terça-feira, outubro 11, 2005

Recaída

Acho que passei por todos os tipos de sentimento na última semana por causa disso. Amei e odiei, sofri, quis bem e mal. Me vi dotado de toda capacidade de perdão e vingança. No final, acho que só reforçou o sentimento de final de festa, que é hora de desarmar as barracas e montar acampamento em outro lugar. A única coisa que eu senti num reencontro, por entre estes becos escuros da vida, foi um grande desconforto pela situação constrangedora que é o término de alguma coisa, ainda mais do jeito que foi. Mais nada.

Tão estranho tanto querer bem descambar nisto. Tanto sentimento se incendiar desta forma. Dói de uma forma que não consigo entender. Dói como um fracasso, um filho que não tive e morreu no parto. Dói como pedra nos rins, tiro no braço, unha encravada. Dói pensar que as pessoas despencam no espectro tão rapidamente, que perdemos o controle por conta de coisas tão bobas. Dói porque os caminhos da cidade continuam os mesmos. Dói essa incapacidade de incinerar todas as lembranças (pensou no "Brilho eterno"? Bingo!). Dói olhar para as mãos e perceber as cicatrizes. Dói lembrar que um pouco da inocência foi perdida e nada será mais como antes.

Até que no final de toda dor chega a Luz. Etérea, pelas frestas das janelas fechadas. Invadindo cada centímetro quadrado de solidão e poeira, como a primeira brisa que sopra numa cidade do litoral. Acho que já estou assim - só que, no momento, tudo o que quero e preciso é um pouco mais de silêncio...

Nenhum comentário: