segunda-feira, março 07, 2005

#1 e meio/2 - Horas depois

Foi quando a noite caiu e eu fiquei solitariamente em casa, depois de dias tão ensolarados, que o coração paralisou em uma só batida, irradiando da garganta à ponta dos dedos. Caminhei pela casa, procurando algo para me ocupar: mas a televisão estava por demais entediante, o livro complexo demais, nenhuma ocorrência relevante a ser resolvida.

O fato era que eu deveria ter me mantido fiel ao pacto por mim mesmo proposto: não se envolver. Não jogar certas coisas para o futuro. Não planificar em cima do instável, das promessas, das ilusões. Mas, quão tolo eu fui, tentando legislar estas coisas que estão acima de nosso controle.

Observo a imobilidade das coisas a minha volta, a penumbra, o barulho enfadonho as pás do ventilador com uma ternura inacreditável. Quase terrível. Imerso na expectativa de um telefonema que não sei se acontecerá. Um sorriso no escuro. Um perfume diluído. Pequenas tragédias cotidianas, pequenos desencontros.

Daí, quando quase estou morto, fecho os olhos e relembro das coisas boas. O inventário dos pontos positivos. Da grande oportunidade de renovação e a certeza que eu, tropegamente, ainda continuo sendo deliciosamente quase da mesma forma que eu sempre fui.

E que eu também sou apaixonante.

E fico bem.

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