sexta-feira, março 31, 2006

Cotidianas

O mundo anda tão complicado, meu bem. Estou sem computador há mais de semana, provavelmente será um prejuízo astronômico. A vida, vai indo. Não como eu queria, nem como deveria. Nem como eu desejaria. Sinto meu coração como uma peneira. Sinto que sangro, diminutamente, mas um pouco a cada dia.

Estou cansado. Preciso de respostas. Quero dinheiro. Um pouco de bom humor. Uma parca sintonia com aquilo que me prende ao mundo - um acordo de paz, nem que seja temporário. A mornidão permanece, com toda minha incapacidade de correr para o lado que considero justo.

(post telegráfico, só para não ficar neste silêncio incômodo)

terça-feira, março 21, 2006

Pensamentos inconclusos

Tenho estudado esparsamente e dormido em horários não-convencionais. Desesperei-me com a superficialidade da faculdade e minha incapacidade de resolver situações problema que teoricamente já teria como. Tenho ido menos ao cinema e desconfiado um pouco mais das pessoas. Tossido, tenho muito, como um camelo. Ainda não me desesperei com o caos que abril trará e o fato de possivelmente não ter férias soa com um leve incômodo. Não tenho pensado muito nas coisas, tô preferindo deixar a vida me levar. Saudades, muitas: estava ali preguiçosamente assistindo JK quando surge Audrey, com Sinatra ao fundo. A vida segue bossa-nova e se eu fumasse talvez eu parecesse poético ou boêmio ou decadente. Todos meus músculos doem, talvez consiga manter a freqüência na academia sem muitos malabarismos. Engraçado reconhecer velhas qualidades em novas pessoas e vice-versa. Engraçado perceber que certas situações são irreversíveis. Tenho convivido muito com a iminência da morte e isto não está me fazendo muito bem. Estou sozinho, semi-insone. E não sei se essa calmaria toda me alivia ou desespera.

sexta-feira, março 17, 2006

Sem Ana, Blues

...porque o silêncio e a imobilidade foram dois dos jeitos menos dolorosos que encontrei, naquele tempo, para ocupar meus dias...

A impressão que tenho é que nunca vai passar.
Que a cicatriz não fecha.
Que só de esbarrar, sangra.
Ainda me perco e só reencontro os velhos caminhos.
Mas (ou E), não vou. Nunca vou. Nem irei.

Porque o maior erro foi não sucumbir àquilo que considerava meu maior defeito...

...pela janela da sala do apartamento ainda é possível ver uns restos de dourado e vermelho por trás dos edifícios de Pinheiros...

segunda-feira, março 13, 2006

Slow motion

Sinto-me queimando em fogo brando. Sinto um leve formigamento de extremidades, após uma longa anestesia. Vejo pequenos fachos de luz, um fundo branco, alguns vultos que não distinguo.

Isto é, estou voltando. Ficando pronto. O que não implica, necessariamente, que eu esteja 100%.

Estou numa espécie de vácuo. Aquela letargia nos primeiros minutos em que acordamos. Um descompasso entre cérebro - coração - braços - todo resto. Porque preciso de toda atenção que possuo para não agir errado. Porque cada coisa exigirá uma ação diferente: mais racionalismo ou mais emotividade ou maior compreensão ou ligar o foda-se de uma vez. E isto é difícil.

Vou em slow motion, porque me ensinaram que quem vai devagar também vai longe.

E tudo se encaixa, ao mesmo tempo, por incrível que pareça. Por isso, não notem a minha aparente lentidão. Estou me movimentando. Acredite.

terça-feira, março 07, 2006

"If you can't fix it you've got to stand it"
(Annie Proulx)

Fato.

sábado, março 04, 2006

O prenuncio do fim

Estou de ressaca, um pouco cansado. Mas com a consciência aberta como nunca, raciocinando sobre a vida de uma forma que nunca fiz antes.

Sim, 2006 será um ano de revoluções. Nestes primeiros dois meses, as situações foram colocadas de forma que eu escolhesse: a fuga ou o enfrentamento.

Mas fugir, renunciar, tangenciar deixou de ser uma opção válida. Falta vontade, falta ânimo, falta saco. Portanto, preparo-me para as longas batalhas, vou armazenando víveres e escolhendo refúgios porque tudo indica que meu mundo será sacudido até as estruturas.

Quanto a mim, vou sem medo. Sempre acreditei que a verdade liberta, apesar de muitas vezes não ser do jeito que queremos. Ela dói e arde, ela desconstroi e varre tudo aquilo que não for bem enraizado - mas liberta. E meu objetivo primo nesta vida sempre foi a libertação, seja lá com que cara.

Pela primeira vez na vida, acho que estou pronto. Não completamente, mas de uma forma a suportar toda a tempestade que começa a aparecer na linha do horizonte...