sexta-feira, dezembro 31, 2004

High and Dry?

Não ligue para dezembro. Dezembro é sempre um mês pesado, incômodo. Não é confetes e serpentinas, muito pelo contrário. É quando tudo acaba, os arrependimentos aparecem, é o mês de fechar o balanço. Parece que o ano todo vem pesar nas costas, soluçar no ouvido. Enlouquece, é verdade. Mas como todas as coisas ruins, passam.

Já é janeiro. Já é outro ano. Expectativas, promessas, planos. 2004 agora é apenas mais uma vaga lembrança. Tudo vai ser mais fácil, acredite em mim.

Não se preocupe: o difícil sempre foi enxergar o óbvio. O que é estranho, gritante, todos enxergam. E tão difícil quanto é perceber os próprios limites. Eram tão bons aqueles dias em que achamos que éramos ilimitados, capazes de tudo - só dependia da gente. Esse é um sinal inequívoco de amadurecimento. E para crescer, precisa de uns tombos. Somos seres estranhos, precisamos de nos machucar para consolidar certas posturas, melhoras, uns upgrades.

Mas tenho confiança que seu 2005 será maravilhoso e cheio de novas surpresas, apesar de tudo. É algo que está em suas mãos, é só facilitar as coisas. Você é suficientemente capaz de botar sua vida nos eixos que quiser.

Feliz Ano Novo.

terça-feira, dezembro 28, 2004

Post conjunto

"Perhaps, perhaps,perhaps"
(Doris Day)

Não me entregarei ao exercício do talvez. Não dessa vez. Não criarei expectativas tolas para o futuro. Não farei o exercício esotérico das adivinhações.

Que seja o que tiver de ser. Vou viver um dia de cada vez.

Post conjunto com o Sete Faces

quinta-feira, dezembro 23, 2004

2004

Que ano estranho, que ano insonso. Que ano inerte, insípido. Assim foi. Os dias voaram, os meses também. Fui esmagado por situações convenientes, mas que pouco contribuiram para o meu crescimento. Burocraticismo, livro de ponto, pouca coisa além disso.

E perdi. Perdi bastante. Um ano de desconfianças. Terra arrasada. As pessoas próximas que também magoam, muito mais. Aquela indiferença pungente, que dói muito mais que o ódio. Eu, que julgava tão seguro de mim, vi meus castelos de areia irem abaixo. Vi-me novamente sem escoras, sem muletas, indefeso. Tudo virou um deserto de almas, um caminhar solitário entre seminários e provas, um monólogo previsível para disfarçar as tempestades.

Pessoas interessantes, mas amores poucos e raros. Parcos e breves. Superficiais. Sofri pouco, bem pouco: e também nem senti. Mas o suficiente para concluir que não nasci para ser só, que preciso de alguém perto, para afagar os cabelos e dizer, com voz doce, que tudo vai passar. Que espero, apesar da vida correr velozmente, com um buquê de flores na mão e um coração aberto a quem quiser conquistá-lo.

E tenho a certeza que sai disso tudo fortalecido. Apesar das intempéries, nunca cedi. Permaneci no caminho que julgava ser o mais correto, mais meu. Fui moralmente vencedor de tudo que propus fazer. Expurguei toda culpa residual. Meus passos são seguros e firmes. A miopia, progressivamente corrigida. O futuro, levemente delineado, com um princípio de Norte encimando o horizonte. Sim, agora eu sei, agora eu confio. Sinto-me finalmente preparado para abarcar certos objetivos, custe o que custar. Apesar de ter sido um ano duro, a pele queratinizou, a epiderme engrossou, mãos e pés calejaram. Sou o senhor do meu destino e cabe somente a mim decidi-lo.

Por causa disso tudo, fez-se necessário o exercício da solidão. E para isso, é preciso domar os medos, pois eles ecoam nessas horas de silêncio, com toda força. Talvez, esse seja o maior desafio para o próximo ano: aprender a ficar só. Superar-me.

Os grandes amigos antigos, depositei mais confiança. Apesar de toda distância e dificuldades, sempre cedendo a mão amiga em momentos de confusão. Aos novos grandes amigos, meus agradecimentos por terem cruzado meu caminho e permanecido, com a mesma fibra dos amigos antigos.

E o que 2005 reserva? A terceira década dá medo, muito medo. Uma sensação irreversível de envelhecimento. Mas vejo tanta gente vivendo os vinte e poucos anos, aprendendo aos vinte e poucos anos, caindo e levantando aos vinte poucos anos, que tenho esperanças sinceras que dará tudo certo, ao seu tempo. Não tento mais subverter o tempo, confio em seus tortuosos caminhos, acredito que, agindo da maneira que sempre considerei, a minha hora há de chegar.

É isso que espero de 2005: muita fé, para permanecer firme em minhas convicções; muita paciência, para compreender aquilo que me cerca no momento correto; e quem sabe um amor novo, assim, arrebatador e inesperado, que me faça cantarolar Vinícius de Morais mais que nunca...

quarta-feira, dezembro 22, 2004

Post Natalino

E mais uma vez a cena se repete e você, impotente tem que assistir a tudo aquilo mais uma vez. O espírito natalino está aí.Sacadas de prédios piscando, árvores enfeitadas, toda a programação televisiva, indo de sessão do descarrego de natal até filme pornô de natal(Que saco é esse Papai Noel seria um bom título, será que existe?), passando por desenhos de natal, Jornal Nacional falando dos lucros e das multidões nas ruas fazendo compras de natal... Tudo é vermelho, branco, verde e preto...Irritante pra falar verdade.

