sexta-feira, setembro 09, 2005

Must like dogs

Tão estranho te ver de novo ali, querida, entre nós. Como se nada tivesse mudado, nós não estivéssemos crescendo, os adultos cobrando cada vez mais responsabilidades e eletrodomésticos, estarmos às portas da emancipação, do boa sorte e vai catar seu rumo.

Como você disse uma vez para mim, na carta mais linda que já recebi na vida, éramos os mesmos. Mas, ao mesmo tempo, estávamos tão diferentes. Percebi isto quando você me falou "e você estava tão seguro, tão confiante". Reverberou forte. Porque eu realmente estava seguro e confiante. E ainda estou, de uma forma diferente. Como se os meus passos fossem firmes e fortes. Como se, ao deparar com um desvio, não fosse tão difícil alterar a rota e tentar o retorno para o caminho inicial. Naquele sentimento de: e se der errado, é só começar de novo.

Lembra quando tudo parecia tão difícil? Os blogs tinham fundo preto e ficavam lamentando por uma vida que poderia ter sido. Tão Bandeira, tão tísicos. Achava toda aquela nossa melancolia tão bonita e romântica, aquela que aprendeste com a madrugada e eu fui apreendendo com o tempo. Nós éramos tão lindos e ninguém percebeu, essa é a verdade. E mudamos. E, apesar de toda beleza, prefiro acreditar que continuamos lindos porém diferentes, tão mais isto tudo que estamos virando, estamos crescendo (sim, no gerúndio mesmo, e daí?), estamos caminhando para um dia... puff! Vai saber.

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