domingo, dezembro 12, 2004

Post conjunto

"Custa caro não morrer, honey. Morrer também. Viver não menos. "
(Caio Fernando Abreu)

Tudo em nós parece tão complexo. Viver é quase um sacrifício e um milagre. Cada estertor, cada bulha que arrebenta no coração. Cada célula que se divide, arriscando cair na tentação de uma vida própria. Cada vaso que se rompe, ameaçando toda nossa hemostasia. Somos frágeis, tão frágeis. Mal sabemos nos defender os perigos do mundo. É a epiderme que nos separa de todos os perigos, um bocado de ossos: mais nada. Mais nada. Viver é um completo desprotegimento.

Mas morrer também não deve ser fácil. Botar toda a maquinaria abaixo, estática, silenciosa, custa muito trabalho. Embora seja instantâneo e indolor, difícil é ir dizendo adeus à vida diariamente. Cada segundo é menos um. Aquela certeza da finitude é violenta e destruidora. Não há consolo para a idéia que ao atravessar de uma rua, ao encontro furtivo com um Staphyloccocus meticilino-resistente, um caminho errado que se escolha, puff. Foi-se. Sem chace de protesto ou apelação.

Penso, penso mesmo, que o mundo anda tão complicado. Que é tudo de uma dificuldade tão desanimante. Por isso caminho (e caminhamos), a passos lentos e pesados, pesarosos e cansados: ah, porque não existe alguma fórmula de simplificação imediata?

Post conjunto com o Sete Faces

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