quinta-feira, dezembro 15, 2005

2005.2 - O ano, propriamente dito

Nos últimos anos, pedi: um pouco de vida. Pedi algo além da irregularidade dos dias mornos, esta falta de aventura, este desperdício que é viver respirando, meio sem saber o por quê.

E, como numa benção, fui atendido.

Sim, 2005 foi um ano cheio de vida. E viver é muito perigoso. Ao escolhermos a Vida, estamos à mercê de todo tipo de coisa que ela pode nos oferecer. Foi um ano de altos e baixos, grandes alegrias e tristezas pungentes. Amei, fui amado. Traí e fui traído. Fui condenado e perdoado. Condenei e perdoei. Grandes sucessos e grandes fracassos.

Foi um ano de reencontros. Comigo, com a faculdade, com as pessoas que me cercam. De um afastamento inicial, para colocar ordem na grande zona que 2004 criou. E quando a bagunça estava arrumada, as reaproximações. Reforçando tudo aquilo que havia de forte e sincero. Só valorizamos na iminencia da perda - e forcei a quase-perda só para ver, tão material em minha frente, aquilo que era sólido e merecia ser cultivado.

Foi um ano de grandes vitórias. Sobreviver morando sozinho, a tranferência que só não se consumou por uma negligência estratégica, essa firmeza que minhas ações e falas tomaram. Essa coragem irresistível. Essa vontade de mudança que foi convertida em movimentos, em possibilidades, em pequenos riscos calculados.

Os amigos antigos, vão ficando igual vinhos: mais fortes e ao mesmo tempo, mais complexos. Os amigos novos vão virando antigos, vão conquistando confiança. Os amigos novíssimos, que se sintam à vontade de abrir a geladeira, sentar no sofá e trocar o canal. Esperem me encontrar da mesma forma, com as mesmas e habituais defesas - o grande desafio é driblá-las. E garanto que, para quem conseguir, a recompensa é grande.

Dos (dois) amores, tive as mais doces e dolorosas lições. Mas vieram, para iluminar um pouco estes quartos sombrios. Devagar, os sentimentos vão purificando e, com isso, fica-se o que havia de mais brilhante. Porque foram momentos brilhantes, que guardarei com todo carinho na minha gaveta de lembranças boas.

2006 promete ser difícil, em outros aspectos. Sinto que toda aquela confusão filosófica que sempre armou na minha cabeça foi resolvida. Sinto que os caminhos já foram escolhidos e delimitados e agora só falta colocar efetivamente tudo aquilo que planejei. Agora as questões são de ordem mais prática: a faculdade prenunciando o fim, as relações de amizade numa proximidade perigosa, os vários mundos concomitantes em que vivoem rota de colisão. Mas encaro todas as dificuldades com estímulo nunca visto, pois estou forte e sou forte e não existe obstáculo que não pode ser transposto.

Termino o ano mais realista, melhor, mais otimista. Repetindo as palavras do início do ano: "Talvez seja melhor permanecer, assim, nesse estado de felicidade simples, um otimismo verdadeiro, um desapego sincero, insone sem culpa, preguiçoso sem remédio, melancólico sem motivos, romântico inveterado". A todos que tiveram participação neste meu ano, meu sincero obrigado e o desejo que 2006 seja tão melhor que os outros anos.

E que chegue 2006!

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