quarta-feira, junho 28, 2006

Termina o primeiro tempo!

Como diria Juca Kfouri, as coisas vão piorando para melhor. Irônico, não?

É, só resta a tentativa de buscar um pouco de brilho dentro de tanta cinza que restou. Brincar de Poliana, fazendo o jogo do contente enquanto o lobo mau não vem.

Tenho esperanças que essa aparente piora no estado de coisas venha para o bem. Sempre reclamei da falta de espaço e hoje isso é coisa que tenho até demais.

E quando fiz as contas, além do aniversário do Leo (parabéns, Leo!), 2006 já vai pela metade. Tão raso de realizações que arrepio em pensar que este, talvez, passe em branco dentro de tanta coisa que aconteceu nos últimos dois anos ou três.

O jeito? Dançar um tango argentino. Qualquer outro remédio é amargo demais para ser tomado num gole só. E como tudo-tudo-tudo vai ser diferente em menos de um ano e meio...

domingo, junho 18, 2006

Carta

Meu caro amigo,

Esta overdose de Belle and Sebastian também tem os seus efeitos. Também de encontrar todo mundo, como há anos não acontecia. Até essa Copa, ecos daquele dia do Penta. Tudo juntou de forma encantadora e nostálgica.

Estava lembrando de um mail seu, antigo pacas, com epígrafe de Coldplay (naquela época do Parachutes, quando Chris Martin era um loser sincero): "We never change, do we?". Você reclamava da mornidão das coisas, da falta de liberdade, do erro crônico das pessoas, da ausência de perspectivas. Eu concordava. E tínhamos uma esperança violenta no futuro, uma vontade irresistível de iniciar tudo do zero, um otimismo bobo porém sincero no que havia por vir.

E o tempo passou - nós mudamos de cidade, de estado (só não mudamos de país por restrições que não são nossas). Grande parte dos nossos personagens também mudaram, casaram, morreram ou simplesmente se perderam no limbo. Os bancos da praça foram destruídos, tia Su não faz mais coxinhas na Cultura, nossos professores foram demitidos ou aposentados. Aprendemos a beber cerveja & destilados, não precisamos nos esconder nos fundos do Mário Roberto para fumar. Conhecemos outras bandas, fomos em outros shows, vimos outros filmes, apaixonamo-nos (ou não, enfim). Até que.

Voltamos. Sempre voltamos. E quando nos vejo, penso em tudo que passamos, todas as promessas de futuro que foram feitas e as perspectivas de mudança, daquelas redentoras, que não se concretizaram. Mudamos as bandas, mas não os estilos. Bebemos como uma espécie de fuga. Ainda somos defensivos, nostálgicos, excessivamente racionais. Nesses dois, três, quatro anos, ainda nos reconhecemos como éramos - reiniciamos as conversas interrompida há meses, rimos das mesmas piadas, nosso timing se manteve. Isso é válido para todo o nosso universo francano. O que, para mim, é quase que uma vitória.

É ter para onde voltar. Para aquela bolha meio paisagem que se a gente virar de ponta cabeça cai neve e não se sentir tão freak assim. É ter quem segure sua mão quando aparece uma tempestade ou quem ria das desgraças iminentes que se aproximam. Mesmo que invariavelmente acabemos no City Posto cada noite ou que desencontremos toda madrugada quando nossos programas não batem - essa familiaridade me salva. E é o que me ajuda a não desesperar quando as coisas, ali para lá do rio Grande, estão demasiado obscuras.

E, ao contrário da música, aprendemos sim. Acho que continuamos os mesmos, não colocamos a vida nos termos que gostaríamos. Mas tenho uma fé tremenda que estamos chegando em algo sublime e arrebatador. Pode demorar dois ou cinco ou quinze meses ou anos. Acho que nosso processo de mudança é bem mais interno, tipo um vento alísio, que desgasta a pedra dia-a-dia e retira aquilo que não for essencial. Até quando estivermos lisos, polidos, inteiros. E nesse momento eu não sei, acho que entraremos em outras crises (porque é impossível viver sem crises, num ritmo bright and shiny), talvez continuemos nos lamentamos sobre inocência perdida, aquele Free Jazz que não fomos, as indiscrições da aula do Bob e como tudo isso era bom. Mas tenho certeza que ainda teremos a nós mesmos. E Belle and Sebastian, Teenage Fanclube, Grandaddy, Coldplay, Radiohead e qualquer outra banda do tipo que nos façam lembrar que: everything's not lost. Ohh. Everything's not lost.

quinta-feira, junho 15, 2006

Letícia

Plena terça-feira, véspera do jogo do Brasil, meu professor ególatra mandando avaliar pacientes. Aquele sono pós-prandial, aquele torpor pedindo um café e cama, talvez adormecer ternamente entre o Video Show e a Sessão da Tarde. Mas não: avalie pacientes. Porque ele pergunta, porque sua anamnese nunca está boa, porque tudo vai errado já que toda vida aparenta estar em colisão iminente.

