quarta-feira, fevereiro 28, 2007

O Sol em Peixes

"O Sol em seu signo continua esquentando seu espírito, e bombeando saúde para você. Momento certo para confiar alem das impressões e das palavras - Mercúrio está retrogrado ainda!"
(Bárbara Gancia, UOL)

Anita disse e eu não quis acreditar, que sob o signo de Peixes as coisas ficassem mais razoáveis. Talvez uma nesga de Sol, daquelas brilhantes e redentoras, tipo spot de luz de musical. Talvez uma canção suave, daquelas que grudam na cabeça e esquecemos duas semanas depois. Sem muitas expectativas afinal, como já disse, esse tem cara de ano perdido.

Lógico que isso tornou-se parcialmente verdade - há um cansaço emocional imenso, há uma imobilidade da vida em certos setores principalmente numa falta de energia crônica para estudar. Há entraves, perdições, becos sem saída. Há os pés bem enterrados no chão.

Mas um vento sudoeste sopra leve, balançando levemente a janela do meu quarto. É quase um fechamento dum ciclo de Capricórnio, de tantas dubiedades e incertezas. E agora, que as coisas aparentam voltar ao mesmo ponto (no zodíaco, estar no mesmo ponto é uma conjunção) que começaram, não consigo deixar de me render a um sorriso fácil, quase doce, de objetivo atingido.

Porque sempre pensei que agindo corretamente haveria de ser recompensado. Pelo menos, que as más impressões fossem desfeitas e assim, civilizadamente, acontecesse a possibilidade de uma reaproximação: seja em São Paulo, Londres, Aukland, Praga, Ushuaia.

Penso naquela Ana, a mesma do velho blues que tanto escrevi aqui. Penso nas tempestades que enfrentei em tantos post que me sangraram os dedos, doeram feito espadas cortando a carne, expondo uma dor que, se eu fosse um pouco mais responsável, esconderia de todos no arcabouço mais profundo. E agora, após a passagem de uma grande dor, todo o processo parece ter valido a pena.

E porque Mercúrio está retrógrado, ou talvez porque eu precise de mais uma dessas pequenas alegrias a iluminar meus longos dias de corredores verdes já que nada além dos corredores verdes, nesses dias, me são permitidos: vou confiar além das impressões e das palavras, tomar uma boa cerveja e escutar Los Hermanos sem qualquer sentimento de nostalgia.

Sim, o Sol está em Peixes. E que desça, iluminando os meus dias...

domingo, fevereiro 25, 2007

22 anos

Hoje o post é curto e simples, um pouco diferente do habitual: é um post de celebrações. Por todas as pequenas coisas, essas pequenas vitórias que custamos a identificar. Todos que estão presentes em carne ou espírito, dando aquele suporte técnico quando o mundo parece pirar. Minha família, tão excepcional quanto essencial.

Hoje, eu celebro a vida. Não só a minha - mas de tudo que são dos outros e que me compõe.

Obrigado a todos.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

O Sol é para todos (2)

"Eu queria que você visse o que é realmente coragem, em vez de pensar que coragem é um homem com uma arma na mão. Coragem é quando você sabe que está derrotado antes mesmo de começar, mas começa assim mesmo, e vai até o fim, apesar de tudo. Raramente a gente vence, mas isso pode até acontecer"(O Sol é para todos - Harper Lee)

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

O Sol é para todos

Uma vez lhe disseram, num passado que já não sei dizer se é pouco ou muito distante, que "você não precisa do sol, nem das raízes, nem dos pés do menino fincados firmemente no chão". E depois desse momento, tanta coisa aconteceu que não sei se você percebeu quantas mudanças lentamente foram imprimindo, tão silenciosas quanto afirmativas. Em como você conseguiu incorporar valores - os seus, o dos seus pais, os dos seus tantos amigos queridos - e ir aproximando, paulatinamente, o gesto com a ação. Foi juntando coragem, foi guardando palavras, foi internalizando uma série de mudanças que, cedo ou tarde, aconteceriam.

