quarta-feira, agosto 31, 2005

Fight test

"I thought I was smart
I thought I was right
I thought it better not to fight
I thought there was a virtue in always being cool"
(Fight Test - The Flaming Lips*)

Feriado. Tédio. Muitas coisas para fazer, pouco ânimo para. Três noites mal dormidas. Novas certezas, antigos medos, velhas batalhas. Falência financeira iminente. Conclusões, conclusões:
ser sempre bom está longe de ser uma virtude - eu só não sei outro jeito de ser.

E a vida continua, vai continuando, por incrível que pareça. Agora, tenho net rápida no meu apartamento. Tive a certeza que as pessoas que realmente gostam de mim e se importam com essa coisa que chamo de minha vida é num número superior que o esperado. E sou infinitamente capaz de resistir.

* também estou com saudades tuas, amigo. Bom te ter por aqui de volta

terça-feira, agosto 30, 2005

Saudade ( ou só ra não dizer que eu falei adeus)

Fazia muito, muito tempo que eu não escrevia alguma coisa para o blog, de modo que eu estava com medo de nem lembrar mais a senha do blogger, mas, como minha cabeça ainda não entrou em parafuso e como, mesmo contrariando algumas espectativas eu estou vivo, estou aqui para escrever um oi.

Digo oi por que faz tanto tempo que eu não escrevo que o blog está sendo uma atividade totalmemte nova pra mim que nesse período estive afastado daqui or conta de milhares de compromissos academicos assim como um bom tempo envolvido com o terceiro setor.

Infelizmente assim como eu tratei esse blog, isso é, deixando ele meio empoeirado, creio que assim fiz também com algumas amizades e que por mais que possa parecer o contrário, eu as estimo de maneria fora do comum...

Acho que mesmo depois de ter lido o " Pequeno Príncipe" três vezes eu fiu incapaz de aprender o significado da palavra cativar, e isso doí, muito, especialmente pra mim que me vejo como uma pessoa distante, quase fria, enquanto na verdade eu só não consigo demonstrar...

Gostaria de verdade que todos me perdoassem por ser esse amiguinho( companheiro) relapso, de ser essa criança incapaz de conciliar brincadeiras com todos os amigos ...

enfim...

sábado, agosto 27, 2005

Perfect strangers down the line

"We promised that we'd be
Perfect"

(Perfect - Smasinhg Pumpkins)

Um grande amigo meu uma vez me disse que talvez estejamos conhecendo as pessoas certas nos momentos errados. Talvez, se eu estivesse formado. Noutra cidade. Noutra sintonia. Noutra estação. Talvez ele esteja certo, o que não vem ao caso.

O que vem ao caso é que desta vez eu tentei. Não queria e até resisti inicialmente. Mas não deu. Certas coisas não se escolhem. Lá me vi novamente, naquela montanha-russa de sentimentos, aquela tortura e glória. Desta vez reloaded, sabendo até onde gostaria de pisar, por qual caminho seguir. Colhendo pequenas epifanias, como maçãs que caem duma árvore carregada. E foi tão bom. Sentir que não se é tão único assim, que caminhar junto é bom e redentor, essa coisa tão besta de completar as frases alheias, juntar músicas e cds, perceber todos os detalhes da íris, as variações de voz, os comportamentos freudianos.

Mas não se pode fugir da própria natureza. Talvez eu quisesse demais - desta vez, no entanto, soube aprender aquela difícil lição que o Pequeno Príncipe me ensinou: "não espere que uma pedra voe". Sacrifiquei parte dos meus princípios para não esperar aquilo que não me prometeram. Só que não deu.

Em certo ponto, esperava reciprocidade. Não sei explicar, assim estoicamente, o que eu esperava. Mas um feedback, que eu estava indo pelo caminho certo (ou pelo errado, para eu ter chance de me corrigir). Não sou bom em decifrar silêncios, como eu disse. Ficar do meu próprio lado, sem calor ou uma mão esperançosa, é insuportável. Sim, a minha matéria de salvação é quem está do lado de lá, é cada pessoa que me ajude a me encontrar, a me resolver, a botar um pouco de sentido na minha vida.

E quando eu estava deveras perdido e gritava por ajuda, disseram-me: se não houver reciprocidade, que mal tem? Você é lindo e encantador. Você só tem 20 anos. Você não precisa tentar abraçar o mundo. Você tem pernas fortes e se sustenta. Você é brilhante e tem um longo caminho pela frente. Só que eu, surdo e frágil, não entendi. Não quis entender. Como continuo não entendendo.

