terça-feira, outubro 25, 2005

Alguma coisa acontece...

Sampa é encantadora porque paradoxal. Sampa é encantadora por causa de sua beleza escondida, essa coisa tão contraste de doer a vista. São os prédios da mais fina arquitetura do início do século descaracterizados pelas pichações e cartazes. São os engravatados andando de Metrô. São os mendigos dormindo na porta ds grandes corporações. É ir à cracolândia para tomar chopp num bar de 60 anos. A Brasília e o Land Rover lado a lado no estacionamento do Copam. É o buteco com samba do lado do restaurante japonês. É esse caos louco de carros e motos e pessoas e bicicletas e ônibus e semáforos e todo mundo indo e vindo sem perguntar de onde vem tanto ir e vir. É a boate da moda ficar do lado das boates de prostituição. É ver tanta coisa grande num espaço tão pequeno. É almoçar num restaurante, do lado da biblioteca infantil e ganhar um cafezinho e uma camisinha de brinde. É a Benedita, nossa Mãe Preta, estar enterrada ao lado do Barão de Antonina no Cemitério da Consolação. É olhar fascinado pra tanta coisa interessante para ser garimpada, explorada, degustada, beijada, vivida, caminhada. É querer entrar nessa loucura esquizofrênica de peito aberto, pelo menos por um tempo, pelo menos para aprender a viver a mil por hora.

Sampa, te amo, ainda que feia e caótica, ainda que insegura e esquizofrênica, ainda que poluída e decadente, ainda que cara e distante, ainda que ilógica, instável e insensível.

Te amo.

Juro.

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