sábado, agosto 06, 2005

Melhor e suficiente

Há muito tempo, eu tinha a preocupação obsessiva em ser o melhor. De mim, inconscientemente cobrava que fosse o primeiro da sala, o melhor amigo, o melhor namorado, o melhor filho. E, como sempre tive uma relação interessante de crime e castigo comigo mesmo, quando não conseguia, desabava.

Era como se eu estivesse em uma eterna competição com o mundo. Deveria sempre correr, manter-me à frente, custe o que custasse.

Até que eu entrei na faculdade e percebi que as coisas não funcionam exatamente desta forma. Foi aí que me dei conta que ninguém lá se importa muito com o que fazemos. E as pessoas que se importam, é de uma forma positiva - é para estar ali, dando apoio, segurando a mão em momentos de dificuldade e tomando uma cerveja para comemorar a vitória.

Resumindo, na passagem mais genial de Sunscreen: "The race is long and, in the end, it's only with yourself".

Percebi isso sem perceber, uma daquelas pequenas epifanias cotidianas que, de tão pequenas, mal notamos. Daí minha postura com o mundo mudou: comecei a querer andar mais devagar, apreciar mais a vista, contar as formigas e os ladrilhos da piscina.

Hoje, tento fazer o suficiente. Não que eu tenha me acomodado com a mediocridade do meio termo: mas a minha meta inicial (e principal) é atingir a suficiência. Estou me organizando de forma que meus passos não sejam lesivos, corrosivos ou pesados demais. Finalmente caiu a ficha que fazer o suficiente é o meu melhor. E se eu não consegui ser o melhor, fico tranquilo, pois sei que tentei fazer o suficiente.

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