domingo, outubro 22, 2006

Carta para um amigo que mora longe

Meu rapaz
Uma pessoa, desde sempre, iluminada. Por assim dizer.

Meu velho, saudades suas.Saudades de sua presença física, pungente, um soco na cara que permitia algumas epifânias diárias. Não que elas não aconteçam, mas, como você sabe, o processo sempre difere.Feliz em ver que você anda. Bem. Uma flecha apontada para um lugar, qualquer que seja.

Quanto a mim, como sempre, talvez sempre, contínuo perdido, com medo , tateante com medo de alguma navalha envenenada na parede ou coisa assim.Devagar e sempre. Pequenas decepções e algumas revelações. Equilíbrio, e não sei se é isso que se busca. Uma tosca estabilidade com alguns estresses. Cinza, marrom, e essas de longe não são as cores mais radiantes do universo. Dourado? Tenho medo demais pra tentar acho. Medo, aquela coisa amarelo-negra.

Para assuntos de cama, convergência entre Eça e Drummond é ótimo , representa bem. Talvez nem tão fundo, mais existencial, Talvez, diria Vinícius, que Sofrer junto é melhor que sofrer sozinho. Acontece mais a não-ação. Mas tudo bem ... sempre tem um dia em que o ar condicionado vai parar e o calor ficara tão grande que uma resposta imediatista, de súbito, sem racionalização acontece. Queria muito.... E fico girando como pendulo sem chegar no centro.

Pretendo te visitar. Juro. Mas será que as coisas, tudo, irá mudar irremediavelmente? Não tenho certeza, antes teria quase certeza, hoje fica só um grande ponto de interrogação. Tenho aprendido muito nesses tempos, muito sobre o que sou, ou pelo menos o que acho que sou. Minha expectativa seria o seu eu antigo, aquele porto seguro que sempre estava aberto pra aportar. Você mudou, eu mudei, mudamos. Crescemos.

De resto fica a saudade. Das pequenas coisas, as coisas simples da vida, coisas que acontecem como rosquinhas mabel e leite desnatado as duas da manha.

Saudades Eternas
Le Léo, por que insistimos sempre.

Um comentário:

Maria gabriela disse...

Adorei seu blog. Ta de Parabens (: