que, no reencontro, é como nem tivéssemos nos despedido.

E mesmo distante de todos, e mesmo privado de um contato diário constante, eu gostaria que você soubesse que é só por causa dessa certeza dessa salvaguarda, de tantas pessoas queridas torcendo por mim que tenho tanta segurança nos meus passos e me mantenho firme nos momentos de dificuldade, mesmo nesse ano longo e penoso que se anuncia. É a certeza de ter para onde correr caso algo dê errado e ser recebido com conselhos sábios e certeiros; é a certeza de ter com quem comemorar nas grandes vitórias, para compartilhá-la sem a preocupação de segundas ou terceiras intenções debaixo de um sorriso.

Por isso, quando as coisas parecerem confusas ou somente desinteressantes, não tenha vergonha de se fiar em nós. Digo isso pessoalmente, mas é algo que suspeito que se aplique a todos. O que temos é tão raro quanto difícil de se explicar. Mas como numa espécie de fé, dessas coisas que não se explicam empiricamente: só acredite. Acredite, acredite mesmo, acredite intensamente.

E quando precisar, não hesite: só estale os dedos.

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