Outro fato é que você passa a se lembrar é que o natal é uma conspiração natalina de grandes multinacionais. Um dado é que o maldito natal faz as pessoas gastarem fortunas pra comprar os infinitos amigos secretos da vida. Tem o amigo secreto da escola, da faculdade, da turma do boteco, da família, da família da (o) namorada (o), e o limite é o infinito. O final é o mesmo, uma porção de amigos secretos insatisfatórios onde ninguém se lembrou das suas indiretas diretíssimos que você deu durante o mês de dezembro inteiro. Pior é para aqueles que em filhos, ou filhas. O Papai Noel viu que a criança foi boazinha e o Playstation 2 teria que ser ganho pelo menininho feliz assim como a super barbie mega princesa do inferno e os mil acessórios da HeloKitty deveriam ser ganhos por aquela gracinha de menina. E as compras vão ficando com cifras enormes. Além disso Por que o papai Noel tem que ser vermelho? Antes da Coca-cola aparecer no mundo ele podia ser de qualquer cor, mas ai, com a ajuda da mídia, a maligna consegui o objetivo de levar as cores de sua empresa pro bom velhinho e patrocinar carreatas de caminhos com a musiquinha “O natal vem vindo\ Vem vindo o natal...”

E você, que possui uma família que celebra o Natal junto, terá que preparar o seu espírito invocando o mantra “é só por algumas horas, isso vai passar. Ë só por algumas horas, esse pesadelo vai acabar...”, por que você tem plena consciência do que será o natal. Natal é igual aquela tia geriátrica que vai perguntar “E as(os) namoradas(os)” ou “Agiliza senão você vai ficar pra Tio(a)” dentre outros comentários infames, sem contar que muitas crianças vão esbarrar em você a toda hora, vinho tinto vai cair na sua roupa por conta desses movimentos infelizes e o bebê fofo que você tentar segurar um pouco irá gorfar toneladas de leite azedo em cima de você. Depois de fazer o social com a família, você terá que esperar por algumas horas para não cometer o ato herético de ser o primeiro a ir embora. Conclusão, você será forçado a ver TV, mas, quando se aproxima da TV sabe o que vai acontecer, você verá a festa de natal da Xuxa com as crianças e assim que acabar você terá que continuar na Globo, por que suas Tias pelancudas querem ver o Rei Roberto Carlos ou a Simone cantando como todo ano canta a música mais irritante da história “Então É Natal, e Um novo ano também, que seja feliz quem, souber o que é o bem” ( ok, tem músicas piores, mas...)

Pelo menos, pelo menos se sobreviver ao Natal terá Ano Novo e altas baladas semana que vem.

Ps: Feliz Natal para todos os leitores e um ótimo Ano Novo se nao escrever mais nada por aqui até o fim deste

terça-feira, dezembro 14, 2004

Televisão(

16/10/2004

Acho que a maior fabrica de psicopatas do mundo, assim como dos sem noção de todo lugar é a televisão. Vamos aos fatos:

O Piu-piu assim como o Jerry e o Pica-pau eram personagens extremamente sádicos. Quando o seu predador iria se aproximar de um deles eles faziam de tudo para que ele sofresse muito. São inúmeros os casos que o Piu-piu fez com que o Frajola caísse nas mãos de um cachorro imenso, forte e bravo, o mesmo acontecia com o Tom. Crianças criadas com esses desenhos tornam-se pessoas sem coração, que se divertem com o sofrimento alheio e, por conseguinte iriam virar maníacos do parque e outras pessoas malvadas como inspetores malas de colégio e vendedores de pamonha.

O Bozo e a Vovó Mafalda criaram um universo de horror e aversão a palhaços por todo o Brasil, de modo que quando vimos alguém pintado logo começamos a ter sudoreses e achamos que são fantasmas da infância ou asseclas do Freddy Kruger que vai nos pegar. Descobrir que a Vovó Mafalda era um homem foi o maior trauma da minha infância, se bem que, de fato, o maior mesmo foi pensar no punhal que o Fofão de brinquedo tinha l na barriga a fim de matar as criancinhas enquanto elas dormiam.

A Xuxa mandava mensagens subliminares com o intuito de fazer da minha geração uma horda de seguidores do Satã. “Marquei um Xis, Xis, Xis no seu coração” o Xis invertido vira six, seis em inglês, e 666 é o número do Capeta, Belzebu, Coisa Ruim... A Mara Maravilha aposto que também eram mancomunada com o coisa ruim, uma vez que largou a televisão falou que estava salva e rapidamente se tornou evangélica radical.

O Sergio Malandro, com seu ingênuo glu glu glu glu e com a sua porta da esperança era um traficante de cocaína.

Personagens nos influenciaram de maneira surpreendente. Os Ursinhos Gummi são fundamentas para se compreender o alcoolismo na minha geração. Para quem não se lembra, os ursinhos ficavam fortes e corajosos ao beberem um suquinho roxo, que eu juro que era vinho ou vodka com suco de uva. De qualquer maneira, foi a mensagem inconsciente deixada pelos ursinhos que me fez beber e aposto que fez muitas pessoas entrarem no caminho do álcool.

A Disney foi a pior de todas. Me fez matar a minha mãe e fazer sexo após ver Rei Leão, assim como me deixou com vontade de fazer sexo quando vi Bernardo e Bianca e o mais traumático de todos, dar a bunda após ver A Pequena Sereia.

Acho que a única coisa mesmo que prestava naquele antro de perversidade eram os comercias da polishop que mpostravam os produtos inventados por Deus, como as Facas Guinzu, a Pennali Pen dentre outros.( As facas Guinzu e as meias Valerinas são um paradoxo pós moderno)

domingo, dezembro 12, 2004

Post conjunto

"Custa caro não morrer, honey. Morrer também. Viver não menos. "
(Caio Fernando Abreu)

Tudo em nós parece tão complexo. Viver é quase um sacrifício e um milagre. Cada estertor, cada bulha que arrebenta no coração. Cada célula que se divide, arriscando cair na tentação de uma vida própria. Cada vaso que se rompe, ameaçando toda nossa hemostasia. Somos frágeis, tão frágeis. Mal sabemos nos defender os perigos do mundo. É a epiderme que nos separa de todos os perigos, um bocado de ossos: mais nada. Mais nada. Viver é um completo desprotegimento.

Mas morrer também não deve ser fácil. Botar toda a maquinaria abaixo, estática, silenciosa, custa muito trabalho. Embora seja instantâneo e indolor, difícil é ir dizendo adeus à vida diariamente. Cada segundo é menos um. Aquela certeza da finitude é violenta e destruidora. Não há consolo para a idéia que ao atravessar de uma rua, ao encontro furtivo com um Staphyloccocus meticilino-resistente, um caminho errado que se escolha, puff. Foi-se. Sem chace de protesto ou apelação.

Penso, penso mesmo, que o mundo anda tão complicado. Que é tudo de uma dificuldade tão desanimante. Por isso caminho (e caminhamos), a passos lentos e pesados, pesarosos e cansados: ah, porque não existe alguma fórmula de simplificação imediata?

Post conjunto com o Sete Faces

segunda-feira, dezembro 06, 2004

Montanha abaixo...

Prenúncio de um final de ano acadêmico de pirar qualquer um: velório no anfiteatro, coroas de flores, choro, choro, choro. O Curso paralisado, pelo menos por um dia.

Para lembrar que a vida é muito frágil e que vivemos quase pedindo licença a todo mundo.

E depois do enterro, o inferno acadêmico. Lá vamos montanha abaixo...

domingo, dezembro 05, 2004

Post conjunto

"I'm too sexy for my shirt, too sexy for my shirt, too sexy, yeah"
(Right said fred)

Vamos la: um, dois, um, dois, tres, quatro! E...

Nao se reprima, nao se reprima, nao se reprima...

Que fim, que fim levou o Robin? Que fim, que fim, que fim levou o Robin?

Pense em mim, chore por mim, liga pra mim, nao, nao liga pra ele...

E eu sou apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro bolso...

Vamos a la playa, vamos a la playa...

Eu era a raposa e voce as uvas, e eu querendo seu beijo roubar...

Toda minha vida (Sim!) eu te procurei (Nanananana) hoje sou feliz com voce que eh tudo que sonhei...

Eu queria ser uma abelha pra pousar na sua flor... Haja amor... Haja amor...

Quando tao louca, me beija na boca e me ama no chao...

Caso do acaso bem marcado em cartas de taro... Meu amor, esse amor, de cartas claras sobre a mesa...

E fim!

Post conjunto com o Sete Faces

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sábado, dezembro 04, 2004

Ainda alcoolizado

Foi melhor assim. Resisti. Obedeci aos primeiros instintos.

O que, definitivamente, nao eh uma acao unicamente positiva...

terça-feira, novembro 30, 2004

Pela chuva

E eu caminhava a passos pesados e fixos. A noite foi tão mal-dormida que o torpor me pegou por todo dia. No hospital, princípio de vertigem, desmaio. Almoceci rápido, sem perceber. A tarde correu, voou, quando vi já minha cabeça doía e eu caminhava pensando que queria dormir, mas dormir de verdade, que queria voltar à minha terra, minha sagrada segurança do lar, que a saudade aperta o peito e sufoca, que as traições involuntárias também doem, que meu corpo também me trai e tantas outras coisas que absorviam minha atenção que mues pés seguiam numa freqüência ritmada e mecânica e automática como se não houvesse necessidade alguma de alguém para guiá-los.

E começou a chover. E começou a chover uma chuva triste e fina que mal molhava a alma, mas na medida exata para me lembrar que eu estava vivo. Que havia sangue quente dentro de mim. Que havia sensibilidade na pele, gosto na boca. Todos corriam, buscando abrigo. Continuei, dentro da chuva, apesar da chuva, mas alheio ao mundo lá fora, às tempestades, aos antimicrobianos, às obrigações sociais. E agora que o ano acabaria, que o ciclo terminaria exatamente onde começou: cenários diferentes, mas mesmas dificuldades, mesmas limitações, consolidação de certezas que nunca gostaria de consolidar.

E choveu mais forte. Agora chovia verdadeiramente. Agora desabava o mundo. Agora eu encharcava minha alma, minhas roupas, meus papéis e documentos. Ah, que se dane. Eu caminhava apesar da chuva. E sempre não havia sido dessa forma? E os óculos começaram a embaçar, por isso os tirei: para igualar à miopia do mundo. Os carros e as motos acendiam os faróis. Não enxergava mais que um palmo. Anoitecia.

As águas acumulavam nas calçadas, em poças largas. As enxurradas aumentavam, intransponíveis para quem gostaria de permanecer de pés secos. Por isso tirei meus tênis e continuei o irremediável caminho. Continuaria até quando fosse preciso, às cegas, aos pingos. Talvez, porque eu fosse orgulhoso demais. Talvez, porque eu sempre precisasse de uma prova cabal de vida para permanecer vivo. Talvez, pela busca inútil do caminho mais longo. Ou talvez, porque não me restasse escolha: e somente isso que eu soubesse ainda fazer.

sexta-feira, novembro 26, 2004

Ta bom?

"Voce precisa reagir
nao se entregar assim
como quem nada quer"
(Ta bom - Los Hermanos)

Eh preciso superar tudo isso, num exercicio assombroso de reinvencao. Hoje, me considero capaz de superar as adversidades que nao estava por esperar. As promessas que nao se concretizaram. As traicoes involuntarias, dolorosas. As promessas de amor que nao se cumpriram. As promessas de liberdade que se mostraram ilusorias. A valorizacao do status quo. O exercicio do perdao.

Agora, eh preciso construir uma fortaleza. Voltar aos tempos de concha, de defesa, de mais observar que agir. Essa eh a minha natureza original: observar. Tatear lentamente, buscando as verdades que desapareceram no inicio do mundo. Expurgar a culpa, toda culpa, que ainda sobrar. Aproveitar o verao, o retorno, ao conforto de ter ao meu lado tudo aquilo que me fez ser quem sou. E fazer disso, minha fortaleza. Nao esquecer, jamais esquecer e nunca perder de vista aquilo que me construiu. Aqueles que me construiram.

Reconhecer que meus defeitos tambem sao as minhas vigas. Minhas paredes. Meu chao.

