quarta-feira, janeiro 19, 2005

Satélite

(Para Maria Anita e Éria)

Fim de tarde.
No céu plúmbeo
A Lua baça
Paira
Muito cosmograficamente
Satélite.

Desmetaforizada
Desmitificada
Despojada do velho segredo da melancolia,
Não é agora o golfão de cismas,
O astro dos loucos e dos enamorados,
Mas tão-somente
Satélite.

Ah Lua deste fim de tarde
Demissionária de aspirações românticas,
Sem show para as disponibilidades sentimentais!

Fatigado de mais-valia
Gosto de ti assim:
Coisa em si,
- Satélite.

(Manuel Bandeira)

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