segunda-feira, maio 30, 2005

Acontece nos filmes, acontece na vida...

(6.30 am - domingo)

- Eu não queria te deixar em casa agora...
- Mas...
- ... está amanhecendo, eu sei.
(Silêncio)
- Pena que amanheceu tão rápido...

domingo, maio 29, 2005

Trouble

Desculpe-me por não ser infalível. Desculpe-me por ter minhas próprias limitações, algumas incoerências de caráter. Um terrível medo de dizer o não na hora correta. Mas não foi proposital, eu juro. Só que eu não pude ir aonde você gostaria que eu chegasse - e por isso lhe pedi perdão.

Não me importo em massacrar minha auto-estima para me desculpar quando percebo que fiz um grande mal. Por isso deixei de lado meu egoísmo filho da puta e fui lá, de peito aberto, pegar nas suas mãos geladas e dizer: desculpe mas não foi essa a intenção. Você ali, bela e intratável, enquanto eu tentava remediar uma situação por ora fora de controle.

E consegui. E foi bom e redentor. Reconheci minha parcela de culpa e bola para frente, da melhor forma que conseguirmos. Só não vou aceitar um masoquismo eterno de "enfiar o dedo na ferida". Tempestades em copos d'água. Bater na mesma tecla do meu erro. Daí, eu retiro minhas desculpas e prefiro que tudo fique da maneira que estava.

Fiz minha jogada e agora o turno é seu.

sábado, maio 21, 2005

Sobre bem e mal

Talvez o tema que mais me fascina é a eterna luta entre bem e o mal. Principalmente, o quão tênue a linha que separa os dois lados e como nós, eternos equilibristas, ultrapassamos e retrapassamos essa linha sem perceber.

Digo sempre que não gosto da dicotomia católica, que separa o mundo em céu e inferno. Preto e branco. Acredito que a vida é inteira em tons de cinza e dificilmente vamos encontrar uma situação que podemos encaixar num único espectro. Todas as ações são inconstantes e muito rapidamente podem se transformar: de essencialmente boas para essencialmente ruins. E vice-versa.

Pensei muito nisso enquanto via "Star Wars 3". Dados os devidos descontos, é sim um filme muito bom. Não existe o personagem essencialmente bom ou o essencialmente mau. Não existe ali uma única ação que não fosse dúbia. Até os Jedi cometem erros, fracassam, confiam nas pessoas erradas - mesmo com a preocupação constante nem se aproximar do lado sombrio da força.

Por causa dessas coisas, já desisti de ser bom - exatamente porque a bondade não é absoluta. Tento sim, permanecer mais do lado bom da linha que o outro. Mas aprendi a aceitar com muita tranquilidade o fato que, certas vezes, para o retorno da luz é necessário caminhar na completa escuridão...

quarta-feira, maio 18, 2005

Presunto Parma

Eu estava à toa no Centro - por isso resolvi andar um quilômetro e pouco para ir ao cinema. Mesmo sozinho. Algo relembrando os velhos velhos tempos, cinema solitário, tela enorme, coisas a pensar. Filme bom: "Maria Cheia de Graça", latino, terrível de se ver por nossas semelhanças culturais e econômicas.

Daí fui comer um último sanduíche de presunto parma, ali no Carrefour, minha janta antes de voltar para casa. E não sei se foi o cinema, se foi o sanduíche, se foi uma nostalgia aguda que me abateu, se foi o dia anormalmente nublado em plena Uberlândia. E me lembrei de você.

Mas não de você atual. Do que você era - do que costumávamos ser.

Por muito tempo achei que seríamos amigos próximos para sempre. De confissões e risadas. Daqueles que a amizade prosseguiria além da formatura, nossos filhos ficariam tão próximos quanto primos. E ainda que o destino nos levasse a lugares distantes e inóspitos, quando nos encontrássemos, seria como nada tivesse acontecido. Continuaríamos a planejar viagens loucas que dificilmente se concretizariam, filosofando sobre nossa eterna condição de perdidos pelo mundo...

