segunda-feira, janeiro 30, 2006

Desespero 1

1)Tenho que recuperar nota em uma matéria obrigatória importantíssima. Tirei 3.8 na primeira prova
2)Não é a unica matéria que eu estou fodido
3)Tenho que fazer uma apostila didática. E isso é chato, chato.
4) Odeio o meu curso
5) Estou no vermelho. Cheque especial é uma entidade malígna.
6) falta 10 dias para cortarem o telefone.
7) Descobri num seminário de psicologia que eu sou extremamente neurótico e que minhas pulsões não são respeitadas.
8) Quero férias desesperadamente
9) Não sei o que fazer quando chegar o carnaval.
10) Eu sei que amanha será um dia insuportável!

Um dia passa.

domingo, janeiro 29, 2006

Pequenas dificuldades

Nunca gostei dos rins. Tão complexos e vitais. Tão singelos e temperamentais. Tão importantes quanto silenciosos.

A aula de patologia renal é terrível - são processos sutis e velozes. Potencialmente mortais. Todos crônico-degenerativos, sequelares, súbitos. Você pensa que eles podem estar acontecendo: ali com você, com sua mãe, com seu amigo.

Os tratamentos são pífios, porque o que está perdido não se recupera. Os medicamentos são mínimos. O prognóstico, a longo prazo, é sombrio.

Torcia para que isto nunca acontecesse com ninguém que amo. Nem rins, nem câncer, nada que provoque tanto sofrimento e angústia quanto as porcentagem inconclusivas da medicina. Mas aconteceu. Está acontecendo.

Daí, tudo centraliza em mim. Eu e minha enorme ignorância médica. Eu e minha vaga idéia sobre gravidade, prognósticos, dificuldades. Difícil é tomar o baque e fazer cara que está tudo sob controle. É difícil só falar em esperança quando se sabe por onde tudo pode terminar.

2006 está cheio de pequenas dificuldades. Daquelas espinhos de rosa, farpas mínimas que podem ser muito dolorosas.

Ignorância, tem hora, que é benção.

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Sobriedade

[roubado de um mail que escrevi]

Faz parte deixar de cair de amores só porque bateu uma puta identificação inicial, faz parte deixar de confiar que os amigos próximos são eternos e sempre serão os mesmos, faz parte concluir que não seremos tudo aquilo que desejávamos ser, faz parte perceber que grande parte dos nossos mecanismos de fuga são incapazes de nos proteger da dor e da frustração. Tá, eu acho o mundo muito mais cinza por causa disto, mas pelo menos é uma forma mais saudável de se viver - pelo menos a(s) queda(s) não são tão mais dolorosas, nem tão mais constrangedoras.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Just follow the light

"Sabe o que eu reparei hoje? Percebi que os ipês-rosa estão floridos. Eu não percebi as folhas caí­rem, as flores crescerem, até que, de repente, estavam ali. Pensei: faz parte da natureza. E a natureza segue seu curso... É da natureza crescer e andar com os próprios pés. Ás vezes não temos certeza se é possível manter-se ereto e seguindo em linha reta, mas é do exercício que vem o aprendizado"
(Maria de Lourdes, minha mãe, em carta para mim logo depois que mudei para faculdade)

E é verdade. Por isto não desespero. Só por isso.

[Saudades de casa]

domingo, janeiro 22, 2006

Monstros

"I want to live in a world where I belong"
(Turn - Travis)

Não sei se este é mais um obstáculo ou se é o final da linha. Não sei se é mais uma daquelas variações súbitas de humor com um reflexo devastador naquilo que chamo de "minha auto-estima" ou "esperança de dar certo". Não sei se daqui dois dias lerei isto relembrando a minha eterna mania de supervalorizar aquilo que é negativo e como me desespero quando algo sai dos meus planos.

Mas a grande questão hoje é a incompreensão.

A impressão que tenho é que tenho um monstro comigo. Daqueles secretos e bem escondidos. Daqueles que moram no armário de vassouras, nas gavetas dos panos de prato. Apesar do monstro, convivo socialmente com o mundo e o fato do monstro quase passa desapercebido.

Mas ele existe.

