terça-feira, novembro 07, 2006

Re: Carta para um amigo que mora longe

Caro amigo,

A vida caminha em stand-by e sinceramente acho que isto não seja de todo ruim. Falta tempo para sofrer pelas coisas que poderia ter feito e não fiz. Falta tempo para reclamar das coisas etéreas, vagas, fugazes. Como bem disse a Anita, acho que matamos a poesia do cotidiano. E vai bem.

A verdade é que tenho me bastado. Sabe aquela capacidade de resolver os próprios problemas sem que, necessariamente, desabasse no decorrer do processo? De eventualmente até achar que tomei a decisão certa, sem que isso me tirasse o sono?

Tenho me dedicado ao ócio mais que poderia, mas acho que mereço um pouco de descanso depois de tanto tempo bancando o bom-moço. Estar sozinho nem dói - para te falar a verdade, até gosto de estar com o coração desocupado por causa da iminência do caos que minha vida vai virar num futuro bem próximo. Mas se o amor acontecer, daqueles irresistíveis e inconsoláveis, paciência: é descer a velha montanha russa, refazer os velhos caminhos, etc etc etc. E vamos indo.

Acho que ficar adulto é isso: uma segurança aparentemente estável, algumas certezas e conceitos consolidados, um pouco de tédio cotidiano, equilíbrio. Preocupar-se com reuniões de condomínio, emprego, se compro carro ou viajo pra Argentina. Até que bata qualquer tipo de desespero. E, como não há outra maneira, juntar o que sobrou das perdas e seguir em frente.

Também sinto saudades da convivência próxima: buteco no fim de tarde, cinema eventual, palestras bizonhas, sorvetes na praça. Sinto muita falta de tudo aquilo que deixamos para trás e toda vez que retornamos está do mesmo jeito. Mas existe Sampa, sua possibilidade de Mestrado, minha residência. Nós finalmente com dinheiro, numa cidade fervilhando de boas opções. Penso nisso toda vez: o futuro será tão brilhante e melhor.

Não se esqueça: Deus é naja e Zero Grau de Libra. Vou arrumar García Márquez para trocar as referências. E quem sabe esticar em Bsb, Sunset no final de tarde, cerveja no congresso de madrugada. Ando tão sem rumo até janeiro, se bater um pouco de vento, quem sabe?

Abraços,

Gb's

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