Você decidiu morar sozinho, trocar de turma, desapaixonar, abraçar o curso, mudar de vida, mostrar um pouco da verdadeira face mesmo que isso significasse apanhar um pouco. Você decidiu, finalmente, olhar para baixo e deixar-se cair para ver se, lá embaixo, existia dessas vidas latentes e pulsantes. Como a velha Kite, tentou voar suspenso só por um frágil fio no céu.

E não que esteja sendo fácil, longe disso: mas me orgulho tanto em pensar que você está trilhando um caminho em que muitos, até mesmo você há um ano atrás, teriam desabado no meio. Eu percebo tanta coisa que você sacrificou, sem garantia alguma, somente pela possibilidade de algo maior. Eu percebo que você ainda não chegou aonde quer, mas já tem certeza que do outro jeito definitivamente não serve mais. Eu percebo que você está cansado, mas é exatamente a hora de não baixar a guarda.

Sei que você já perdeu muito: das pequenas banalidades até pessoas importantes. Mas, de tantas perdas, você conseguiu separar as poucas coisas que você é mortalmente dependente daquilo que era tão somente confortável. Você percebeu que são poucas coisas que são essenciais para se sustentar - destas, todo cuidado é pouco para não escorrerem pelos dedos. O resto, é exercício do desapego sem muitos lamentos, é dano colateral, os meios para chegar ao fim. Por mais que doam essas ausências, pense que tudo foi necessário.

E eu quero que você saiba, dentro de toda sua fragilidade, apesar do mau humor e de toda sua instabilidade inata, apesar do seu ascendente em Virgem que não lhe dá a mutabilidade que necessitaria nesses dias - saiba que existe tanta gente de olhos postos em você torcendo para que tudo dê certo. Que a solidão é ilusória e todos estão a postos, à distância de um telefonema. Que talvez o pior esteja por vir, mas você já deu o passo mais difícil: o primeiro. Talvez os próximos meses sejam regidos sob o signo do desamor, a torre invertida, pequenas catástrofes, só não se engane. Tudo será passageiro, tipo brisa, neblina ao amanhecer.

Quero que você saiba que o Sol é para todos e quando a Luz chegar tudo ficará mais fácil...

terça-feira, fevereiro 06, 2007

O início do fim

"E foi o início, o início, o início do fim"
(Paralamas do Sucesso)

Talvez fosse essa chuva, o início de fevereiro, tanta coisa acontecendo num prazo tão curto. Mas nunca ficou tão claro para mim como nestes dias que este é um ciclo que se fecha.

É o último ano de faculdade, com todos os seus vícios e virtudes. São as responsabilidades que aumentam - tanta gente que depende de você, um portão eletrônico que quebra e só você pode resolver. Tanta gente querida que parte, arruma outro rumo, vai cuidar da vida adulta e nos deixa aquele amargo na boca que nada será como antes. E a nostalgia antecipatória: não há como evitar o luto por antecedência e tanta cumplicidade que se construiu nas pequenas coisas diluídas no dia a dia.

Eu, ando um tanto cinza. Um pouco reflexo destes dias nublados, abafados e sem perspectivas além dessa luz branca, mortiça, de hospital. Tanto pessimista pela crueldade alheia, tanto indefeso por simplesmente não haver mais o que fazer além de: uma conduta expectante. E o prognóstico é invariavelmente sombrio.

Há de ser um ano longo, difícil, suado. Como deve ser todo final - doloroso, para que seja imensamente valorizado no momento que se encerra. E a única verdade é que, apesar dos pesares, da minha crônica indecisão, das minhas fraquezas, dos meus pecados mortais - não há outra saída senão enfrentá-lo de frente e rezar para o que se perca não seja valioso demais quando terminar.

Espero, mais que nunca, que as pessoas queridas não larguem minha mão. E aguardo, de olhos cansados e sono profundo, algo além de um sopro de vida...