terça-feira, janeiro 10, 2006

A grandíssima ironia do dia 10 de janeiro

"And life has a funny way of helping you out when
You think everything's gone wrong and everthing blows up
In your face"
(Ironic - Alanis) - um clássico

Hoje seria um dia para lamentações. Como um velório. Como uma missa de sétimo dia.

Mesmo que não quisesse, ainda que fosse ao Taiti, trabalhar numa carvoaria ou qualquer coisa para ocupar a mente: não precisaria mais que dois segundos para lembrar e, se lembrasse, toda a enxurrada de memórias que viria a seguir.

Um Zippo preto. Um All Star azul, tão azul da cor do céu. Alguns porres de madrugada, conhaque, Drummond, Salinger e o fim o fim o fim o fim o fim.

Como os planos mais doces podem derreter sem a menor parcimônia...

E daí, tão distraidamente, uma fada avessa cruzou o caminho. Daquelas irônicas e sacanas. Daquelas Murphyanas, prontas para fazer o dia mais ensolarado desabar em mais pesada tempestade. Só que ela errou a mão - ela converteu um dia fadado a ser para pensar naquilo que poderia ter sido e não foi num convite aberto para o reinício, o reencontro.

Para isto, ela poderia ter me dado qualquer um dos outros 364 dias do ano, mas não: o dia mais pesado do ano, em dois palitos, foi convertido em leveza, quase etérea, quase balão.

Por essas e outras, quase me sinto tentado a acreditar em destino, horóscopo, I-Ching, budismo ou qualquer outra coisa que queria ordenar o aparente caos que vivemos...

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