Só que as coisas mudaram. Rapidamente, e não consegui acompanhar o passo. Agora percebo que certas coisas - essa, você, nós - são irreversíveis. Por mais que queiramos, não voltam. Ainda que eu me esforce e fique insistemente acendendo a fagulha, uma hora as mãos falham. A gente cansa. E eu me puno por ter cansado. E eu me lamento por toda mudança que nos aconteceu.

Queria que você soubesse que não é preciso se neutralizar para atingir qualquer objetivo. Queria que você percebesse o tanto que você acabou se afastando de muitas coisas que há tão pouco tempo eram essenciais. Queria que você entreolhasse, para perceber o que sobrou. Queria que você refletisse sobre a decepção que vem causado a tantas pessoas que lhe querem bem.

Por causa disso tudo fiquei ali, triste com meu sanduíche, cantarolando "Wish you were here". Para mim, essa é a música mais triste do mundo. E pensando fixamente em você. Querendo você por perto, aqui, ao alcance dos dedos. Como antes. Como sempre fora.

Talvez as coisas pudessem ser diferentes. Se não fosse essa falta de coragem crônica, essa incapacidade de gritar para os amigos nos momentos de socorro, a incapacidade em visualizar os próprios defeitos e idenficar os pontos de não-retorno. Somos irritantemente imperfeitos, essa é a verdade...

Mas isso não me impede de querer os dias ensolarados de sorvetes e morangos e sanduíches de presunto parma de volta, sem essas cerimônias cotidianas restritas a intervalos curtíssimos de tempo...

terça-feira, maio 17, 2005

RETORNO

Depois de mais de dois meses longe de Franca eu voltarei para o lugar que eu chamo de lar...
Saudade!!!
Franca e Ribeirão Preto 22-29/05
Mesmo sendo ruim, vai ser bom!

domingo, maio 15, 2005

Enjoy the silence

Devidamente instalado no apê, após duas semanas, já consigo fazer um balanço inicial dessa minha nova experiêmcoia. A primeira semana foi difícil: era eu, meu chuveiro, as luzes e minha cama. Mais nada. A geladeira estava pifada, nada de móveis, nada de comida. Felizmente, essa semana foi uma semana particularmente pesada - daquelas que você chega nove da noite, toma um belo banho e despenca na cama de cansaço. Nesse meio tempo, consegui perder a chave do apartamento por 36 horas e foi uma experiência extremamente traumática que não recomendo para ninguém. Mas enfim, entre mortos e feridos todos se saíram bem.

Quando estava prestes a derreter de tédio naquela solidão sem fim, meus pais chegaram. Passaram o final de semana passado inteiro por aqui e deram aquele toque familiar que só mãe e pai sabem dar. Minha mãe fez aquela faxina monstro e equipou a casa com todas aquelas coisas essenciais que eu nem deesconfiaria que são necessárias. Meu pai acertou as instalações elétricas, trocou móveis de lugar. E eu fiquei ali observando um moquifo ser transformado em apartamento.

Sim, aquilo virou um apartamento. Tem decoração básica, TV e mesa, as roupas arrumadas num canto enquanto o armário não vem. Existe ordem. Existe cara. Tá tão lindo...

Daí, na segunda semana, foi uma luta particular para manter as coisas em ordem. Tenho até conseguido, com muito custo e empenho. Não desconfiava que manter um espaço desse tanto trabalho...

Mas estou feliz e satisfeito. Morar sozinho não é pior nem melhor - é apenas diferente. Tem pontos positivos e negativos como tudo nessa vida. É estranho na early night, ali pelo horário da novela das sete, aquela solidão toda. Daí ligo o DVD, uma boa música e fica tudo bem.

Mas o silêncio, todo aquele silêncio habitual, é tão reconfortante...

terça-feira, maio 10, 2005

Lost

Sim, eu perco coisas. Já perdi tudo na vida: de guarda-chuvas a moletons, de livros a jalecos em sala de aula, de cobertores a toalhas. Canetas Bic não duram três horas nas minhas mãos. Meu molho de chaves, meu celular, já perdi infinitas vezes até encontrá-los, esbaforido, quase já apelando para São Longuinho.

