sábado, fevereiro 12, 2005

Para ser minha namorada

Para ser minha namorada, é preciso primeiro, que seja bela. Mas não a beleza nórdica, das medidas estreitas das grandes top models. É preciso uma beleza escondida e secreta, que só consegue ser percebida quando observada bem de perto, com muita atenção.

Para ser minha namorada, é preciso ter um bocado de melancolia, outro bocado de saudosismo, mas que não descambe para depressão. É preciso que ela saiba ser triste, quando assim desejar. Alguma coisa de bossa nova, aquela coisa de filme antigo, tipo Audrey Hepburn, que se perdeu com o tempo.

Para ser minha namorada, tem que gostar de nonsense. Buscar o humor na contramão da vida. Tem que gostar de humor negro, fazer piada de si própria, de mim, de todos. É preciso saber ser irônica, gostar de alguns mal feitos e eventualmente bagunçar uns coretos.

Para ser minha namorada, é preciso ter bom gosto. Mas que necessariamente não seja semelhante ao MEU gosto. Necessário mesmo é que ela tenha capacidade suficiente para me convencer. Obviamente, algumas coisas são inegociáveis: religião (ou falta de), time de futebol e (o péssimo nível do) Teste de Fidelidade do João Kléber.

Para ser minha namorada, não se pode ter medo de buteco. Nem peço que beba (logicamente, só de beber uma cerveja comigo já se ganham muitos pontos). Mas é essencial que respeite a sacra instituição do bar, que entenda que é preciso freqüentar o bar com os velhos amigos, independente da presença dela. E que vou continuar amando-a, respeitando-a, apaixonadamente e da mesma forma, entre pingas e cervejas.

Para ser minha namorada, é essencial que goste dos meus amigos como eles são. Não gostou, o azar é todo dela. Porque se ela colocar um: são eles ou eu, querida: sinto muito mas adeus.

Para ser minha namorada, também é preciso ser eventualmente fútil. Saber falar do Big Brother, bobagens sexuais, discussões infundadas, fofocar sobre vida alheia, horóscopo, tédio cotidiano, I Ching. Intelectualização demais também enche o saco.

Para ser minha namorada, finalmente, é preciso que me complete de uma maneira inesperada. É preciso que me ame, apesar de mim. E se ela for mais ou menos dessa forma, já está de bom tamanho.

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