Porque não queria tudo isso. Só queria que desse certo, desta vez. Que aguardassem o tempo necessário para colocar as coisas no lugar, organizar essa bagunça toda que chamo de MINHA vida. Que também cedessem eventualmente e me dessem a impressão de movimento, um pouco de segurança para eu mesmo continuar me movimentando. Com o tempo, as coisas caminhariam para uma sintonia. Tenho certeza. Tinha certeza.

Hoje, não sei. Lá fora está nublado e não consigo ver estrela alguma. Estou na quinta lata de cerveja, sem saber o porquê de eu estar bebendo tanto, sozinho, na frente deste computador, escutando Perfect no modo repeat há uma hora. Pensando em todas as coisas, como diria Bandeira, que poderiam ter sido e não serão. Mas saio desta sem culpa, com a sensação de dever cumprido. Mais forte, ainda esperançoso. Porque deixei sangrar, depurar. Porque acreditei naquela teoria que somos infinitamente capazes de cicatrizar. Porque tentei, tentei, tentei. And the band plays on, no final das contas. Como disse, com a sensação de dever cumprido.

Ou melhor, quase. Quem sabe eu poderia iluminar alguns pontos cegos, ajudar a compreender certos movimentos inconscientes de auto-defesa. Ajudar a ir fundo na ferida, longe de todo Carnaval que se forma habitualmente na rotina. Só que deixa para lá. Não é nada que não surja daqui há algum tempo, em qualquer terça-feira chuvosa, com o mundo pesando todo nas costas. Quando se descobrir o peso torturante do silêncio e que a liberdade não é uma benção; é uma pesada condenação. Que dois é um número perigoso - mas pelo menos mais seguro que um.

Quanto a mim, fico do jeito que sempre fui. Otimista, por incrível que pareça. De volta ao Vinícius, às intempéries de quem decide viver. E quem sabe ali, num futuro entre o próximo e o distante, os caminhos não se cruzem novamente? Todas estas palavras não tenham sido em vão? Estranho seria se eu não tivesse me apaixonado por você, dizia aquele outro velho poeta que aprendi a gostar tanto. Mas, na atual conjuntura, hoje não; nem amanhã.

Já sanguei demais, até a penúltima gota. A última, deixo para mim. Só porque quero continuar e ver até onde esta zona chamada destino vai me levar. Depois dos copos de café (21/03/05 - só consultar os arquivos), cheguei aqui. E existe todo um mundo ensolarado lá fora. Não queria, não queria mesmo, que as coisas caminhassem assim. Mas já que caminharam, enfim. É ajeitar a vida de novo: e quem sabe, não pular de bungee-jump novamente?

But please, you know you're just like me
Next time I promise we'll be
Perfect
Perfect strangers down the line

quinta-feira, agosto 25, 2005

Caminho

Um caminho. É isso o que eu quero. Queria que o céu se abrisse e me dessem um caminho - não precisa nem ser um dos melhores, um mais ou menos fácil - tô aceitando qualquer um. Estou cansado desse limbo no futuro próximo, tantas dúvidas: andar de bicicleta ou tomar sorvete? Infecto ou Cardio? Ir ou ficar? Insistir ou desistir?

Só de pensar que não tenho a menor idéia de onde estarei nos próximos dois, três anos...

Entenda: não que eu esteja cansado de caminhar com as próprias pernas, escolher os próprios rumos. Mas esse processo está desgastante. Queria, sei lá, que as coisas se resolvessem um pouco mais passivamente, uma luz pelo menos delineando o destino.

Esse negócio de ser adulto é um saco.

segunda-feira, agosto 22, 2005

Sempre por um fio

O duro é não saber se o que nos prende é uma corda ou um fio de cabelo.

domingo, agosto 21, 2005

Desalento

Uma distração quase me custa a vaga da transferência da USP. Mas me custou 15 horas de ônibus, quase mil quilômetros rodados e cem reais de passagem em pouco mais de 48 horas.

O importante que deu tudo certo. Ou melhor, quase. A documentação foi toda entregue, etc, etc, etc. Mas existe uma prova, a última prova - mais extensa, mais difícil, menos tempo para dedicar. Pressão por todos os lados. Incerteza se "é mesmo o que eu quero fazer".

Só sei que essa série de pequenas dificuldades (somadas a outras de nível pessoal) acabaram me desanimando. Ainda estou atordoado com o grande volume de informações dos últimos três ou quatro dias. Meio carente, meio desacostumado com a rotina. Por isso me dei férias nesse final de semana - apesar da enorme lista de coisas da faculdade para fazer - e ficou tudo bem.

Até terminei de ler o novo Harry Potter. Vou ao teatro, coisa que eu não faço há séculos. Pretendendo sacudir as estruturas num futuro bem imediato.

