quarta-feira, maio 31, 2006

Da gaveta 2

(...)

Mas refleti: as perdas, na verdade, não passaram de boas perspectivas que não se confirmaram. E estas possibilidades sempre me travaram, impedindo-me de ver mais longe, explorar outras alternativas, movimentar-me. O que para mim sempre se configurou como leveza, agora se revelava um grande peso. E a perda, que principiava a ser um peso significativo, converteu-se em pura leveza.

Voltei a ser a velha Kite no céu. Senti-me (aliás, sinto-me) livre como nunca estive. Agora, que aquelas vagas dores metafísicas me deram alívio. Agora, que sinto meus passos firmes. Agora, que me sinto suficiente, forte, coerente. Agora, que tenho estrututa. E agora, livre destas pequenas grandes ilusões, respiro melhor. Como se o mundo abrisse. Enfim, livre.

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