sábado, abril 29, 2006

Acabou

E a MI deu certo. E estou em Ouro Preto. E parece que o final foi feliz.

Pelo menos, nas aparencias...

quinta-feira, abril 20, 2006

O tiro de misericórdia

Não existe nada mais cruel que uma ilusão acabar. Você mantê-la, linda em sua redoma de cristal por tanto tempo e ela se esfarelar sem aviso na sua frente. Sempre fui de idealizações. Platonismos. Exercício de suposições doces, levianas, irreais - mas tão boas para se matar o tempo. Sempre preferi viver em meu mundo edulcorado que essa vida cão diária. Silenciosamente. Enquanto fito as pessoas e os problemas e as tempestades e as intempéries com olhos baços de-não-estou-nem-aí. É na base das minhas vãs ilusões que me mantenho são, bem humorado, vivo.

Num feriado, morreram duas ilusões. Belas, doces. Súbitas. A la Oasis, "how many special people change?". Pungentes. Irreversíveis de uma forma que não sei explicar. Nem chorei, nem gritei, nem quis morrer pulando da ponte ou tomando veneno - ficou um espaço vazio, este nó na garganta, esta sensação de ausência. Fica uma dor vaga, visceral, de condução lenta. Que se alastra silenciosamente como um câncer. Que só vai doer num dia desses, uma quinta-feira nublada aleatória, que será insuportável todo o peso da recusa, das perdas, dos meus erros silenciados, tudo isto que sinto e não tenho aonde colocar. Daí eu vou desabar. Só assim eu vou desabar. Vou querer arranhar paredes, renunciar ao meu amor próprio, rasgar as cartas de minha caixa de cartas, desaparecer.

Morreram as duas, numa tacada só. Não suportaram à chegada do outono. Entro no outono, minha estação predileta, vazio como nunca estive. Entro no outono, como sempre entrei: regido sob o signo do desamor. E de pensar que ainda é só abril...

terça-feira, abril 18, 2006

Socorro!

Fiz a matrícula nesse semestre da faculdade e reparei agora, com menos de dois dias passados do começo do semestre que eu não tenho o mínimo de amor própio.
Eu vendo minha alma pelo superpoder de me teletrasnportar ou de conseguir fazer projecoes astrais!

domingo, abril 16, 2006

Pela Noite

"Você sabe que de alguma maneira a coisa esteve ali, bem próxima. Que você podia tê-la tocado. Você poderia tê-la apanhado. No ar, que nem uma fruta. Aí volta o soco. E sem entender, você então pára e pergunta alguma coisa assim: mas de quem foi o erro?
(...)
Você vai perguntar: mas houve o erro? Bem, não sei se a palavra exata é essa, erro. Mas estava ali, tão completamente ali, você me entende? No segundo seguinte, você ia tocá-la, você ia tê-la. Era tão. Tão imediata. Tão agora. Tão já. E não era. Meu Deus, não era. Foi você que errou? Foi você que não soube fazer o movimento correto? O movimento perfeito, tinha que ser um movimento perfeito. Talvez tenha mostrado demasiada ansiedade, eu penso. E a coisa se assustou então. Como se fosse uma coisa madura, à espera de ser colhida. É assim que eu vejo ela, às vezes. Como uma coisa parada, à espera de ser colhida por alguém que é exatamente você.
(...)
O erro? Eu dizia, pois é, o erro. Eu penso, se o erro não foi de dentro, mas de fora? Se o erro não foi seu, mas da coisa? Se foi ela quem não soube estar pronta? Que não captou, que não conseguiu captar essa hora exata, perfeita, de estar pronta. Porque assim como o movimento de apanhar deve ser perfeito, deve ser perfeita também a falta de movimento, a aparente falta de movimento do que se deixa apanhar. Você me entende?"

(Caio F., nestas noites principiando a ficarem geladas...)

O outro lado

Não consigo deixar de admirar as pessoas que têm o mundo dividido em dois. Aquele arquético católico de bem e mal. Aquela coisa bem Bush de comigo ou contra mim. Aquela coisa Global das novelas de vilões e mocinhos.

Eu relativizo demais. Eu procuro compreender. Eu ainda acho lógica na postura insensata alheia. Eu me culpo por não ser tão maleável. Eu hesito em resolver os silêncios. Eu ainda acho que o insolúvel tem solução.

Hoje eu só ratifiquei em qual lado estou na moeda...

sábado, abril 08, 2006

O sufoco

Vibrações murphyanas sempre acompanham momentos de crise. Meu computador faleceu bem no momento em que mais precisava dele. Lá se foi minha net-a-cabo-que-eu-gostava tanto, meus-mp3-que-eu-gostava-tanto e etc. Sobrevive-se. O caos acadêmico se instalou, pois estou no último mês do pior semestre do meu curso - cá estou eu empacado nos 40% de uma monografia enorme, contando os pontos para não desperdiçar esforço onde não se precisa. Cansado, cansado, cansado como há muito tempo não ficava.

Mas até que está sendo bom. Esta falta de tempo, esse aperto - tenho ocupado minha mente com preocupações idiotas do tipo 'notas de prova, próxima prova, próximo relatório'. Nada mais. Nada que seja filosófico ou complexo. Nada que me exija um pingo de racionalidade. Num estado que definiria quase anestésico. Parestesia. Nada além que o necessário para permanecer vivendo.

Caiu como uma luva esta possibilidade de colocar tudo aquilo que me infernava em stand by enquanto esse semestre não acaba. Fuga? Talvez. Tudo que me cerca caminha numa rota inexorável de colisão - um pequeno desvio não seria lá tão condenável assim...

(peço paciência. Com posts, telefonemas, cartas. De agora em diante, minha vida virtual se complica - não encarem silêncios com desinteresse por isso aqui. Esqueci de comentar, mas no final de março fez 3 anos que estou blogando por aqui, aí, em qualquer lugar... \o/)

quinta-feira, abril 06, 2006

Certo/Fácil

A voz da frase de Dumbledore está na minha cabeça repitindo " chegaraõ momentos em que teremos que escolher entre o que é certo e o que é fácil" ... Cheguei nesse dilema. Não há aqui claramente delineado o que é errado, mas somente aquilo que é certo e aquilo que é fácil. Dilema Moral. A Opção Fácil implicaria em talvez afastamento de amigos estimados, porém, salvaria(em certa medida que não sei colocar) minha pele. A Opção certa me pouparia os amigos( quem sabe?) e possívelmente me ferraria. O Que fazer? Dois pesos e duas medidas em que não tenho mínimo parametro comparativo.

Sempre pensei chegar nesse tipo de situação, um dia, mas não agora e por mais que eu simulei milhaes de situações de escolha está se apresenta como uma situação nova e sem nenhum plano de ação.

Definitivamente a situação levará a uma ruptura. Não sei se estou pronto. O Silêncio não é de longe uma opção.

" A Covardia é um direito" foi escrito por alguém mas, será que é um direito uma vez que a opção pela segurança podeiua causar tantas grandes sanções?

Ando pensando em tomar um porre daqueles e rezar, rezar muito na esperança de alguma solução, qualquer que ela seja, desde que convicta.