sexta-feira, setembro 02, 2005

Vento no litoral

Não esperava voltar para Guanxuma tão cedo. Deixara a casa tão bem trancada que foi difícil entrar por ali novamente. Guanxuma me esperava só no verão. Voltaria feliz e ensolarado, com o violão nas costas, para contar estrelas enquanto a maré não subia. Mas não deu. Não deu.

Deixei as malas à porta de casa e fui caminhar contra o mar, seguindo o indo e vindo das ondas. Praia deserta, completamente deserta. Mas é mais ou menos esta a inteção: para que eu possa curtir novamente as coisas pequenas. Admirar toda a beleza das areias cinzentas de Guanxuma, da água salobra e marrom, das raras conchas que vêm morrer sem destino por entre os meus dedos. O dia esta nublado, a brisa está fria e caminho até as pedras, quero chegar às pedras, subir nas pedras, só para ver o mar dali de cima, os barcos que lutam lá longe contra as ondas do mar.

Penso em pular nessa água ártica, álgida. Só para sentir um pouco mais vivo. Novamente. E nadar, nadar, nadar, até cansar e perder os sentidos. Arrastar-me até a areia, tão frágil e abandonado, salgado até o último fio de cabelo. E satisfeito. Muito satisfeito. E dormir por lá mesmo, na areia, enquanto a Lua não chega.

E sonhar que estou caçando cavalos marinhos, enquanto o vento vai levando tudo embora...

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