E é só eu colocar alguém para dentro do meu círculo de pessoas confiáveis, abrir a porta do apartamento para que o monstro pule para fora. Só que o monstro pula nas minhas costas e eu não o vejo aparecer - não sei qual aparência medonha ele possui. Não sei qual artifício ele utiliza para afastar as pessoas, pelas quais estou me afeiçoando, para longe.

É sempre assim, é a mesma história. Tudo parece caminhar até um ponto que se sufoca. Até que virem as costas, bye bye so long e é só.

Tento fazer o melhor de mim e não basta. Nunca basta. E não sei se o meu melhor de mim que é errado, porque nunca me falaram. E não sei se só não sei ser o melhor. Nem o suficiente, o regular, o banal, o sofrível.

Até os amigos próximos estão partindo, em diferentes graus e formas. Os espaços vagos permanecem incapazes de serem ocupados. É o monstro, é o monstro, é o monstro.

E enquanto nada acontece, vou levando a vida. Contando as estrelas, organizando as fotos dos porta-retratos, até limpando o fogão vezenquando. Só esperando. Esperando por alguém que chegue, que diga que eu faço a diferença, faça questão da minha presença. Esperando compreensão. Esperando que todos que me cercam cumpram a promessa da raposa, no "O Pequeno Príncipe": eternamente.

terça-feira, janeiro 17, 2006

Coisas para se fazer sem prazo de validade:

[escrito em julho/2003]

* Pular de pára-quedas
* Conhecer Paris e Londres
* Fugir para praia em momentos máximos de stress
* Saber a diferença entre Bach e Chopin
* Fazer novos amigos interessantes e leais
* Escrever um livro
* Aprender HTML
* Aprender a desenhar
* Ir ao show do Radiohead, Coldplay, U2 e Belle and Sebastian
* Ir a algum festival de rock
* Conhecer Ouro Preto, Florianópolis, Bonito, Fortaleza, Campos do Jordão, Caldas Novas, Manaus, Gramado, Buenos Aires, Rio de Janeiro
* Plantar um ipê e cultivar um jardim
* Ir ao Skol Beats, em São Paulo
* Reaprender a comer peixe
* Tomar menos Coca-cola e mais capuccino
* Organizar meus álbuns de fotografia
* Não desafinar no karaokê
* Não tropeçar quando todos estão olhando ou qualquer outro tipo de situação constrangedora pública
* Dar menos crédito às leis de Murphy
* Não ficar triste com coisas pequenas
* Correr na chuva
* Beijar muito em público
* Ler sobre as fraquezas da Medicina atual
* Ler Harry Potter sem qualquer sentimento de culpa
* Aprender a assoviar
* Correr descalço na praia
* Voltar a nadar
* Voltar a brincar de Lego
* Aprender Astronomia
* Aprender a diferenciar sorrisos tristes dos felizes
* Não entrar em pânico nos semáforos
* Encontrar alguém legal para dividir os problemas, as alegrias, os defeitos, o último pedaço do bombom, a entrada no cinema, os livros de cabeceira, as noites

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Parents' tour

O puff laranja chegou para combinar com o Tang, o tigre de estimação. O armário tá consertado. Os livros estão no lugar. O computador voltou, vivo e forte. Tem comida na geladeira. Tem liquidificador em cima dela. Tem maracujá com agua gelada. Tem maçã, nectarina, pêssego. O telefone tá na parede. As fotos estão no lugar. A cortina tá na parede. Tem colchão novo pras visitas. Tem cerveja pras comemorações. Tem alívio pelo desafogo. Tem boas notícias, pululando pra serem contadas. Tem reencontros, tão doces e potentes. Perspectivas, sim. Perspectivas.

Esse pequeno tufão de obras que passou no meu apê pintou de 2006 a zona que estava instaurada desde a mudança - botou o lado de fora tal qual o lado de dentro está: querendo renovar, reinventar. E agora que a ordem chegou, não quero mais que ela vá embora. Cada pedaço que fique em seu lugar e eu, contra a minha natureza, vou começar uma luta épica para mantê-la.

Não digo que estou bem bem - mas que tudo está sob controle. E para mim, tão acostumado às más notícias, isto é uma grande vitória...

*******

Pronto, agora vou começar a colocar minha vida em dia. Mails, scraps, etc: aguardem-me!

