quarta-feira, julho 19, 2006

Fortaleza

Foram 55 horas de viagem, o alojamento é o caos, longe da praia, falta banheiro, o Sol é calcinante, a comida está ruim, todos os passeios são caros, a cidade é violenta...

... mas ...

... se querem saber ...

... era tudo que eu precisava para botar os parafusos de volta ao lugar.

sábado, julho 08, 2006

Nuvem Negra

"I would say i'm sorry
If I thought that it can change your mind"

Eu quis sair à francesa porque talvez assim fosse melhor. Ficar com aquele ar de superioridade de quem está certo, sabe? Eu quis pular essa parte do ódio, das palavras duas, de apontar as gritantes falhas de caráter por qualquer tipo duvidoso de paz. Eu quis sair vagarosamente, fechando a porta por trás de mim sem olhar para trás. Eu consegui. E não adiantou.

"But I know that this time
I have said too much
Been too unkind"

Eu quis liberar minha agressividade depois de tantos anos de silêncio. Eu quis me rebelar contra tudo aquilo que me desagradava, todas aquelas pequenas coisas que me incomodavam no cotidiano e eu aguentava porque era assim de tinha de ser. E assim fiz. E eu perdi o controle.

"I try to laugh about it
Cover it all up with lies"

Eu quis acreditar que era auto-suficiente. Eu quis acreditar que era só me rodear de quem me gosta para que todo o resto funcionasse espontaneamente. Assim tentei. E, obviamente, não deu certo.

"I try to
Laugh about it
Hiding the tears in my eyes"

Acho que nunca em minha vida tive tantos arrependimentos em tão pouco tempo. E o foda é pensar que: talvez seja tarde demais. Tarde demais.

"'cause boys don't cry
Boys don't cry"
(Boys don't cry - The Cure)

sábado, julho 01, 2006

Feliz Aniversário

"E percebo cada dia mais as pessoam que andam comigo e as que simplesmente andam na mesma direção que eu. Porque antes eu não entendia a grande diferença. E agora eu sei. Não foi muito fácil, mas eu sei agora"
(Você)

Caríssima,

Vinte dois já é um número difícil. Não tem o encanto libertador dos 18, nem a maioridade civil dos 21. Parece-me uma sentença assustadora que o caminho até os trinta é inexorável. Tanto faz ser dois, três, quatro. É ladeira abaixo. É irreversível.

Hoje, as coisas não tem mais a leveza dos dezoito. Eu me lembro dos nossos dezoito: éramos meio injuriados com uma vida que poderia ser tanto e não era, por alguma ironia marota do destino; um tanto gauche, um tanto melancólicos, mas daquelas melancolias bonitas como daquela primeira madrugada que você me mostrou e eu julguei erradamente que era Quintana de tão bom (penso hoje que a minha chuva e sua madrugada foi a primeira ponte que nos uniu); éramos complicados de uma forma que não afetava o curso natural das coisas; e, tão violentamente esperançosos que iria chegar, iria dar certo e o mundo rebentaria num grande Carnaval.

Tinha Holden e uma personalidade irresistível. Tinha Hornby e seus personagens perdidos. Tinha Bandeira, tinha Quintana, tinha Kundera e um tanto de outras referências. Tinha Portugal (que nem virou), tinha Peru (que nem virou), tinha U2 (que nem virou), tinha Curitiba (que virou e foi lindo). Tinha jantares, bungee jump, cartas & mails. Tinha tanta coisa, tanta lembrança recolhida, tanto material que junto seria um livro.

E quando faço as contas, como tenho feito nos últimos dias, é um pouco tanto disso que me impede de levar a cabo esse instinto de fuga que me ocupa.

Você foi uma das pessoas quem me mostrou que amizade não é sempre estar presente, não é sempre concordar, não é sempre embasada em palavras. É alguma coisa que fica suspensa no ar, num olhar, num bom-dia, em cabular qualquer coisa prum cinema, discutir o que fazer na vida, compras descompromissadas no shopping ou Carrefour. Amizade não é só dividir um copo de cerveja ou, como você bem pontuou, não é caminhar junto para o mesmo lugar. Existe um quê de cumplicidade muda, uma confiança naquele passo que não se desenhou. É aquele olhar firme só para confirmar: vai lá e, se não der certo, pode voltar que a porta está aberta.

E, apesar dos vinte e poucos que sobrevém, gostaria que toda essa leveza que ameaça fenescer pelo peso da (nossa) idade permanecesse. Que você permaneça tão vibrante quando Sol está em Câncer, tão inteligente, tão especial. Atravessamos um ponto crítico onde ser melancólico é depressivo, a madrugada é para os vagabundos, Bandeira é inútil perto do Cécil & artigos de revisão, ser complicado é complicado, ser sincero é mau-educado. Permaneça, querida. Com toda sua sensibilidade e pureza, não importa para qual lado corra. Permaneça no caminho da luz, muito embora seja preciso umas trilhas escuras para chegar lá. Permaneça do meu lado (e se não der, pelo menos por perto), porque é de pessoas assim como você que preciso para colorir a vida, dividi-la em pedaços simétricos, segurar na mão quando estiver com medo ou doar sangue.

Feliz aniversário, caríssima.

Feliz aniversário.

Gb's