sábado, novembro 26, 2005

O signo da morte

Hoje chovia, neblinava. O céu avermelhado mal conseguia indicar os caminhos. O campus estava anormalmente solitário e cada passo parecia ecoar nas paredes, nas árvores. Quase desesperei - e olha que conheço tão bem a inocuidade destes caminhos que nunca, ou quase nunca, tive medo.

Foi um dia regido sobre o símbolo da morte. Um acidente de carro de um conhecido estimado, colocando-o em coma com todas as incertezas que isso traz. Uma morte antiga, de uma ex-estudante da faculdade, que descobri num livro. Todos os capítulos de quem parte aos poucos, todas as horas do fim.

Não que tenha problema com estas coisas. Memento mori, como postei. Carpe diem, diziam os poetas. Mas o que pesa é essa solidão. O desperdício dos segundos com tantas coisas irrelevantes. Todos esses meandros para se chegar aonde se quer. A Urgência de viver.

Dói é essa preguiça de fazer alguma coisa relevante.

Dói é essa irresponsibilidade de viver a vida tão responsavelmente.

Dói é não abrir os caminhos na carne.

E acreditem: estou abrindo.

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