sábado, abril 03, 2004

"Direi coisas de uma ternura tão simples
Que tu desfalecerás"

(Estrela da manhã - Manuel Bandeira)

"Do You Realize - that you have the most beautiful face?"
(Do you realize - Flaming Lips)

Eu sei que você não irá me ligar. Eu sei que você não irá me escrever. Eu sei que você não está pensando, nem pensará em mim. Eu sei que escrever aqui não adiantará muita coisa: você
nunca lerá, você nem suspeitaria que estou escrevendo para você. Não adiantará. Mas continuo aqui, tentando verbalizar as palavras. Inutilmente. Com esperanças que talvez isso fizesse a diferença. Sei que não fará.

Eu sei que você nunca percebeu os meus olhares furtivos. Eu sei muitas coisas que você não sabe: perfume, horários, pequenos vícios e virtudes. Gostaria que você soubesse. Mesmo. Gostaria que você soubesse sim: e por mim. Gostaria de te falar que você é especial demais para existir dessa forma que você existe. Te falar todas aquelas pequenas coisas que deixamos passar na correria do cotidiano, leves mas tão essenciais que quase não vivo se não me alimentar delas. Te contar que você tem muitas coisas assim, leves e essenciais, e que eu teria todo prazer em descobri-las sem prazo definido de tempo. Gostaria de dizer que sei escutar, que sei ficar quieto e sei olhar as estrelas.

Eu sei que nunca poderei te falar isso. Não pertence a mim o próximo movimento. Nunca pertence a mim esse tipo de movimento. Eu sei que poderia esperar pacientemente pela sua resposta, se eu ainda desconfiasse que pudesse haver alguma resposta. Eu sei que suporto a espera: sempre esperei. Eu sei que mesmo sabendo que você não desconfia dos meus passos, vou passar um bom tempo esperando. Inutilmente?

Acho que não. Porque sei que para mim não há muitas perspectivas no momento. Eu sei que essa lembrança solitária irá me acalmar internamente, enquanto a poeira persistir. Eu penso no seu sorriso, o perfume, as palavras doces e consigo dormir em paz.

Mesmo sabendo que não há esperança

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