segunda-feira, junho 20, 2005

Conhaque

"Estranho é gostar tanto do seu All Star azul"

Talvez fosse aquela Lua, aquele conhaque, o contexto daquele fondue e uma vida toda me esperando, expectante. Perspectivas reais e concretas. Quem me visse, não perceberia. Acho que nem eu percebi aquele momento de puro Drummond. Só sei que fiquei comovido como um diabo.

E nem senti. Dilui o conhaque na Coca-cola, para ir perdendo os sentidos sem sentir. Para o mundo real, de certa forma, fundir com todas as coisas que eu tinha na minha cabeça. Ficar mastigando aquele gosto bom de chocolate, coca-cola e conhaque na boca, enquanto a minha própria cabeça dava voltas e voltas.

Bebi o suficiente para postergar os efeitos para o dia seguinte. Acordei bem, com aquela sensação melancólica e convidativa do conhaque no sangue. E fui cuidar da minha vida. E fui escutar Nando Reis enquanto esperava a inspiração vir.

E parei. "All Star". E chorei, daquele jeito dos filmes que nunca havia acontecido comigo. Primeiro, os olhos marejaram ser perceber - depois, desceu lentamente, quente e salgado, pelas bochechas até sobrar na margem do queixo.

Mas foi bom. Do tipo de comoção boa, para dar nome naquilo que permanecia nebuloso, obscuro.

Uma pequena epifania.

E continuamos...

"Estranho é pensar que o bairro das Laranjeiras,
Satisfeito, sorri"
(All star - Nando Reis)

Um comentário:

Ecúmeno disse...

Adorei o texto =)