Tenho infinitas teorias para isso, a maioria me eximindo da culpa. Mas o fato é que sou um perdedor crônico e desculpas não me bastam mais. Acabei por aceitar isso como parte da minha natureza. Daquelas coisas que fiquei na insistente tentativa de mudar e todas elas tiveram o mesmo desfecho fracassado.

Cansei. Cansei disso, junto com outras milhares de outras coisas. Agora, estou em uma fase de aceitar minhas deficiências pacificamente. Cansei de buscar a infalibilidade. Se não dá, depois de muita insistênciae esforço, que seja assim.

Prossigo, bambo e torto, buscando outras saídas...

quinta-feira, maio 05, 2005

Teoria e Prática

“Lógico que eu acho que tenha que existir os pobres. Sem eles quem iria lavar as minhas roupas e limpar o banheiro.”

C.S.S., uma sábia.

Verdade é que eu sempre tive pensamentos igualitários quase marxistas. Não vou negar também que já sonhei em um mundo igualitário, bonito onde as pessoas fossem felizes. Já pensei nessa sociedade de utopia. Já pensei num mundo onde todos tivessem acesso igual a maioria dos recursos. A grande verdade é que isso é impossível.

Sem a desigualdade é impossível manter o nosso feliz nível de vida. Gostamos alias, tanto de nosso modo de vida que estudamos não com o intuito de trabalhar em prol de uma sociedade mais justa, estudamos para ocupar uma vaga de alguém no mercado de trabalho, vamos deixar esse negócio de trabalho voluntário para socialites como a Loyola e afins, pessoas que tem capital e tempo disponível. Perdão pelo pensamento, mas, realmente eu gostaria de ter algum trabalhando para lavar as minhas meias e passar a roupa por um preço de trabalho irrisório que perpetuasse a seu estado social assim como o dos seus filhos, que não poderão estudar e nunca nem sonharam numa possibilidade real de ascensão social.

Os únicos que realmente são marxistas são aqueles que por sorte conseguiram ser educados dentro de um mundo proletário. Os outros , se preocupam na reprodução de um sistema capitalista e exploratório, acredito que eu, por não querer perder qualidade de vida ( não adianta, temos interesses , eu não gostaria de ter que dividir esse computador, não acho legal trabalhar num serviço que não garantisse uma vida melhor que a de muita gente ). Esse é um dos motivos pelo qual eu odeio pseudo-marxistas que usam Ellus, Opera Rock, Diesel, Gucci e aqueles bonés Von alguma coisa ( coisa tosca e feia que eu não entendo por que é tão caro, boné de propaganda política e mais bonito), e que desejam uma sociedade mais igualitária , onde as pessoas tenham todas o direito de possuir um i-pod e comer salmão pelo menos uma vez por semana. Quem são esses burguesinhos para entenderem alguma coisa de coisa alguma?

Que todo mundo se foda!

terça-feira, maio 03, 2005

O pouco que sobrou

"Eu cansei de ser assim
Não posso mais levar
Se tudo é tão ruim
por onde eu devo ir?
A vida vai seguir
Ninguém vai reparar
Aqui neste lugar
eu acho que acabou
Mas eu vou cantar pra não cair
fingindo ser alguém
que vive assim de bem
Eu não sei por onde foi
Só resta eu me entregar
Cansei de procurar
o pouco que sobrou"
(O pouco que sobrou - Los Hermanos)

segunda-feira, maio 02, 2005

Mudança - last cut

Mudança finalizada - inclusive a geladeira carregada por muitos lances de degraus - ficam as últimas reflexões. Sim, toda mudança é um processo muito filosófico. O fato de você ter que fazer uma seleção daquilo que fica, daquilo que vai embora. Como organizar os pequenos pertences e, principalmente, o que de não-essencial você vai carregar junto com você.

Mudei sim. Sem remorsos, sem saudades. Não sei se será melhor: todos nós conhecemos o inferno que é conviver unicamente consigo mesmo. Mas tenho esperança e necessidade de algo menor, melhor, mais íntimo.

E se não der certo, a gente paga a língua e volta atrás em tudo o que falou anteriormente.

Ando tão desorgulhoso ultimamente...