sábado, dezembro 24, 2005

2005.3 - O que reserva

Limites testados, liberdade conquistada. Agora é o difícil. Os filmes edificantes sobre "luta pela liberdade" sempre terminam no momento em que ela é conseguida. Todo desenrolar posterior, essas difíceis decisões sobre ficar no espeto ou cair na brasa: ninguém avisa, ninguém ensina, ninguém aconselha. Ser livre é terrível - não sobra ninguém para culpar se algo dá errado a não ser você.

Sempre falo na metáfora da leveza e do peso (do Insustentável Leveza do Ser), pois acho ela uma das formas mais brilhantes de se enxergar O grande dilema da vida. A leveza é insustentável. Por isto não se pode voar muito alto, por isto que temos que ser ligeiramente pessimistas, deixar os sonhos de lado, entrar um pouco na rotina emburrecedora - tudo isto para contrapor a liberdade irresistível que estou sentindo, só para não ser balão demais e voar e voar e voar e perder irreversivelmente o chão.

Sim, estou irresistivelmente livre. Perigosamente livre. Entrarei em 2006 testando os meus limites, colocando tudo o que conquistei e construi em risco só porque conquistei, enfim, minha liberdade moral. Mas sei, como sei, todos os becos escuros que se mostram quando se escolhe a liberdade. Todas as intempéries de quem escolhe tentar o alto-mar, deixando a mornidão confortável da praia.

Quem quiser me acompanhar, que se sinta à vontade.

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