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Ironic

"Well life has a funny way of sneaking up on you
When you think everything's okay and everything's going right"
(Ironic - Alanis)

A vida é um cobertor pequeno - sempre puxando e sempre descobrindo um pedaço.

Mas sem desespero: não tenho tanta urgência de viver.

Não vou perder o otimismo que me incendiou tão calidamente neste início de ano. Vou acreditar que se trata de um pequeno desvio e que, em outros dois palitos, tudo novamente estará em paz.

Se der certo, se der errado, independente de. Mas estarei em paz.

Minha paz foi algo que conquistei a duras penas e não estou nem um pouco afim de cedê-la novamente.

terça-feira, janeiro 10, 2006

A grandíssima ironia do dia 10 de janeiro

"And life has a funny way of helping you out when
You think everything's gone wrong and everthing blows up
In your face"
(Ironic - Alanis) - um clássico

Hoje seria um dia para lamentações. Como um velório. Como uma missa de sétimo dia.

Mesmo que não quisesse, ainda que fosse ao Taiti, trabalhar numa carvoaria ou qualquer coisa para ocupar a mente: não precisaria mais que dois segundos para lembrar e, se lembrasse, toda a enxurrada de memórias que viria a seguir.

Um Zippo preto. Um All Star azul, tão azul da cor do céu. Alguns porres de madrugada, conhaque, Drummond, Salinger e o fim o fim o fim o fim o fim.

Como os planos mais doces podem derreter sem a menor parcimônia...

E daí, tão distraidamente, uma fada avessa cruzou o caminho. Daquelas irônicas e sacanas. Daquelas Murphyanas, prontas para fazer o dia mais ensolarado desabar em mais pesada tempestade. Só que ela errou a mão - ela converteu um dia fadado a ser para pensar naquilo que poderia ter sido e não foi num convite aberto para o reinício, o reencontro.

Para isto, ela poderia ter me dado qualquer um dos outros 364 dias do ano, mas não: o dia mais pesado do ano, em dois palitos, foi convertido em leveza, quase etérea, quase balão.

Por essas e outras, quase me sinto tentado a acreditar em destino, horóscopo, I-Ching, budismo ou qualquer outra coisa que queria ordenar o aparente caos que vivemos...

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Sorry

Reintero que estou meio desligado do mundo virtual. Blogs queridos, mensagens no Orkut, e-mails tão inesperados quanto interessantes: aguardem-me, que já já eu volto.

2006

Seria uma ironia enorme. Seria uma história de filme. Seria um conto clichê sobre redenção no primeiro segundo do segundo minuto do ano.

Mas aconteceu, ah, aconteceu.

Só pra lavrar a alma, tão castigada pelos silêncios anteriores, sustentados por tanto tempo, ecoando por horas e horas e horas na cabeça - pesando como mais um lamento, mais um esforço inútil, mais um falecer antes do último suspiro.

O ano começou tão taquicárdico quanto delicioso. Tão amedrontador quanto desafiador. Tão pesado quanto leve. Tão simples quanto redentor.

Só espero que o inverso do teorema do Leo não seja verdadeiro: que um ano que começa bem não venha a piorar. Tudo indica que ele será longo e sacrificante, academicamente falando. Continuará complicado, em todos os outros sentidos. Mas se eu me permitir ah!

Quantas possibilidades...

terça-feira, janeiro 03, 2006

O Ano Pariu

Já é 3 de janeiro de 2006. Meu ano começou supimpa! No reveillon invadiram a minha casa em Franca-SP..., Roubaram um monte de coisas legais que eu estimava muito, inclusive minhas roupas(todas que eu usava)e um perfume que eu demorei séculos pra comprar. Pelo menos agora eu tenho roupas novas...

Amanha terei minha primeira entrevista de estágio e nao tenho um terno para me apresentar. Além disso não estarei 100% mentalmente pois sei que boa parte dos meus amigos está de férias e que minha familia modelo e feliz se encontra em algum recanto paradisíaco de Santa Catarina.

Me disseram que quando o ano começa ruim a tendência é melhorar. Será? Tomara que sim.

Enquanto isso eu aceito com carinho qualquer doação de diskman para esse menino carente que lembra a todo instante que não mais possui um tocador de cds velho para escutar num busão qualquer...

Feliz Ano Novo pra todo mundo!