Afinal, so tenho a certeza que hei de superar. Hei de suportar. Hei de vencer, no final das contas. No balancete final.

quarta-feira, novembro 24, 2004

Tati Quebra Barraco

Eu amo a Tati Quebra-Barraco. Ela é o retrato oficial do Brasil. Como ela mesma diz num dos seus maiores hits “Sô feia, mas to na moda”. O Brasil é alguma coisa alem disso? Somos um país tropical abençoado por Deus, bonito, feio, pobre, que só produz sexo, mulheres, futebol, samba, feijoada, carnaval e pinga e que, ninguém sabe o motivo ta na moda no exterior.

Tati assim como muitas meninas dessa pátria que nos pariu foi mãe cedo. Ela é mais uma dessas estatísticas toscas do IBGE que insiste em falar aquilo que nos sabemos que existe só que não gostamos de pensar. Mãe aos 13 anos! Imagino se alguém realmente entende a barra que deve ser isso, acho que não. Mas ela atualmente esta se dando bem, ela é a Diva da musica brasileira atual, feia e na moda ela representa o funk no melhor estilo possível com suas letras de apelo sexual forte e de atitude ela vem ganhando platéias de todos as classes sociais. Ela vai de morros da Cidade de Deus, lugar onde nasceu, até boates badaladas da noite paulistana como a Lôca e a Lov.e .

Pro inferno quem me falar que ela é baixaria. Só por que ela fala “soca a theca, É bom a beça Vem garotinho, Não gosto de piru pequeno, Uh Ta na moda, Bota pra mamar na horta”. As mesmas pessoas que criticam isso muitas vezes ficam pensando em temas como Porto Seguro na época do colegial ou em quando será a próxima grande micareta (carnaval fora de época) para ver quem vai catar mais e para dançar as coreografias super ingênuas que existem no axé, e se isso não fosse suficiente muitos ainda adoram gêneros musicas como o hip-hop e o gangsta rap norte americanos que se analisados falam tanto de sexo e termos chulos quanto.

O que me deixa triste é pensar que o que esta sustentando esse sonho de pop star que ela esta vivendo é uma classe alta e média fútil que se rende aos modismos. Não digo amanha, mas num futuro próximo é bem provável que a Tati Quebra Barraco vai ser só uma das milhares de Tatis que existem nas favelas do Brasil. Não sei se ela vai conseguir fazer fortuna para construir uma casa e viver uma boa vida. Não gostaria de ver a Tati com seus 30 anos sendo perpetuada como empregada doméstica na casa de uma família alienada que não sabe o que é sofrer para viver diariamente e que nunca vai saber o que é dar um passo além da própria mediocridade.

Post conjunto

"E direi coisas de uma ternura tão simples
Que tu desfalecerás"
(Estrela da manhã - Manuel Bandeira)

Hoje quero tão pouca coisa, meu amor. Talvez um sorriso. Talvez um breve encontro de epidermes. Algumas palavras serenas, em tom de tranquilidade. Encerrar o dia com cafuné, música leve, filme Sessão da Tarde com pipoca.

Esbarrar com você, desprevinidamente, nos corredores do Hospital. No ponto de ônibus. Na fila do cinema. Mas com aquele sentimento de encontro de almas perdidas, solitárias, que rastejam dia a dia para cumprir as obrigações cotidianas. Lembra de "Encontros e Desencontros"? Lembra da angústia de estar circundado por pessoas que não entendem o que você diz, nem entendem o por quê você faz?

Não quero, por hoje, tradução instantânea: quero apenas que alguém - você - tenha vaga noção do que estou dizendo. Coisas irreproduzíveis, impublicavéis e terrivelmente sinceras.

Já comprei jujubas e outros alguns poucos víveres para sobrevivermos a uma noite morna, limpa e estrelada. Já comprei Coca-cola e alguma bebida alcóolica de qualidade discutível, para desmaiar entorpecido em seus braços após horas e horas...

Post conjunto com o Sete Faces

domingo, novembro 21, 2004

Post conjunto

"Alice sabia que era o Coelho a sua procura, e tremeu até fazer a casa sacudir, completamente esquecida de que agora era umas mil vezes maior que o Coelho e não tinha razão nenhuma para temê-lo." Alice no país das Maravilhas

Uma espécie de fobia. Um anjo triste que veio, ficou e parece não ter prazo para ir embora.

Talvez seja cansaço acumulado. Talvez, resultado de conversas no sábado. Talvez, essa situação cruel de nem lá, nem cá, nem lugar nenhum. Talvez, uma necessidade de voltar às origens.

Só sei que estou sem resistência.

O Coelho venceu.

Post conjunto com o Sete Faces

segunda-feira, novembro 15, 2004

Restos de uma reflexão de LPT

Fico pensando como que a consciência atinge as outras pessoas. É um ótimo exercício mental. O Pinóccio, por exemplo, tinha um grilo falante chato do seu lado falando um monde te merdinhas cheias de moralidade para o narigudo. Eu tenho uma voz chata falando comigo (dupla personalidade? Talvez!), que me xinga e de difama e se a desobedeço por minha vontade ela diz “vai lá, faz isso, não fala que eu não te avisei depois, você sabe muito bem o que isso vai dar, mas se vc quer fazer isso faça, eu vou estar aqui pra te culpar quando você ver que fez merda”... Minha consciência é pior do que bronca de mãe!
Eu sou assim e assumo que de vez em quando eu fico mal por isso, mas, quanto às pessoas que apertam o botão de “Foda-se” pra vida, como elas pensam? Será que elas falam deixam pra lá mesmo e não pensam da condicional “E se...?” (o “E se...?” merece uma reflexão também, mas isso fica pro futuro.) Ou pior, será que o estado “Foda-se” vai acabar e quando isso ocorrer à pessoa entrará num processo de autoflagelação de consciência e culminará numa depressão profunda e vivera na base de Valuim e Prozac?
E quanto às pessoas que eu vejo na rua diariamente, como se opera esse mecanismo de culpa e consciência? Se todos tivessem um mecanismo tão opressor e intimidado como o meu eu diria que os índices de suicídio seriam maiores (Sim, eu já pensei nisso!). Então como que elas pensam? Será que elas se ocupam com coisas demais para pensar em si mesmas? Isso não justifica o por que de tantas pessoas felizes, afinal, merda acontece não é verdade? (Eu também não acredito muito em pessoas felizes e podem me contestar quanto a isso.) Quer saber, elas não são Eu então, que se fodam! (Até parece que o meu Eu bonzinho ia permitir esse tipo de pensamento).
Retomando o eu bonzinho eu tenho vários eus. Tem o sádico, o masoquista, o caridoso, o bobo, o revivalista nostálgico (Meu deus, Anos 80 e começo da década de 90 que anos bizarros), o bêbado, o performático, o amor de pessoa o moralista e o honesto(Tá bom , devem ter outros mas eu não me lembro quando eles aparecem). E muita gente da classe me acha maldoso só por que eu ri da menininha de treze anos idiota que morreu por inalação de Rexxona! Puta que pariu! Tentar ficar doidona com Rexxona? Ela pediu pra morrer. Se fosse gente arranjava uns 40 conto com o papai e arranjava alguém pra comprar um barato pra ela. Essa daí devia sr candidata ao Darwin Awards!

