domingo, abril 11, 2004

Estou quase tísico: febre, tosse produtiva, dor no peito irradiando por todas as regiões. Sorrindo. Apesar da doença misteriosa (gripe? tuberculose? infecção respiratória?), tenho tomado sorvete, tomado banho de banheira de uma hora escutando Belle and Sebastian, ficado no sereno mais que deveria. Embora o corpo esteja pagando o preço pelas minhas irresponsabilidades, está sendo profundamente redentor.

(Bem verdade que nada mudou concretamente: só a perspectiva dos fatos)

Esses dias gelados e essa tosse fazem-me lembrar de Álvares de Azevedo e Manuel Bandeira. O que, por sua vez, desenterra um certo saudosismo gostoso, um romantismo empoeirado. Uma sensação de finitude boêmia, sem ser amarga. Tenho lembranças de Bandeira muito fortes, muito vívidas: ensolaradas. Meu primeiro sarau. Os primeiros movimentos. A Lua, tão branca, pregada no céu.

Tusso bastante, na verdade. Mas ainda quero continuar a tossir, a lembrar de Bandeira, dos dias tão ensolarados de Recife, do Rio de Janeiro, da infância que ficou para trás...

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