sábado, fevereiro 18, 2006

#1 - Cartas à Clara

"Acho que acaba sendo como o sol: há a hora de aparecer, brilhar, iluminar, aquecer. E há a hora em que o que costumávamos iluminar tem que ficar escuro, frio, até mesmo sombrio. Só que o 'normal' [que é normal afinal?] é que a maioria do tempo seja a primeira descrição, e a segunda por sua vez seja bem curta. Mas às vezes acontece de a segunda se prolongar por um tempinho a mais"
(Clara)

Engraçado que há umas duas semanas acordei de ressaca num sábado comum, desses que não apresentam nada em especial. Levantei da cama com dificuldade extrema (coisa tão habitual no meu dia a dia) e fui lavar o rosto. Quando juntei nas mãos um bocado d'água e me olhei no espelho, com o cabelo revolto e olheiras querendo colorir os olhos, veio a mente: "don't be afraid of the dark".

Isto sem motivos, sem aviso, sem qualquer fator desencadeante. A frase pulou de algum lugar do inconsciente praquele lugar da nossa mente que compreendemos. E fiquei pensando bastante nela na semana decorrente (antes da MI, que sugou grande parte dos meus esforços da semana passada).

Sabe, sempre acreditei que, para alcançar a luz, precisamos caminhar pela escuridão. Mesmo aquele comercial do Omo já diz, não há aprendizado sem manchas. Não acho que podemos chegar à felicidade incólomes - grande parte das nossas ações tem custo e administrar este custo que é o grande desafio. São escolhas difíceis que temos que fazer, temos que cortar na pele porque é necessário, temos que ceder muitas vezes naquilo em que somos mais fortes ou mais fracos

Por causa disso, aceito sem muito medo quando tenho que passar pelas minhas fases de eclipse. Pois sei que é passageiro, pois sei que é só um estágio rumo a algum lugar maior, pois não há coisa do mundo que seja eterno e imutável. Por mais longa que seja a noite, sempre tem o amanhecer. Por pior que seja a tempestade, tem sempre um solzinho no fim.

Portanto, não importa quão baixo eu entre no poço, sempre trago comigo duas frases: primeiro, de Caio Fernando no conto 'Os dragões não conhecem o paraíso' - Que seja doce. E esta minha.

Don't be afraid of the dark.

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