E amanhã, segunda, só resta estudar. O último fôlego. O sprint final. E vamos ver no que isso vai dar...

sábado, agosto 20, 2005

Pela primeira vez tentei te esquecer.

Talvez por isso ontem bebi, também fumei. Sim, eu precisava fugir para longe, deixar de sentir as pontas dos dedos, só para ver se essa coisa toda pára de latejar, e de doer, e de sentir.

Mas não adiantou. Nunca adianta.

Eu estava tão patético e solitário, pela madrugada, na completa escuridão, com aquela brasa incandecente na mão. Tocava Radiohead e eu balbuciava algo parecido com "bulletproof, I wish I was". Queria sair ileso disso tudo. Sei lá, como se num estalar de dedos tudo pudesse voltar a ser o que era. Sem expectativas nem esperanças, naquela vida tão morna, morta, idiota, que eu estava chafurdado.

Mas é impossível. Tão impossível, eu sei.

E depois veio Vinícius, com todas aquelas verdades dolorosas. É uma agonia. Deixa sangrar. Sofrer junto. Mais um adeus. Cuidado com o seu resfriado...

... e eu só queria esquecer, esquecer, esquecer...

terça-feira, agosto 16, 2005

Roubado de um mail 2

Sabe, eu mudei. Mudei demais. Mas no fundo, lá no fundo, eu continuo com as mesmos defeitos, as mesmas tatuagens. Hoje eu tenho corte de cabelo moderninho, sei combinar roupas, consigo interagir minimamente com as pessoas, sou expansivo e até um pouco divertido, aprendi a beber e fumar, tenho auto-estima e um caminho traçado, um futuro delineado, com metas e objetivos claros e muitas pessoas leais para me apoiar, torcer por mim. Só que eu não consigo deixar de ser aquele menino Creep que eu era há uns seis, sete anos atrás. Isolado atrás de uma pilha de livros, que assistia Arquivo X todo domingo e desconhecia o que era o mundo por trás das janelas. Que comprava o lanche na cantina e ia para a biblioteca ler a Folha, todo dia, por falta de coisa melhor para se fazer. Que chorava sem saber o porquê. Que sobrevivia a base de "Fake Plastic Trees" e "Creep". Eu achei, sinceramente, que eu já havia matado este Gabriel. Achei que já havia superado toda a culpa por pecados contra os outros que cometi, achei que já tinha tanta força nos próprios punhos que poderia socar o que surgisse na minha frente. Achei que os dias de peso excessivo já haviam acabado e nunca mais me encontraria numa situação de desespero automático e sem motivo.

Mas a gente nunca deixa de ser completamente aquilo que já fomos um dia. E fui aprender, com o horóscopo (grandes contribuições de Caio Fernando Abreu,um autor ótimo), uma verdade. (Obs: Não que eu acredite piamente em horóscopo, mas é que fez sentido e eu achei que foi uma espécie de epifania). Sou Peixes, com ascendente em Virgem, com todas as implicações práticas disto: de Peixes, a insegurança; de Virgem, o perfeccionismo. Tudo,para mim, tem que estar sob meu controle, dentro do meu planejamento. E quando isto não acontece (e sempre acontece, pois a maioria das coisas caprichosamente escapam por entre os dedos), fico deste jeito que você conheceu: tão perdido, tão carente, tão achando que o mundo vai cair nas costas, tão confuso, tão míope, tão desesperado. Tenho uma necessidade de segurança, que me batam no ombro e me digam que está tudo bem - se isto não acontece, é porque algo está indo errado. Sou um péssimo intérprete de silêncios. E para mim, um perfeccionista, admitir que não tem o controle emcoisas cruciais, é um pecado digno de morte.

E porque passei tanto tempo sozinho, tenho muito medo de perder as pessoas. Principalmente aquelas pelas quais senti grande afinidade, que eu coloquei para o lado de dentro do círculo. Como não tenho religião, minha grande busca se foca nas pessoas. E você sabe que as pessoas são tão, mas tão difíceis. E me rebaixo, como não deveria. E me subestimo, como não deveria: raciocino como o velho Gabriel, pensando que sou tão desinteressante e sem graça, tão pálido e sem brilho, tão torto, tão incapaz e tão fora do mundo -trancado no próprio quarto, de onde nunca deveria ter saído...

quinta-feira, agosto 11, 2005

Shortcuts

* Quando os parafusos saem (pela enésima vez) do lugar, voltar às origens. Belle and Sebastian na veia, até o tempo melhorar.

* Tá na hora de interpretar menos os silêncios e ficar mais atento aos acasos que se repetem, assim, quando menos se espera.

