domingo, outubro 31, 2004

depois de um mês de Brasília...

Descobri que eu tenho um sotaque muito carregado. Foi triste, o povo falava que o meu sotaque era neutro... AFF.
Sobre Brasília só posso dizer que lá não tem esquinas, e isso é difícil de imaginar, mas, se vc for lá um dia vai entender o que as pessoas que te falaram isso quiseram te dizer.
Uma coisa estranha de Brasília é que o povo não costuma andar a pé depois das 9:30, e isso assusta.
E ainda penso: “Será que eu vou conseguir concluir o curso?”
Talvez eu vá para o Peru de mochila no recesso de natal (18/12 – 2/01/2005), se eu for vai ser muito legal.
Quem sabe eu não vá para Pirinópolis(?) dia 15 pra relaxar?!
Eu tenho medo do Paulo Octávio.
Moro na SQN 416 Bloco H Ap. 101
Eletrodomésticos fazem falta, principalmente geladeira(já temos , mas ficamos 2 semanas sem), chuveiro(queimou), e maquina de lavar roupa (ninguém merece tanquinho pra lavar meias encardidas de terra ao som de “Ierê Ierê ... Lava roupa todo dia, que agonia”)
Lanches de procedência duvidosa são tão gostosos!
Deus abençoe a Dani, a Pri, a Éria e o povo legal da minha sala... sem eles minha vida seria um tédio por lá!
Atravessar o Eixão correndo (de seg a sexta) é muito divertido.

To precisando de um carro por lá, aceito doações em dinheiro também para a minha permanência...

quarta-feira, outubro 27, 2004

Post conjunto

"Regrets, I've had a few;
But then again, too few to mention"
(My Way - Frank Sinatra)

É véspera de Ano Novo, em algum ano perdido na década de 50. Estou vestido em um smoking elegante, gravata borboleta apertada, cabelo bem aprumado. Vejo-me em um salão amplo, chão de mármore, mesa quilométrica, lustre de cristal encimando o teto. Em minha mão, uma taça de champagne - caro, cristalino, borbulhante, francês. A banda toca um jazz frenético. Todos estão aparentemente felizes, conversam animadamente sobre o futuro e as promessas de um novo ano que se aproxima.

Mas estou melancólico e me encaminho, à passos lentos e arrastados, para a sacada. É noite aberta, o céu mostra todas as suas estrelas, é Lua cheia. A banda começa a tocar Frank Sinatra e o saxofone acompanha também a minha melancolia.

Acendo um cigarro e observo o desenho etéreo que a fumaça compõe, pensando na vida e nas coisas que poderia ter feito, nas coisas que fiz. Lembrei meus amores profanos e platônicos, nas palavras inconclusas e impertinentes, nos carinhos que me privei e ofereci sem preço algum. Lembrei das mentiras que conto e tornaram insustentáveis demais, na falsidade de meu sorriso permanente e imóvel, do silêncio absoluto que me imponho por auto-proteção.

Lá dentro, as pessoas iniciam a contagem regressiva - mas não consigo me mover inicialmente. Jogo o cigarro pela sacada e volto para dentro, tão pesado com meus arrependimentos. Agora, as pessoas confraternizam-se, brindam outro novo ano de esperanças. Solicito ao garçom próximo uma dose de whiskey, que tomo num gole só.

Quando abro os olhos, deparo-me com a silhueta de uma loira fatal estonteante, colar de diamantes no pescoço, vestido branco esvoaçante e taça de champagne na mão. Sorri para mim, despreocupadamente. E no meio daquele turbilhão, confetes, jazz, escuto palavras de uma ternura tão grande, irresistível, quase insuportável.

Happy New Year, disse ela.

E como liberto, como purificado e perdoado, como impulsionado por um sentimento irracional de esperança, sorri.

Happy New Year, disse eu.

Post conjunto com o Sete Faces.

domingo, outubro 24, 2004

Que Saudade

Eu sei que ando muito sumido do blog , mas é que sem computador aqui em Brasília é muito complicado , mesmo!To com muita saudade de postar e de ler os comentarios que respondiam pra mim ...Quando eu tiver um pc comigo eu juro que postarei ...até...

sexta-feira, outubro 22, 2004

Noite aberta

... pois já me afastei do alcance da arrebentação, só para eu dormir embalado pelo solitário carinho que a noite proporciona ...

... pois já até me conformei com a insustentabilidade das coisas, porque as estrelas sempre partem sem mesmo pedir perdão...

... pois agora sinto-me acalentado pelo silêncio absurdo das altas horas, o barulho dos passos que fazem ecos pelas ruas desertas ...

... os passos que me afastam e me trazem a você, na eterna volubilidade das nuvens que revelam e ocultam a Lua ...

... e o leve toque da brisa que aproxima anunciando o verão ...

... as pupilas enfim descansando concentradas dentro de tanta escuridão, ocultando olheiras cultivadas por anos, anos, anos ...

... mas o dia insiste em nascer, o dia insiste em nascer*.

* Todo carnaval tem seu fim - Los Hermanos


quarta-feira, outubro 20, 2004

Post conjunto

"We've got the dreamer's disease"
(New Radicals)

Vai, quem mandou ter ilusões? Quem mandou acreditar no futuro? Quem mandou pensar que, só porque houve uma mera sinalização de possibilidade, o fato iria se consumar?

Quem mandou acreditar nos outros? Partir do princípio que todo ser humano é bom e merecedor de confiança?

Fique aí mesmo, desenhando seus castelos de cartas alheio ao mundo que lhe cerca. Contando com o ovo que a galinha não botou.

Vai brincar de Policarpo Quaresma ou Quincas Borba para ver aonde você vai chegar.

Inocência não redime porra nenhuma.

De boas intenções o inferno já está cheio.

Desce das nuvens, baby, porque o ônibus da realidade está prestes a partir.

Post conjunto com o Sete Faces

domingo, outubro 17, 2004

Contas e teoremas

Do meu breve e incompleto conhecimento matemático, aprendi que se deve dividir complexos problemas em problemas mais simples. Para superar grandes dificuldades, é melhor ir tirando lascas, procurando padrões, em doses homeopáticas. Sei que não é a saída mais confortável, muito menos ideal: mas tenho a consciência que não sou um gênio e minha restrita mente só consegue resolver um problema simples de cada vez.

Assim tenho feito, nos últimos dois anos. Em um difícil malabarismo, fiz um tremendo esforço para instaurar em mim uma forma simplista de ver as dificuldades. Ir isolando as variáveis dos meus problemas, apesar das eventuais perdas no decorrer do caminho. O exercício do desapego, do sacrifício, da escolha das ferramentas necessárias para um sucesso futuro, ainda que com prejuízo no momento presente.

Até que consegui, com muita paciência e esforço individual, resumir toda equação em uma única variável. Minha possibilidade de salvação foi colocada na dependência de um único fator, de uma única opção restritiva. Um evento matematicamente cruel e binário, aonde existem apenas dois cenários possíveis: sim e não.

Deveria eu já estar feliz por ter alcançado o resumo supremo do meu problema. Como se estivesse a um passo da resolução de um importante teorema. Mas, muito pelo contrário, tenho medo. Tenho medo da possibilidade do fracasso, derrubando por terra muitos meses de esforço solitário. Tenho medo da possibilidade do sucesso e todas conseqüências subsequentes, abandonando as muletas que me eram tão necessárias, para ensaiar alguns primeiros passos por minha própria conta e risco.

Perdas e ganhos são aterrorizantes. Quereria permanecer no velho e confortável status quo, longe de minhas proezas e tentativas matemáticas. Mas é preciso prosseguir. A grande vantagem dos números é que eles falam por si mesmo, transparentes e irredutíveis. Assim desejo que sejam os fatos de minha vida: submetidos a um positivismo feroz, para eu poder seguir por onde escolher sem os arrependimentos que sempre me acompanharam...

sexta-feira, outubro 15, 2004

Sexta-feira

"I don't care if Monday's blue
Tuesday's grey and Wednesday too
Thursday I don't care about you
it's Friday I'm in love"
(The Cure)

Todas as coisas repentinamente soaram irrelevantes ou bobas. Ou simplesmente suportáveis. Ou simplesmente descartáveis, passageiras, leves, silenciosas, secretas, ausentes, enfim.

Nem me importei se essa foi a semana acadêmica mais desastrosa da faculdade. Que virei a madrugada estudando, com direito a banho ao amanhecer. Que as provas foram difíceis mesmo e eu estava sem saco para estudar. Que o orientador resolveu me fazer de escravo branco. Que a reunião do PET foi pesada e bem além dos horários habituais. Que tinha seminário para apresentar, que a transparência não deu certo, que o Lattes não colabora, que o CAE está aí, batendo na porta.

Nem me importei que mesmo as pessoas também decepcionam. Nem ligam. Nem perguntam. Só trocam meros sorrisos ou cumprimentos.

Nem me importei com as noites insones, o sono atrasado, o filme ruim. A saudade que aperta, a curiosidade que acende e muitas coisas importantes que deixei de fazer por falta de tempo.