P. S. Poderia continuar escrevendo esse texto mas é uma da tarde e eu tenho que almoçar.

Bloody November

"Nada rende. Faculdade continua por pura inércia. As cartas se empilham sobre a escrivaninha, começadas e sem terminar. Os livros ficam pela metade, mesmo que eu morra de curiosidade para ler o final. Vários textos para traduzir e eu vou adiando a tradução por tempo indeterminado. A academia quase não vê mais minha cara. O PET não sai, a monitoria não acaba"
(27/11/2003)

Há algo em novembro que não sei explicar. É quando o cansaço dói, é quando o ar falta, é quando todo o peso parece acumular sobre os ombros.

Novembro é um mês insuportável. É o próximo ano que se anuncia pela decoração natalina que desponta entre ruas e shoppings. As promoções de Ano Novo. As famigeradas resoluções de Ano Novo. Os arrependimentos que se acumulam. Tudo aquilo que poderia ter sido e não foi.

E não ando bem. Há dias que acordo e não dá vontade de sair da cama. Fito minhas prateleiras, minha escrivaninha, o despertador. Levanto-me por pura obrigação. O sono é uma constante durante o dia e de madrugada custo a dormir. Falta energia até para postar por aqui.

As pessoas me decepcionam, por um silêncio grave e absurdo. Parece que tudo perdeu, de certa forma, sua capacidade de surpresa. Ninguém fala, ninguém se movimenta, ninguém surpreende. E estou cansado demais para botar as coisas em movimento. Resignei-me. Calei-me. Mudei de estação. Nem procuro mais.

Sabem a gota d'água, que congela antes de cair? Então.

Ainda bem que Franca, desta vez, reservou-me gratas surpresas. Érico Veríssimo também. São víveres para alcançar dezembro. Meu desejo interno é alcançar dezembro. Somente. Porque sei que é impossível botar as paredes abaixo para começar um novo grande projeto do zero...

Não seria pecado algum desejar um pouco de novidade. Positiva. Como uma manhã ensolarada e morna, com piscina, churrasco e boas perspectivas.

domingo, novembro 14, 2004

O exercício da bondade

Acho que boas pessoas mereçam e devam ser elogiadas, para elas lembrarem que são boas e manterem no caminho de serem boas. Já me cansei de ver tantas pessoas boas se perderem nos caminhos da vida...

sexta-feira, novembro 12, 2004

"Hey, that's no way to say goodbye"
(Leonard Cohen)

Um ano de esforços concentrados. Olhando cara a cara com minhas maiores fraquezas e deficiências. Fazendo a difícil contabilidade das perdas e ganhos. Preparando o espírito para sacrifícios. Sofri e venci. Testei e consegui. Reuni toda a coragem e me desafiei.

Agora, tudo isso depende de uma medida final. Colocar as intenções em palavras duras. Verbalizar e objetivar os planos.

E quem disse que eu consigo?

Dói-me demais pensar que posso estar decepcionando alguém. Dói mais em mim. Quase é insuportável.

Prefiro sofrer. Depois me acerto com meus pobres mecanismos de auto-piedade. Já estou acostumado a juntar os cacos. Não consigo enfrentar o sofrimento alheio que eu mesmo causei. Provocar uma decepção, uma desilusão. Frustrar expectativas.

É, eu não nasci para dizer adeus.

Post conjunto com o Sete Faces

sexta-feira, novembro 05, 2004

Life is unfair...

Cheguei ao Guarujá ontem e aproveitei a manhã para me embebedar na praia. Dormi, dormi, voltamos para a Enseada. Tomei banho, assisti a palestra de abertura do Congresso e teve coquetel, bebida na faixa e um DJ que mandou muito, mas muito bem.

Hoje eu acordei e viemos para o Congresso. Estouramos de tanto comer por conta dos laboratórios de medicamentos diversos, que tentam nos comprar com brindes baratos a qualquer custo. Fui almoçar numa cantina italiana. Tomei Boêmia com tomate seco, champignon e azeitonas chilenas. De prato principal, rondelle com molho à Napolitana e Filet à Lucca. Trilha sonora: Vinícius de Morais. Arrematamos tudo com um café expresso e sorvete da Kibon.

O dia está ensolarado e quente lá fora, perfeito para um Happy Hour.

Daqui a pouco estarei subindo a Serra, rumo à Sampa e o TIM Festival.

Enfim...

terça-feira, novembro 02, 2004

Post conjunto

"Sell me a car that goes
Sell me a house that stands
I never cared before, I never cared before"
(Radiohead)

Existem pouquissimas coisas nessa vida que eu ja me importei. Que eu me preocupei. Que eu verdadeiramente me esforcei para conseguir.

Contei com a sorte. Contei com a ajuda alheia. Com a providencia divina. Contei com a boa vontade de muitas pessoas. Contei com deus e o diabo.

