sexta-feira, dezembro 02, 2005

Bossa Nova

Lá fora chove. Torrencialmente. E eu queria tanto estar por lá. Pela chuva (vide 30/11/2004, nos arquivos).

Doeu, ah. E ainda dói. Nada que seja agudo ou intenso. Nada que seja um pouco além de um desconforto passageiro, ali naqueles segundos na escuridão do ônibus, ao escolher o bife do almoço, ao refletir distraidamente sobre as metas que não se cumpriram na cama, pela alta madrugada.

Mas dói, ah. E sangra, copiosamente. Por tudo aquilo que poderia ter sido. Se talvez eu não fosse tão orgulhoso. Se me contentasse com as fagulhas de luz, sem essa necessidade descaínte pela completude, pela intensidade. Talvez se não houvesse amor próprio, dificuldades, espaço para silêncio e solidões.

Que pecado esse de sentir tanto. Que vontade de chorar, de correr, repetir os caminhos repetindo as palavras e os erros e as incertezas e as esperas só para tentar no final do túnel tanta coisa tanta coisa tanta coisa iluminada a piscar igual estes pisca-piscas de Natal que encimam as janelas de classe média numa felicidade tão simples e ao mesmo tão complexa como essa dor que vem e volta e parece que não vai terminar nunca nunca nunca...

Nenhum comentário: