terça-feira, agosto 31, 2004

Post Conjunto

"Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra"
(Antoine de Saint Exupéry)

Despedir-me (ou desistir) de alguém, para mim, é uma tarefa dificílima: sei que cada pessoa é, de certa forma, insubstituível. Sei que cada um oferece um mar de particularidades, muitas que nem desconfiamos. Quando elas partem, deixam um gosto metálico na boca, de tudo isso que poderia ser visto e não foi.

As pessoas tem similaridades, sim. São semelhantes, mas nunca iguais. São como as zebras da savana e seus irrepetíveis padrões de listras.

Por isso tenho medo de palavras rudes, entrecortadas. Tenho medo de perder toda essa capacidade de surpresa, esse virar de páginas que as pessoas especiais nos proporcionam quando o convívio se estende além dos bons dias cotidianos, discussão sobre chuvas e futebol, a matéria de Patologia da próxima prova.

Por isso tenho paciência e perseverança, em esperar uma epifania quando há a iminência de uma. Toda e cada epifania é única, é um parto difícil que se assiste e, na hora exata, acontece. E quando acontece, é preciso reconhecer, parabenizar: nenhum parto é fácil ou isento de conseqüências futuras.

Por isso que tenho esperança no presente, no futuro. Porque quando compartilhamos nossa eterna solidão, ficamos mais reconfortados. E é isso que me mantém vivo, atento. É a impressão que toda essa solidão que nos envolve e aflige é relativa, é passageira, vai passar.

Mesmo sabendo que sempre um dia as pessoas partem e o que elas arrancam de nós nessa partida também é insubstituível...

Post conjunto com o Sete Faces

domingo, agosto 29, 2004

Carta a um companheiro grevista

O que você precisa enteder Companheiro, é que acabou. Se a Rússia que era a Rússia capitulou, apesar de 80 anos de luta socialista, entregando-se às ferozes forças de mercado com uma maçã na boca, imagine o nosso alegre país corrupto, aonde a ética borboleteia avessa a Constituições e tratados.

Não sou mais um papa do neoliberalismo, não. Sou um alguém que era simpático ao Lula na época que ele comia criancinhas, mas percebeu que tudo isso que acreditávamos era discurso datado. O Lula também percebeu, acordou do sonho antes de cair da cama. O Lula é o verdadeiro novo papa do neoliberalismo, para mostrar que até os intocáveis de ontem se curvam à nova realidade.

Companheiro, bem vindo à cruel lógica do mercado, a mais sagrada religião dos nossos dias. Bem vindo ao maravilhoso mundo das inovações tecnológicas excludentes, químicas e mecatrônicas. São elas que sustentam a elite detentora do conhecimento. São elas que te sustentam também. Defender a democratização disso tudo é um singelo narcótico para aqueles que são dominados. É preciso mantê-los semi-dormentes, controlados, para que possamos usufruir das conquistas sem eventuais contratempos.

Tá, você vai derrubar o governo, peitar a gringolândia toda, e daí? Vai virar o Camboja vermelho e mandar todo mundo de volta para roça? Vai aliar-se à Coréia do Norte e Cuba? Nosso dinheiro é todo deles. Nós somos mais um investimento desimportante, fruto que um dinheiro que eles deixam de gastar nos cassinos de Vegas ou num novo Porshe. Sobrevivemos através dessa prostituição imoral. É Companheiro, difícil de acreditar que viramos todos putos mesmo.

Marx agora é enfeite de biblioteca, lembrança saudosa para anedotas de velhos lutadores. Portanto, pegue sua velha bandeira e guarde-a com carinho. O jogo, faz tempo que já está perdido. Sei que é triste condenar tantos a tão pouco, mas enfim, a vida não é justa mesmo.

Volta para Terra logo Companheiro, porque a Mir já caiu faz tempo.

sábado, agosto 28, 2004

Conclusão inesperada

"I believe in a thing called love"
(The Darkness)

O esforço mais louvável é persistir em algo, apesar do mundo todo conspirar contra. Permanecer e acreditar, impassivelmente, naquilo que se considera justo, racional e correto.

(Com o coração batendo a 120 km/h)

sexta-feira, agosto 27, 2004

Ess muss sein!

Cansei-me da irreversibilidade. De tudo aquilo que, pelas mais diversas razões, são porque são e não nos cabe nenhum recurso para modificá-las.

Vanessa tem sete anos e uma doença pulmonar irreversível. Fibrose lenta. Um dia ela vai ficar sem respirar e vai morrer.

Glória tem 19 anos e um câncer no ovário altamente agressivo, que já se espalhou. Prognósticos sombrios e irreversíveis.

Wágner teve parada cardíaca quando nasceu. Portador de Síndrome de Down, anomalias cardíacas, paralisia cerebral pela falta de oxigênio prolongada. Condições irreversíveis.

Fico pensando em como uma sutil diferença, uma pequena modificação genética pôde instituir tão drasticamente o destino dessas pessoas. Chega a ser cruel, porque nem eles, nem nós, temos direito de reclamação ou justificativas. Nem revisão do destino. Nem clamar por justiça.

Porque o mundo, na essência, está muito longe de ser justo. Cada dia mais se aproxima do pensamento de Nietzsche, num mundo onde Deus está morto e faltam coisas em que acreditar ou se apegar. Que estamos abandonados, cada um procurando fagulhas de esperança em meio a uma escuridão irreversível. Que fomos jogados, esquecidos e abandonados à própria sorte...

Coincidências.

Estranhamente depois que aparecem guardas noturnos em bairros assaltos começam a ocorrer nesses bairros...Depois que todos pagam a quantia mensal os assaltos param, e olha que eles nem ficam olhando para o quarteirão de cinco em cinco minutos ...
Muito estranho.

terça-feira, agosto 24, 2004

Post Conjunto

"Maybe I just want to fly"
(Live Forever - Oasis)

Talvez, o que eu mais queira nesse mundo sejam coisas tão simples e básicas e fundamentais. Eu quero usar de minha cota diária de insanidade sem medo de repressão. Quero contar piadas de humor negro, correr debaixo de chuva, sem aquele olhar de reprovação. Quero exercer meu direito de permanecer alienado. Quero voltar para casa de noite e tomar o leite que deixei por lá pela manhã. Quero assistir uma ou outra série na TV, num raro momento de descanso. Quero que minha vida não seja motivo de inquisição ou de interesse coletivo. Quero passar alguns segundos do meu dia em silêncio, para valorizar os momentos de barulhos queridos.

Não quero nada que seja utópico ou desmedido. Não quero nada além do que eu não tenha obrigação, como ser vivente, de ter. Cansei de mordaças, cansei de meias medidas. Cansei de política de boa vizinhança, esperando que assim, a minha vizinhança pudesse ficar em paz.

Talvez o que eu mais queira seja um grito de libertação particular.

Talvez, o que eu mais queira seja simplesmente voar...

Post conjunto com o Sete Faces

P.S- O que é o post conjunto? Há um ano, eu e a Anita postamos semanalmente (com um esforço para ser na terça-feira) sobre uma mesma frase, ou tema. É proibido um ver o texto do outro antes dele estar na net. Nós nos revezamos na escolha da "frase motivadora" e é sempre muito legal ver as "variações sobre o mesmo tema". Pelo menos, consideramos que seja.

segunda-feira, agosto 23, 2004

Racismo

Estou escrevendo esse tópico por que estou triste e com medo. Medo sim , por que não, afinal serei descriminado mais que o habitual lá na Unb, afinal, o movimento anti-cotistas vai ser forte e da corzinha que eu sou ...hummm. Gostaria profundamente que as cotas se instalassem depois da minha graduação, mas... De qualquer forma não vai adiantar eu ficar aqui imaginado as coisas antes delas realmente acontecerem.

Fiquei chocado mesmo com alguns comentários feitos na comunidade “Humor Negro”do Orkut. O tópico começava com o título “Preto, Raça Ruim!?” e deflagrava comentários como:

“Não adianta dizer que preto é igual ao resto, quem faz áreas ligadas a saúde sabe, eles são anatomicamente diferentes, eles fedem, tem narizes de batata, e lábios grossos. Não sou hipócrita. Eu nunca enfiaria minha Baco na boca de um negro. Gato procria com gato, cachorro com cachorro, e assim deve ser, casamentos inter-raciais são uma afronta contra a normalidade. Defenda a sua raça.”
“ Preto é alem de feio, fedido é burro. Alguém já viu algum preto inteligente, ganhador de Nobel ou coisa parecida? Não , e por que? Por que eles devem ter um cérebro de macaco, que é o que na realidade eles são”
“ Pretos tem 30% de chance a mais de serem ladrões”

Pelo menos até a ultima vez que eu vi eu não vi nenhum comentário sobre o clássico popular “serviço de preto”.

Poderia falar sobre o contexto histórico que desencadeou o racismo no Brasil, mas exigiria muito tempo que eu não disponho agora. Também poderia falar sobre a diferença entre colocar 100% negro numa camiseta e 100% branco na outra e explicar o processo de auto-afirmação das minorias.

É sempre divertido lembrar que a Ku-Klux-Klan tem seu nome cindo de uma onomatopéia que representa a espingarda sendo preparada e atirando contra um negro.

Se você não é racista por favor não chame um negro de preto que alguns s sentem ofendidos, por que como diz meu amigo Choks: “Preto é cor de lápis de escrever, eu sou negro”.

Infelizmente o negro ainda só é considerado nas áreas da música e do esporte, e isso é muito triste mesmo.

Infelizmente eu acho que só deixa de ser racista quem é ou já foi discriminado por ser o que é. Muitas vezes eu sou atendente de loja, e um segurança do Itaú nunca me deixava entrar com a mochila cheia de cadernos por que eu tinha cara de bandido, acho.

Sei que esqueci de muita coisa para argumentar.

Para encerrar acho que seria legal se todo mundo olhasse a Declaração Universal Dos Direitos dos Homens especialmente os artigos primeiro e segundo e o clichê clássico “I Have a Dream”do Martin Luther King

domingo, agosto 22, 2004

O início do fim

- Talvez acabar não seja tão doloroso.
- Talvez.

sexta-feira, agosto 20, 2004

Um caso...

Essa semana ocorreu um caso triste e abafado aqui na cidadezinha provinciana. Não apareceu na mídia por que creio que não teve nenhuma morte acho, afinal, o ibope vem da morte do jovem atropelado na saia da festa open bar ou da violência que esta crescendo vertiginosamente na ex-idade mais calma do mundo.

Um ex-professor do colégio maligno cujo nome eu não citarei para evitar problemas jurídicos (mas saibam q é o único colégio que aparece nas olimpíadas e em jogos de futebol), foi espancado, levou uma coça das feias do pai de um ex-aluno da escola.

O professor em questão, pelo que sei, havia elogiado o ex-aluno(de colegial, 16 , 17 anos)e alguns amigos dele. Tá bom, o professor deve ter falado q o aluno era gostoso, bonito, ou coisa do tipo, poderia até ter se insinuado pra ele.O ponto é que o professor e o aluno não mantiveram nenhum contato sexual e isso é importante ressaltar.

O ex-aluno conta do ocorrido pro pai, e esse aborda o professor e o espanca, literalmente falando.

A escola abafou o caso. O aluno saiu da escola e o professor demitido.

Tudo bem , a historia chegou ao fim, mas eu gostaria que o pai levasse uma surra. Gostaria também profundamente que o filho desse pai viesse a se descobrir homossexual e o pai se visse numa situação não favorável. PQP, o cara espancar uma pessoa só por causa disso ta muito errado.

Em situações como essa eu me sinto ruim, muito. Eu aprendi desde criança a ser tolerante e que cada um vive de um jeito diferente e é preciso respeito. Tolerância e respeito, é tão difícil assim conseguir só essas duas coisas?

Não da para pensar que a sociedade vai melhorar quando exemplos como esse acontecem todos os dias e seguem à margem da sociedade e da punição.

quarta-feira, agosto 18, 2004

Post Conjunto

"- Quem é você? - Perguntou a Lagarta.
- Eu mal sei, Sir, nesse exato momento... Pelo menos sei quem eu era quando acordei essa manhã, mas acho que já passei por várias mudanças desde então."

(Alice no País das Maravilhas)

Eu já nem sei mais quem eu sou. O mundo anda girando rápido demais, baby.

(Re)Apaixono-me por pessoas que, teoricamente, já esperava ter superado. Retrocedo em opiniões políticas, defendendo coisas assustadoras para mim há pouco tempo atrás. Flerto com a solidão. Flerto com um isolamento acadêmico e um desisolamento pessoal.

E a Terra continua girando e girando. Nem sei aonde iremos parar. E a gente, só apertando o passo para acompanhar.

Mas não acho ruim não. Antes perceber que as paredes trocam constantemente de lugar que elas permanecerem numa estática irritantemente eterna. Sou partidário das metamorfoses, ainda que tragam, consigo, significativos efeitos colaterais...

Post conjunto com o Sete Faces

terça-feira, agosto 17, 2004

Meu defeito mais grave

O fato é que não me basto. Não consigo viver só de mim: preciso dos outros. Mas preciso mais dos outros que eles verdadeiramente precisam de mim.

Política

A verdade é que eu gosto de política, pelo menos na parte teórica. A verdade da política é que só somos capazes de vermos o que é política em anos eleitorais. Nesse ano vemos um fenômeno que deveria ser chamado de arranque de fígado. Afinal o interesse na política é sempre o mesmo, dinheiro, poder e o povo que se ferre.

Teoricamente eu sou uma pessoa de modos políticos levemente inclinado para a esquerda e que acredita num possível Wellfare State mas , moramos no Brasil um pais belo e corrupto pra caralho.

A mulher que trabalha aqui em casa Diz que vai votar no líder das pesquisas, um político que antes de ser prefeito era um radialista menos e que depois de eleito comprou duas rádios, a empresa que monopoliza o transporte urbano e roubou uma penca de dinheiro. Ah, pelo menos ele fez o trabalho nos córregos e construiu um monte de obras que podem ser vistas até hoje. Viva a malufagem , viva o dinheiro roubado em falsas licitações.Ele anda espalhando para as mulheres de outros candidatos que os maridos tem amantes.(viva as mentiras de bastidores)

O segundo nas pesquisas afundou o time local de futebol em dividas, teve uma proposta de mudar o nome da Unesp para um nome de uma pessoa filha da puta aqui da cidade, o que acarretaria em uma maior aceitação dele por parte da mídia local. Ah sim , quase q el não passa na prova de analfabetismo.

O terceiro candidato é querido por muitos(enganados e cegos que não querem ver) e odiado pelos da própria classe e por muitos outros devido a sacanagens, diz : “Já sou rico, não preciso roubar dos cofres públicos pra enriquecer. Tenho carreira e família estruturadas, agora tenho que fazer algo para Franca pra ser um Homem completo”

O que eu vou votar por obrigação é um ótimo cara, honesto inteligente e não vejo nenhum defeito em sua índole( não , eu não sou do TFP), porem, como eu vi em pesquisas de opinião, “Só tem um defeito, é do PT” e pode- se dizer que o PT fez uma administração, a meu ver, bem regular, sem muitos avanços (que pude ver) sem contar que a dívida subiu de 12 milhoes para 90mi, o que é foda.

O Outro, diz”ruim por ruim, vote em mim”... Precisa comentar?

Vota esse ano vai ser foda. E Olha que as campanhas ainda mal começaram.

segunda-feira, agosto 16, 2004

Olimpíadas

Pois é, sou viciado em Olimpíadas. Nesse meu final de semana ocioso, a coisa mais produtiva que fiz foi estacionar na frente da TV e ficar lá, vendo os mais diferentes esportes.

Estou longe de ser um expert atlético e tal. Mas é algo que me deixa entretido e faz o tempo voar.

Seria capaz de acompanhar toda a programação olímpica pela TV, desde que abastecido de refrigerante, pipoca e uns três canais diferentes para eu zapear. Não me incomodo de assistir a uma partida de handball entre Hungria e Estônia, a semifinal dos 400m medley, a final de softball. Cansei, mudo de canal, mudo de competição, mudo de posição no sofá, mudo de marca de refrigerante.

Queria acompanhar o judô, a esgrima, a ginástica olímpica, o basquete masculino. Queria dividir um pouco daquela alegria insana de estar na final de alguma coisa, mesmo não ganhando nada. Conhecer gente de tudo quanto é canto, que apesar das diferenças teriam muita coisa a ver comigo.

Gostaria de estar em Atenas, curtindo o verão, as pessoas, os países. Gostaria de estar bem, bem longe daqui.

Ou pelo menos, na frente de algo que prenda minha atenção por completo...

Sonhos

Sonhei que era meu aniversário, aqui em casa e que eu fui conversar com uma roda de pessoas desconexas (Gabriel, Luis Eduardo, Ricardo, Natalia, Juliana e Cássio, que em situações normais não estariam reunidas e algumas delas nem convidadas para o meu aniversario estariam). Quando me aproximei com meu moleton laranja berrante todos se afastaram de mim e reparei que todos estavam vestindo camisas com preto, branco e amarelo néon. Decidi colocar uma camisa xadrez com essas cores e passamos a conversar. Saímos apressados por termos de fazer promoção de uma festa. Não sei por que, numa das boates que a gente entrou pra fazer a festa apareceu uma drag queen vestida de sadomaso e começou um show de escravo e mestre com o Cássio. Todos os outros saíram. Segui para fazer o resto da entrega dos flyers com o Gabriel e jogamos um jogo de fliperama. O jogo era de luta. Gabriel escolhe lutar com o robozinho Megaman e eu escolho Don Quixote (?).
Paramos de jogar sem que houvesse vitória ou derrota. Pedimos uma tequila e viramos.
No carro acendo um cigarro( e olha q eu não fumo), e fico olhando a lua até dormir.

domingo, agosto 15, 2004

Fim de semana: querido diário

Fui curar a ressaca da não-vinda dos Strokes ao Brasil e de uma semana completamente desinteressante e deveras preocupante com show dos Los Hermanos, em Ribeirão Preto.

O show foi muito bom, apesar de curto e sem muita interação com o público. Faltou Conversa de Botas Batidas, que eu estava louco para escutar. É muito legal ir ao show de uma banda que você gosta bastante, ver os caras ali no palco, sentir a vibração da música.

Quase chorei com Sentimental, pulei junto com O vencedor, brinquei com confetes e serpentina em Todo Carnaval tem seu Fim, fiquei bem pensativo em Cara Estranho.

Obviamente, não tocaram Anna Júlia.

Depois dos Los Hermanos, os Paralamas entraram, sem muito brilho. Confesso que acho os Paralamas legaizinhos, mas não iria, espontaneamente, em um show deles. Foi legal ver o Herbert todo alto astral, tocando e cantando em uma cadeira de rodas. Mas estava muito frio naquela noite e foi só os Los Hermanos irem embora que eu, literalmente esfriei.

Fomos embora, vimos as Olimpíadas jogando Perfil "alcóolico". Acertei o Monet com apenas uma dica. O Leo acertou a Groelândia com uma dica também. O Décio não acertava e bebeu demais, demais. Tomei absinto. Passei a noite em claro. Foi legal.

De resto, o final de semana só serviu para sacramentar um estado de espírito indolente e insensível. Como quem caminha na praia sem sentir o brilho do mar. Como quem permanece, insone, alheio a tudo que lhe cerca.

Desculpem o post "querido diário", mas precisava escrever e não estava com paciência de florear o que estou sentindo.

quinta-feira, agosto 12, 2004

Destinos

Longa madrugada, ele se pôs a fitar o teto. Porque não conseguia dormir mais. Ficou insone, pensando no assustador futuro que o espreitava por detrás das cortinas, que o esperava na calada da noite.

Tudo, a partir daquele momento, envolveria sérios sacrifícios. Fazia as contas em uma difícil matemática, onde todos os dividendos possíveis obrigatoriamente passariam por uma dolorosa subtração.

Não havia nascido para sacrifícios, esse era o fato. Não havia nascido para escolhas difíceis: sempre que dois caminhos divergentes se colocavam à frente, sentava no meio fio e esperava para ver aonde os outros iriam.

Mas agora não havia mais tempo para adiamentos. Como, se algo tão inadiável quanto a morte, viesse a bater a sua porta, exigindo um posicionamento. Exigindo um destino. Exigindo uma resposta. Exigindo primeiros e cautelosos passos. Só não sabia, não sabia, para onde ir e como fazer.

Permaneceu insone pela madrugada adentro, imerso em complicados pensamentos, até o amanhecer...

terça-feira, agosto 10, 2004

Post Conjunto

"Wait, they don't love you like i love you"
(Maps - Yeah Yeah Yeahs)

Não me subestime, pois só quero o seu bem. Não quero ser nenhum demagogo, nem preciso confessar os meus pecados para dizer-lhe todas as coisas que desejo. Cansei dessa imobilidade, de fingir que a dor não existe para me preservar. Agora estou aberto, pronto para interferir em todos os pontos da sua vida que considerar relevante. Hoje não quero mais pecar pela falta: é dia dos excessos.

Percebo, muito além do que gostaria de perceber. Enxergo aquilo que não deveria. Sei que não sou o melhor conselheiro, sei que já errei tanto e tanto... Mas não vá embora. Espere. Só me dê mais uns segundos para eu tentar te compreender.

Post conjunto com o Sete Faces

Máscaras

“Mas quem eu era de fato? Sou obrigado a repetir: eu era aquele que tinha muitas caras
(...)
Todas eram verdadeiras: não tinha, a exemplo dos hipócritas uma cara autentica e outras falsas. Tinha muitas caras por que era moço e por que não sabia eu mesmo quem era e quem eu queria ser.(No entanto a desproporção existente entre todas essas caras me dava medo; e nenhuma delas eu aderia por completo, e por trás delas eu evoluía, desajeitado, às cegas.”( Milan Kundera em “A Brincadeira”)

Assim como o personagem de Ludvik eu acho que sempre fui assim , incapaz de assumir uma cara por completo. Quem me conhece sabe que sofro mutações diárias tanto de humor quanto personalidade e modo de pensar (não, não sou bipolar ou esquizofrênico...acho).
Acho que sou incapaz de exprimir tudo o que sinto e penso com apenas uma cara, eu não consigo ter apenas uma turma de amigos, tenho sim vários amigos com características bem distintas uns dos outros, alias , posso dizer que se alguns soubessem o que sei de outros eu poderia causar brigas físicas , e isso não é bom.

Não vou dizer que sou completo tendo várias caras, isso irrita, e muito! Mas, acredito que é melhor viver faíscas de felicidade com cada uma dessas caras do que imaginando uma vida com somente uma delas. Ainda sou muito novo para renunciar algumas coisas...

domingo, agosto 08, 2004

Desânimo antes do início...

Sou do tipo pacifista, até demais. Sou do tipo que respeita, com excessividade, a privacidade alheia. Sou do tipo que só invado o campo inimigo em retaliação. Sou do tipo que consegue suportar alguns murros no estômago só para não começar uma briga.

Mas chega uma hora que você não suporta mais.

Não suporta se tornar pára-raios alheio. Não suporta ser bode expiatório. Não suporta mais fazer caras e bocas para manter um estado de paz temporário.

Não suporta ver as pessoas ao seu lado desabarem por falta de intervenção. Quando era hora de ser agressivo, retirar uma confissão suavemente presa nos confins do inconsciente.

Sempre acreditei demais no bom senso das pessoas. Que elas tem juízo e vão gritar por ajuda quando for necessário. Mas isso não acontece.

Meus amigos estão se afogando sem gritarem pela minha bóia. Eles estão desabando bem diante dos meus olhos. Não sei o que fazer.

quarta-feira, agosto 04, 2004

Férias por período indeterminado

Pode parecer legal , mas não é, de jeito nenhum. Pra começar, eu posso dizer que esse mês de férias que eu tive foi excelente, um dos melhores que eu já tive ,mas, agora que todo mundo já voltou às aulas essas férias eternas estão um porre. Não tenho nada pra fazer, nada é nada mesmo , hoje a tarde pelo menos eu vou sair com meu primo para ajuda-lo a dar aulas de computação para alunos carentes.

Ta, mas isso é um dia só, e eu não poderia também me comprometer a dar aulas já que eu não sei quando eu teria que parar e me mudar ... Que situação chata...Enfim, se aqui em Franca ao menos tivesse alguns lugares legais para se ir e não fazer nada...

Entrar no icq ( sim , eu não tenho MSN) não tem graça pois ninguém estará online, postar um texto sem graça novamente não vai me satisfazer, o Orkut não me entusiasma como no começo e posso dizer que a ausência de alguém para me acompanhar num buteco numa quarta as três da tarde é algo triste ...

Odeio esse ócio não criativo

terça-feira, agosto 03, 2004

Post conjunto

"Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero"

(Maria Rita)

Viajar sem destino e sem data. Quisera eu não ter tantas responsabilidades. Nem precisar dar tantas satisfações.

Sabem, eu não tenho o direito de partir quando quero. Quando sinto necessidade e preciso fugir das pessoas. Quando preciso encontrar novos amigos, novos amores, novos prazeres, novos sabores, novas texturas, novos sotaques. Todas as coisas boas da vida agora precisam de data, hora, planejamento. Tudo está em função de tantas variáveis, que essas coisas boas ficaram reféns de outras tão desinteressantes.

E se eu ainda quiser fugir sem destino, as pessoas me cobram diário de bordo. O que fiz, por onde andei, quem visitei, o que ficou para trás. Quantos dias em cada lugar. Quantas horas em cada porto. O que vi no cinema. O que comi nos restaurantes. E uma sucessão indefinida de outros por quês, por quês, por quês...

Há coisas que só ficam bonitas na solidão de pessoas, da memória. Aquilo que você guarda secretamente dentro de um baú. São coisas que nem precisam estar em quadros ou fotografias. Coisas que nenhum cartão postal consegue reter. Coisas que nenhuma feira de Artesanato conseguem vender.

Invejo a sorte dos andarilhos, que fazem dos seus próprios passos ermos a única empresa. Que não precisam definir estrada ou destino a ninguém: apenas vão. E só retornam quando o coração necessitar...

Post conjunto com o Sete Faces

Lembrete para uma longa viagem:

"Meias medidas perdem todas as guerras"
(Napoleão Bonaparte)

domingo, agosto 01, 2004

Tempo de Morangos

Porque eu já me havia cansado de tanta escuridão. Porque agora, era a vez do turno da leveza. O Get Me Away fica para trás, junto com o Weblogger e todos os seus problemas técnicos. Agora é tempo de morangos. Dias menos sisudos, mais ensolarados, mais coloridos.

Com a leveza alcóolica do martini seco: adocicado e entorpecente...

A morte do Get me away...

"With a winning smile, the boy
With naivety succeeds
At the final moment, I cried
I always cry at endings"
(Get me away from here, I'm dying - Belle and Sebastian)

Ninguém imaginaria, no início, o que aquele garoto pretendia. Talvez ele também não fizesse idéia das dimensões que suas poucas palavras, soltas no mundo, trariam como conseqüência. Até aquela época, o garoto julgava que essas palavras soltas eram vazias de significado e alheias ao mundo real que o cercava.

Foi daí que um longo e estranho aprendizado aconteceu. Seus pensamentos, sensações e idéias foram tomando corpo quando as palavras escapavam. Após um certo tempo, percebeu que as palavras antigas pareciam não ser mais suas: estava dentro de um processo evolutivo imperceptível no dia-a-dia, mas notável a longo prazo.

Era uma caminhada solitária e coletiva. Fazia seus próprios passos, escolhia os próprios caminhos. Mas era assistido por muitas e desconhecidas pessoas, que, com diferentes graus de interferência, também ajudaram a escolher caminhos e desenhar trajetos.

Logo sentiu uma necessidade pungente de reforma. Começou a derrubar paredes, mudar a mobília, escancarar as janelas. Perceber as coisas com menor gravidade, menos imediatismo, menos desespero. O garoto começou a perder o medo excessivo das pessoas, criou coragem para enfrentar o mundo que espreitava além das cortinas. Esqueceu velhos crimes e partiu em busca de novas formas de redenção.

E o garoto agora está aqui, pronto para virar uma nova página. Este blog acaba aqui. Não porque me veja livre desta necessidade absurda de escrever. É porque o garoto não quer mais ser tirado daqui. Ele quer continuar, firme e forte, para esperar uma resposta final para isso tudo que ele está construindo.

Este blog termina como começou: ao som de Belle and Sebastian e com sorriso no rosto. Com sensação de dever cumprido, dias melhores e ensolarados, final feliz. Com um grande agradecimento a todos que acompanharam o Get Me Away nesse ano e quatro meses de existência.