Mas agora eu cansei. Agora, o que mais gostaria, era aprender a caminhar com meus proprios pes. Nao quero mais contar com os outros - quero contar comigo. Porque nunca me importei se conseguiria fazer tudo por minha conta.

Agora, quero ser forte, decidido. Meio impulsivo, sem perder a racionalidade. Meio defensivo, sem deixar a agressividade de lado. Meio especial, ainda ficando incolume dentro da multidao. Meio melancolico, sem descambar para o pessimismo.

Quero aprender a fazer planos sovieticos, para delimitar meu futuro. Quero ser ironico, para desarmar pessoas idiotas so com palavras. Quero auto-estima. Quero pernas fortes que possam me levar mais longe. Quero olhos sem miopia para tambem enxergar mais longe. Quero um carro possante, para fugir do mundo sem que possam me alcancar. E uma casa no Taiti, ah, o Taiti...

(Sem acento, porque o teclado esta desconfigurado)

Post conjunto com o Sete Faces

segunda-feira, novembro 01, 2004

Nostalgia otimista

Ultimamente, tenho escutado bossa nova. Frank Sinatra. The Smiths. Para mim, sinais concretos e inegáveis de um sentimento de nostalgia e saudosismo.

Como andar pela madrugada francana, falando sobre abelhas que produzem pouco mel e são muito violentas. Ou rir sobre as pequenas maldades cometidas gratuitamente, mas são inócuas e tão salvadoras no nosso cotidiano. Ou discutir sobre o destino que espreita à porta, sobre o caminhos que desenhamos para nós mesmos e estamos em um esforço constante e contínuo para permanecer nele.

Perceber que há certas coisas que, felizmente, nunca mudam. Perceber que certas coisas, felizmente, também mudam e para melhor.

domingo, outubro 31, 2004

depois de um mês de Brasília...

Descobri que eu tenho um sotaque muito carregado. Foi triste, o povo falava que o meu sotaque era neutro... AFF.
Sobre Brasília só posso dizer que lá não tem esquinas, e isso é difícil de imaginar, mas, se vc for lá um dia vai entender o que as pessoas que te falaram isso quiseram te dizer.
Uma coisa estranha de Brasília é que o povo não costuma andar a pé depois das 9:30, e isso assusta.
E ainda penso: “Será que eu vou conseguir concluir o curso?”
Talvez eu vá para o Peru de mochila no recesso de natal (18/12 – 2/01/2005), se eu for vai ser muito legal.
Quem sabe eu não vá para Pirinópolis(?) dia 15 pra relaxar?!
Eu tenho medo do Paulo Octávio.
Moro na SQN 416 Bloco H Ap. 101
Eletrodomésticos fazem falta, principalmente geladeira(já temos , mas ficamos 2 semanas sem), chuveiro(queimou), e maquina de lavar roupa (ninguém merece tanquinho pra lavar meias encardidas de terra ao som de “Ierê Ierê ... Lava roupa todo dia, que agonia”)
Lanches de procedência duvidosa são tão gostosos!
Deus abençoe a Dani, a Pri, a Éria e o povo legal da minha sala... sem eles minha vida seria um tédio por lá!
Atravessar o Eixão correndo (de seg a sexta) é muito divertido.

To precisando de um carro por lá, aceito doações em dinheiro também para a minha permanência...

quarta-feira, outubro 27, 2004

Post conjunto

"Regrets, I've had a few;
But then again, too few to mention"
(My Way - Frank Sinatra)

É véspera de Ano Novo, em algum ano perdido na década de 50. Estou vestido em um smoking elegante, gravata borboleta apertada, cabelo bem aprumado. Vejo-me em um salão amplo, chão de mármore, mesa quilométrica, lustre de cristal encimando o teto. Em minha mão, uma taça de champagne - caro, cristalino, borbulhante, francês. A banda toca um jazz frenético. Todos estão aparentemente felizes, conversam animadamente sobre o futuro e as promessas de um novo ano que se aproxima.

Mas estou melancólico e me encaminho, à passos lentos e arrastados, para a sacada. É noite aberta, o céu mostra todas as suas estrelas, é Lua cheia. A banda começa a tocar Frank Sinatra e o saxofone acompanha também a minha melancolia.

Acendo um cigarro e observo o desenho etéreo que a fumaça compõe, pensando na vida e nas coisas que poderia ter feito, nas coisas que fiz. Lembrei meus amores profanos e platônicos, nas palavras inconclusas e impertinentes, nos carinhos que me privei e ofereci sem preço algum. Lembrei das mentiras que conto e tornaram insustentáveis demais, na falsidade de meu sorriso permanente e imóvel, do silêncio absoluto que me imponho por auto-proteção.

Lá dentro, as pessoas iniciam a contagem regressiva - mas não consigo me mover inicialmente. Jogo o cigarro pela sacada e volto para dentro, tão pesado com meus arrependimentos. Agora, as pessoas confraternizam-se, brindam outro novo ano de esperanças. Solicito ao garçom próximo uma dose de whiskey, que tomo num gole só.

Quando abro os olhos, deparo-me com a silhueta de uma loira fatal estonteante, colar de diamantes no pescoço, vestido branco esvoaçante e taça de champagne na mão. Sorri para mim, despreocupadamente. E no meio daquele turbilhão, confetes, jazz, escuto palavras de uma ternura tão grande, irresistível, quase insuportável.

Happy New Year, disse ela.

E como liberto, como purificado e perdoado, como impulsionado por um sentimento irracional de esperança, sorri.

Happy New Year, disse eu.

Post conjunto com o Sete Faces.

domingo, outubro 24, 2004

Que Saudade

Eu sei que ando muito sumido do blog , mas é que sem computador aqui em Brasília é muito complicado , mesmo!To com muita saudade de postar e de ler os comentarios que respondiam pra mim ...Quando eu tiver um pc comigo eu juro que postarei ...até...

sexta-feira, outubro 22, 2004

Noite aberta

... pois já me afastei do alcance da arrebentação, só para eu dormir embalado pelo solitário carinho que a noite proporciona ...