Não que algo tão concreto tenha acontecido. Mas são as possibilidades, finalmente, que me embriagam, empolgam, trazem um significado todo especial para a sexta-feira que aproxima e passa preguiçosamente. Essa sexta-feira tem sabor de libertação, de vitória conquistada, de um futuro pouco menos solitário.

É dia de sorrir e sorrir, mesmo que ninguém entenda os motivos.

Hoje é sexta-feira e só isso mesmo que importa.



quarta-feira, outubro 13, 2004

Post conjunto

''Mas é preciso saber se lá fora faz dia ou noite"
(Fernando Sabino)

Porque não se conformar com o pouco? Porque não ignorar algumas minúcias desnecessárias da vida? Porque a insistente e presente vontade de explicar todas as coisas, botanicamente, empiricamente?

As palavras estragam tudo, tudo. Sempre as tais explicações. Reza a lenda que as pessoas sentem-se mais felizes quando sabem o que estão fazendo, para onde estão indo. O fato que isso não deveria ser uma lei eterna e irrevogável. É preciso dar uma chance ao acaso, para as flutuações do humor, para os estranhos caminhos que enfiamos sem alguma razão lógica.

Por alguns momentos nessa vida, por que não viver por viver? Somente? Esquecer as forças gravitacionais que nos atam tão firmemente ao chão, que acabam por nos impedir de olhar um cadinho que seja por trás da cerca. Sei lá, só por alguns segundos, para não contrariar os partidários totalitários do positivismo.

Ultimamente, ando levando a vida a sério demais. Esqueço o mais importante: que nem sairei vivo dela mesmo...

Post conjunto com o Sete Faces

segunda-feira, outubro 11, 2004

Fernando Sabino

Para quem não sabe, este blog leva o nome de uma novela do Fernando Sabino - excelente, diga-se de passagem.

O Brasil perdeu, hoje, um grande escritor. Deixou-nos um pouco mais órfãos, já que estamos perdemos tantos grandes autores sem que outros novos apareçam.

Sei que você já estava cansado, Fernando, mas você nunca que podia ter morrido. Você deveria ser proibido de morrer

Mande lembranças minhas à Clarice.

sábado, outubro 09, 2004

Post conjunto

"We tried
But there was nothing
We could do
Nothing we could do"
(Radiohead)

Queria eu ter todo o poder do mundo para superar os fracassos. Os deslizes. As falhas que engenhosamente tentamos esconder e acabam por escapar por entre os dedos.

Queria ter coragem de admiti-los, todos, em público. Confessar meus pecados, talvez uma das formas mais sutis de libertação. Queria ter fibra para aguentar todas as conseqüências decorrentes das minhas escolhas e caminhos, de peito aberto e certeza irredutível.

Mas eu sou covarde. Tão covarde. Sou o rei da mea culpa. Meu caminho preferencial é a tangente. Evito as colisões frontais, os debates de idéias, as discussões acaloradas. Eu me escondo e protejo, demasiadamente. Eu minto, omito, engano. Repito frases que não acredito, cumprimento pessoas que não suporto. Só porque não consigo encarar o Sol de frente.

Por isso, repouso confortavelmente dentro de minhas limitações e defeitos e displicentemente digo a mim mesmo: pois é, não há nada mesmo que eu poderia ter feito.

Post conjunto com o Sete Faces

terça-feira, outubro 05, 2004

O paradoxo da libertação

E agora, que fui condenado à liberdade, o que fazer de mim?
Eu, que sempre tive medo de viver?
Eu, tão acostumado com minhas limitações e fraquezas?
Eu, tão escondido dentro dos protocolos da vida cotidiana?
Eu, tão habituado com o peso das minhas correntes...

O que fazer quando tenho a oportunidade de me libertar?
O que fazer, quando escuto um primeiro suspiro de salvação?

Tenho medo, tenho medo, tenho medo medo medo medo

Para onde correr agora?

domingo, outubro 03, 2004

A Dani é muito gente boa...

Conheci a Dani , e ela merece um \o/
A Pri também é supimpa, e como diziam os comentáros , é gostosa pra C******

Conheci um monte de gente e não daria para falar de todo mundo

Mas a tratante da Éria foge de mim ...

PS: Perdão Éria, mas perdi o seu telefone , tem como vc me mandar ele dinovo ...(desculpa)

(AFF)
...

Estou vivo

Não estou com muito tempo , mas posso dizer que eu estou bem na medida do possível.
Faculdade é uma coisa estranha e só isso!
Sinto falta do blog, logo logo algum dia desses eu volto a escrever com frequencia.
Onde estao as minhas 1500 mp3 nesse momento de criação de post?
Cadê um carro para eu dirigir sem rumo?
Ah , faltam muitas coisas ainda, não posso reclamar não.
...