* Quero um All-Star vermelho para atravessar a ruas pela madrugada, solitariamente...

terça-feira, agosto 09, 2005

Bingo!

"Você parece que tem muito medo de perder as pessoas, mas aquele medo de achar que um passo em falso é tudo culpa sua, sendo que todo mundo dá uns ou outros"

Pois é, querida. Ainda não eliminei todo o perfeccionismo. Mas juro que estou tentando.

sábado, agosto 06, 2005

Melhor e suficiente

Há muito tempo, eu tinha a preocupação obsessiva em ser o melhor. De mim, inconscientemente cobrava que fosse o primeiro da sala, o melhor amigo, o melhor namorado, o melhor filho. E, como sempre tive uma relação interessante de crime e castigo comigo mesmo, quando não conseguia, desabava.

Era como se eu estivesse em uma eterna competição com o mundo. Deveria sempre correr, manter-me à frente, custe o que custasse.

Até que eu entrei na faculdade e percebi que as coisas não funcionam exatamente desta forma. Foi aí que me dei conta que ninguém lá se importa muito com o que fazemos. E as pessoas que se importam, é de uma forma positiva - é para estar ali, dando apoio, segurando a mão em momentos de dificuldade e tomando uma cerveja para comemorar a vitória.

Resumindo, na passagem mais genial de Sunscreen: "The race is long and, in the end, it's only with yourself".

Percebi isso sem perceber, uma daquelas pequenas epifanias cotidianas que, de tão pequenas, mal notamos. Daí minha postura com o mundo mudou: comecei a querer andar mais devagar, apreciar mais a vista, contar as formigas e os ladrilhos da piscina.

Hoje, tento fazer o suficiente. Não que eu tenha me acomodado com a mediocridade do meio termo: mas a minha meta inicial (e principal) é atingir a suficiência. Estou me organizando de forma que meus passos não sejam lesivos, corrosivos ou pesados demais. Finalmente caiu a ficha que fazer o suficiente é o meu melhor. E se eu não consegui ser o melhor, fico tranquilo, pois sei que tentei fazer o suficiente.

terça-feira, agosto 02, 2005

Ah, eu estava meio doente e, por isso, acho que meio cético com o mundo. Passara o dia inteiro dentro de casa, com as narinas ardendo por conta de uma "infecção de vias aéreas superiores" qualquer. Talvez Mononucleose. Talvez.

Entrei no Champagnat com a velha Elba de guerra. Aquele Colégio é um dos lugares que é mais carregado de lembranças para mim. É um colégio antigo, vagamente lembrando aquele da Hilda Furacão. Completamente arborizado, uns bancos muito simpáticos, a melhor biblioteca da cidade. Foi ali que fiz o Pré, que já não existe mais. Minha antiga sala de aula, onde aprendi que os feijões também nascem em copos de café, virara qualquer coisa administrativa da prefeitura. Enfim. Mas os coqueiros que eu trepei, a enorme quadra que eu corri, e tropecei, e brinquei, e tive as primeiras frustrações da minha vida, continuavam todos ali. Sorri.

E depois tiveram outras lembranças. A biblioteca, como conheci e construi meu mundo: Robin Cook e a Medicina, Fernando Sabino e as primeiras revelações, Clarice Lispector e Cecília Meirelles, meu inventário de alma. Os livros do Projeto Nestlé. Os concursos, pregados no quadro. Aquela vitória e meus quinze minutos de fama.

Mas ontem, porque eu estava anormalmente cético, só lembrei dos ladrilhos. Pretos e brancos. Daquele dia, que chovia uma garoa fina suficiente para molhar a alma e insuficiente para abrir guarda chuva. Estávamos sentados num banco, naqueles bancos atemporais que desde a época dos frades deveriam estar por ali. Conversávamos coisas miúdas. Estávamos ali, como dois fugitivos, traçando planos. Não me perguntem quais, eles foram engolfados por tantas outras leituras, outras vivências, outras pessoas. Mas havia tanta esperança naquele banco, daquelas sinceras e pungentes, daquelas que são redentoras só por estarem acontecendo. E a sensação que a vida finalmente iria dar certo, sei lá, engatar a terceira marcha e sair finalmente cantando pneu, estourando de tanta felicidade reprimida e acumulada, como num grito de Carnaval.

Mas nada disso aconteceu. Com a mesma facilidade que foi construído, desabou. E nem aconteceu algo cataclísmico, Marte não ficou oposto ao Sol e nem eu cometi algum pecado capital. Assim, acabou. Vai passear amigo, eu te trai porque você não era o suficiente. Porque você morava longe, não tinha carro nem carta, nem era suficientemente encantador.

E a vida, como tinha que ser, continuou. E vai continuando, muito bem, obrigado.