... pois já até me conformei com a insustentabilidade das coisas, porque as estrelas sempre partem sem mesmo pedir perdão...

... pois agora sinto-me acalentado pelo silêncio absurdo das altas horas, o barulho dos passos que fazem ecos pelas ruas desertas ...

... os passos que me afastam e me trazem a você, na eterna volubilidade das nuvens que revelam e ocultam a Lua ...

... e o leve toque da brisa que aproxima anunciando o verão ...

... as pupilas enfim descansando concentradas dentro de tanta escuridão, ocultando olheiras cultivadas por anos, anos, anos ...

... mas o dia insiste em nascer, o dia insiste em nascer*.

* Todo carnaval tem seu fim - Los Hermanos


quarta-feira, outubro 20, 2004

Post conjunto

"We've got the dreamer's disease"
(New Radicals)

Vai, quem mandou ter ilusões? Quem mandou acreditar no futuro? Quem mandou pensar que, só porque houve uma mera sinalização de possibilidade, o fato iria se consumar?

Quem mandou acreditar nos outros? Partir do princípio que todo ser humano é bom e merecedor de confiança?

Fique aí mesmo, desenhando seus castelos de cartas alheio ao mundo que lhe cerca. Contando com o ovo que a galinha não botou.

Vai brincar de Policarpo Quaresma ou Quincas Borba para ver aonde você vai chegar.

Inocência não redime porra nenhuma.

De boas intenções o inferno já está cheio.

Desce das nuvens, baby, porque o ônibus da realidade está prestes a partir.

Post conjunto com o Sete Faces

domingo, outubro 17, 2004

Contas e teoremas

Do meu breve e incompleto conhecimento matemático, aprendi que se deve dividir complexos problemas em problemas mais simples. Para superar grandes dificuldades, é melhor ir tirando lascas, procurando padrões, em doses homeopáticas. Sei que não é a saída mais confortável, muito menos ideal: mas tenho a consciência que não sou um gênio e minha restrita mente só consegue resolver um problema simples de cada vez.

Assim tenho feito, nos últimos dois anos. Em um difícil malabarismo, fiz um tremendo esforço para instaurar em mim uma forma simplista de ver as dificuldades. Ir isolando as variáveis dos meus problemas, apesar das eventuais perdas no decorrer do caminho. O exercício do desapego, do sacrifício, da escolha das ferramentas necessárias para um sucesso futuro, ainda que com prejuízo no momento presente.

Até que consegui, com muita paciência e esforço individual, resumir toda equação em uma única variável. Minha possibilidade de salvação foi colocada na dependência de um único fator, de uma única opção restritiva. Um evento matematicamente cruel e binário, aonde existem apenas dois cenários possíveis: sim e não.

Deveria eu já estar feliz por ter alcançado o resumo supremo do meu problema. Como se estivesse a um passo da resolução de um importante teorema. Mas, muito pelo contrário, tenho medo. Tenho medo da possibilidade do fracasso, derrubando por terra muitos meses de esforço solitário. Tenho medo da possibilidade do sucesso e todas conseqüências subsequentes, abandonando as muletas que me eram tão necessárias, para ensaiar alguns primeiros passos por minha própria conta e risco.

Perdas e ganhos são aterrorizantes. Quereria permanecer no velho e confortável status quo, longe de minhas proezas e tentativas matemáticas. Mas é preciso prosseguir. A grande vantagem dos números é que eles falam por si mesmo, transparentes e irredutíveis. Assim desejo que sejam os fatos de minha vida: submetidos a um positivismo feroz, para eu poder seguir por onde escolher sem os arrependimentos que sempre me acompanharam...

sexta-feira, outubro 15, 2004

Sexta-feira

"I don't care if Monday's blue
Tuesday's grey and Wednesday too
Thursday I don't care about you
it's Friday I'm in love"
(The Cure)

Todas as coisas repentinamente soaram irrelevantes ou bobas. Ou simplesmente suportáveis. Ou simplesmente descartáveis, passageiras, leves, silenciosas, secretas, ausentes, enfim.

Nem me importei se essa foi a semana acadêmica mais desastrosa da faculdade. Que virei a madrugada estudando, com direito a banho ao amanhecer. Que as provas foram difíceis mesmo e eu estava sem saco para estudar. Que o orientador resolveu me fazer de escravo branco. Que a reunião do PET foi pesada e bem além dos horários habituais. Que tinha seminário para apresentar, que a transparência não deu certo, que o Lattes não colabora, que o CAE está aí, batendo na porta.

Nem me importei que mesmo as pessoas também decepcionam. Nem ligam. Nem perguntam. Só trocam meros sorrisos ou cumprimentos.

Nem me importei com as noites insones, o sono atrasado, o filme ruim. A saudade que aperta, a curiosidade que acende e muitas coisas importantes que deixei de fazer por falta de tempo.

Não que algo tão concreto tenha acontecido. Mas são as possibilidades, finalmente, que me embriagam, empolgam, trazem um significado todo especial para a sexta-feira que aproxima e passa preguiçosamente. Essa sexta-feira tem sabor de libertação, de vitória conquistada, de um futuro pouco menos solitário.

É dia de sorrir e sorrir, mesmo que ninguém entenda os motivos.

Hoje é sexta-feira e só isso mesmo que importa.



quarta-feira, outubro 13, 2004

Post conjunto

''Mas é preciso saber se lá fora faz dia ou noite"
(Fernando Sabino)

Porque não se conformar com o pouco? Porque não ignorar algumas minúcias desnecessárias da vida? Porque a insistente e presente vontade de explicar todas as coisas, botanicamente, empiricamente?

As palavras estragam tudo, tudo. Sempre as tais explicações. Reza a lenda que as pessoas sentem-se mais felizes quando sabem o que estão fazendo, para onde estão indo. O fato que isso não deveria ser uma lei eterna e irrevogável. É preciso dar uma chance ao acaso, para as flutuações do humor, para os estranhos caminhos que enfiamos sem alguma razão lógica.