Leito 206, era Letícia. Linda, loira, doce, extremamente sabida no alto de seus seis anos de idade e ali no seu vigésimo primeiro dia de internação. E apesar da internação longa, da sonda nasogástrica, do acesso venoso na mão direita que a impedia de desenhar, estava tão leve que desarmou todo o peso que carregava há tantos dias só com um sorriso. Com sua fala espontânea enquanto mostrava que sabia escrever o nome, sua coleção de seringas vazias, o nome da professora e tantas outras coisas ao mesmo tempo que me deixou zonzo e, ao mesmo tempo, encantado. Teria alta amanhã. Como abria a minha maleta? Com a bochecha pintada de guache em duas faixas, verde-e-amarela.

E enquanto procurava, com meu estetoscópio, qualquer ronco, estertor crepitantes e outras amenidades pneumológicas, ela disse (como se eu não estivesse ali) para Carolina e o Daniel: "quando me viu andando pela enfermaria, virou para mãe e falou NOSSA" (pausa) "que moço lindo".

Sim, Letícia me achara lindo. Mesmo descabelado, apesar das olheiras, do meu mau humor habitual das terças à tarde, sem qualquer alusão ou pedido pelo elogio. Foi uma fala espontânea, natural - um elogio oferecido ali como se eu não estivesse presente.

Senti o meu coração disparar e confesso que fiquei quase tonto. Quis derreter como um comprimido efervescente ali mesmo, desaparecer no chão, pular pela janela quase nocateado por tanta beleza e ternura que me foi oferecida.

Guardei meu estetoscópio com um sorriso monstruoso, infectado por uma maré de otimismo sincero. Nem tanto pelo elogio em si - mas em perceber, dentro do movimento habitual e ritmado da minha vida, que existe tanta beleza. E é só procurá-la, não perder a paciência, não entregar os pontos, resistir ao inverno e às condições desfavoráveis. Ainda que todo esse inverno prometa ser regido sob o signo do desamor, ainda existem estas pequenas explosões para que sigamos a luz dentro dessa escuridão monstruosa, ainda existem estas centelhas de calor humano para os dedos doerem menos.

Letícia, minha linda... Obrigado por ter me salvo.

sábado, junho 10, 2006

Sorrow

O dia está ensolarado, apesar de frio. Sem boas notícias, sem más notícias and live goes on. Mas quer saber? Estou triste. Triste, triste. Como há muito não ficava.

Tudo começou com um post da Anita, brilhante como há tempo ela não fazia. Poderia ser meu, o que estou sentindo - essa aparente falta de perspectivas, essa inércia irrestrita, essa ausência de coisas positivas que façam a vida pender pra qualquer lado.

Não existe fato algum a me acalentar. Mastigo uns pensamentos fantasmagóricos, fragmentos de coisas positivas que aconteceram e. Alterno meu tempo entre novelas da Globo, Ídolos do SBT, adianto umas leituras, telefono vagamente sentindo vagas saudades. Tudo tão asséptico, insone, sem graça por assim dizer.

Tenho me sentido profundamente incompetente. Como se não conseguisse mais ser capaz de atingir meus objetivos. Que talvez a vida não seja como planejava, por erro ou inconseqüência. Que talvez tudo se resuma a isso: meu apartamento solitário, um ir-e-vir diário que nem sustenta nem mata, pequenas alegrias ínfimas para tudo não descambar para a melancolia completa.

Sinto saudades de casa. Vejo os ipês novamente carregados e percebo que quase tudo continua na mesma irritante balada.

Cada dia que acordo é uma batalha para resistir à tentação do desespero completo.

segunda-feira, junho 05, 2006

Bala de Maça Verde

Quem não gosta das eternas balinhas de três por 10, verdinhas, leves e com gostinho de infância?
Segue Abaixo uma pequena etmologia da palavra Lilith... Aquela que seria a primeira mulher e se rebelou contra a dominação masculina na hora sexual. ( Por que Adão insista tanto em ficar por cima?)


"Lilith é usualmente derivado da palavra Babilônica/Assíria Lilitu "um demônio feminino ou
um espírito do vento" - parte de uma tríade mencionada nas invocações mágicas babilônicas.
Mas aparece mais cedo como Lilake em uma inscrição Sumeriana do ano 2000 A.C. que
contem a lenda "Gilgamesh e o Salgueiro". É uma demônia vivendo em um tronco de salgueiro
vigiado pela deusa Inanna (Anath) em uma margem do Eufrates. A etmologia do hebreu popular
parece derivar Lilith de layl, noite, e ela freqüentemente aparece como um monstro noturno
peludo no folclore Árabe". Robert Graves & Raphael Patai, Hebrew Myths. The Book of
Genesis, Greenwich House, New York, 1983, p. 68."

Nada a declarar, por enquanto...

domingo, junho 04, 2006

Domingueira

Décima hora de plantão e meia de um domingo. Depois de ter dormido umas duas horas (boemia, sinuca, programas inesperados - acontece). O tédio é ilimitado e fico aqui esperando o tempo passar (provável que amanheça o dia mas não chega as 19:30 de hoje).

Enfim.

Acordei pensando em Bandeira. Poucos versos desconexos que sei de cor. A idéia geral: ternura. Saudades, de coisas etéreas e imateriais.

Uma vontade que a vida fosse muito menos complicada que é realmente.

Umas três respostas complicadas me esperam na semana que vem - paciência.

E, apesar de tudo, apesar desse friozinho gostoso e a carência de algo além de se afogar nos edredons...

... vai dar certo. Há de dar.