Por alguns momentos nessa vida, por que não viver por viver? Somente? Esquecer as forças gravitacionais que nos atam tão firmemente ao chão, que acabam por nos impedir de olhar um cadinho que seja por trás da cerca. Sei lá, só por alguns segundos, para não contrariar os partidários totalitários do positivismo.

Ultimamente, ando levando a vida a sério demais. Esqueço o mais importante: que nem sairei vivo dela mesmo...

Post conjunto com o Sete Faces

segunda-feira, outubro 11, 2004

Fernando Sabino

Para quem não sabe, este blog leva o nome de uma novela do Fernando Sabino - excelente, diga-se de passagem.

O Brasil perdeu, hoje, um grande escritor. Deixou-nos um pouco mais órfãos, já que estamos perdemos tantos grandes autores sem que outros novos apareçam.

Sei que você já estava cansado, Fernando, mas você nunca que podia ter morrido. Você deveria ser proibido de morrer

Mande lembranças minhas à Clarice.

sábado, outubro 09, 2004

Post conjunto

"We tried
But there was nothing
We could do
Nothing we could do"
(Radiohead)

Queria eu ter todo o poder do mundo para superar os fracassos. Os deslizes. As falhas que engenhosamente tentamos esconder e acabam por escapar por entre os dedos.

Queria ter coragem de admiti-los, todos, em público. Confessar meus pecados, talvez uma das formas mais sutis de libertação. Queria ter fibra para aguentar todas as conseqüências decorrentes das minhas escolhas e caminhos, de peito aberto e certeza irredutível.

Mas eu sou covarde. Tão covarde. Sou o rei da mea culpa. Meu caminho preferencial é a tangente. Evito as colisões frontais, os debates de idéias, as discussões acaloradas. Eu me escondo e protejo, demasiadamente. Eu minto, omito, engano. Repito frases que não acredito, cumprimento pessoas que não suporto. Só porque não consigo encarar o Sol de frente.

Por isso, repouso confortavelmente dentro de minhas limitações e defeitos e displicentemente digo a mim mesmo: pois é, não há nada mesmo que eu poderia ter feito.

Post conjunto com o Sete Faces

terça-feira, outubro 05, 2004

O paradoxo da libertação

E agora, que fui condenado à liberdade, o que fazer de mim?
Eu, que sempre tive medo de viver?
Eu, tão acostumado com minhas limitações e fraquezas?
Eu, tão escondido dentro dos protocolos da vida cotidiana?
Eu, tão habituado com o peso das minhas correntes...

O que fazer quando tenho a oportunidade de me libertar?
O que fazer, quando escuto um primeiro suspiro de salvação?

Tenho medo, tenho medo, tenho medo medo medo medo

Para onde correr agora?

domingo, outubro 03, 2004

A Dani é muito gente boa...

Conheci a Dani , e ela merece um \o/
A Pri também é supimpa, e como diziam os comentáros , é gostosa pra C******

Conheci um monte de gente e não daria para falar de todo mundo

Mas a tratante da Éria foge de mim ...

PS: Perdão Éria, mas perdi o seu telefone , tem como vc me mandar ele dinovo ...(desculpa)

(AFF)
...

Estou vivo

Não estou com muito tempo , mas posso dizer que eu estou bem na medida do possível.
Faculdade é uma coisa estranha e só isso!
Sinto falta do blog, logo logo algum dia desses eu volto a escrever com frequencia.
Onde estao as minhas 1500 mp3 nesse momento de criação de post?
Cadê um carro para eu dirigir sem rumo?
Ah , faltam muitas coisas ainda, não posso reclamar não.
...

quinta-feira, setembro 30, 2004

Balada recorrente

Eu amo porque te amo - e meu amor não precisa de explicações.

E sofro, como sofro: porque você nunca olha pra mim.

quinta-feira, setembro 23, 2004

Carta a um amigo que parte

Caro amigo,

Lembro-me quando passei no vestibular. No susto. Quando minha vida estava toda estruturada, outros planos e projetos. O trote na praça, o churrasco na minha casa e depois, o mundo. Nem deu tempo para pensar nas conseqüências. Nem deu tempo de lembrar que meus melhores amigos estavam ficando para trás, o conforto de casa, a segurança da concha que eu seguramente me repousava.

Faz-me lembrar que mudar é bom. Começar de novo é bom, cara. Sem medo. No começo, você nem vai lembrar de casa, amigos antigos. Vai ser uma euforia, aquela coisa bem de "descobrir a América". Descobrir que vai poder sair com quem quiser, em plena terça-feira, voltar às quatro da manhã, vomitar pelo quarto e não ter ninguém para encher o saco, nem fazer torturas psicológicas. Vai - teoricamente - levar a vida da maneira que você quiser. Cobranças zeradas. Possibilidades incalculáveis. Oportunidade única de libertação. E como diria nosso amigo Kundera, vai sentir a vertigem da leveza.

Mas não se esqueça que a vertigem é perigosa. Que não se pode voar tão alto a ponto de perder a noção do chão. Que existem limites e dessa liberdade ilimitada, como diria o Homem Aranha, também aparecem grandes responsabilidades. É preciso ter senso de perigo, senso de ridículo - tudo em doses saudáveis. É preciso ligar o botão foda-se com força e moderação. Porque, apesar de tudo e todos, sair de casa também é um exercício de solidão.

Há dias londrinos. Há dias de fossa. Muitos, muitos. Longos e intermináveis. Que a única coisa que poderá fazer é desejar voltar para concha, para os amigos antigos, para o conforto do lar e todo aquele mundo previsível que é Franca. Incrível essa capacidade de se apegar a tudo aquilo que ficou para trás, depois que a fase da euforia acabar. Você verá como a nostalgia é uma coisa boa. Mas a vontade de prosseguir é sempre irredutível: o retorno definitivo significaria abrir mão de toda liberdade conquistada. E depois das tempestades, a leveza voltará. A leveza impera. Há um instinto violento que impele para o prosseguimento das coisas. Para a evolução. Para aquilo tudo que um dia sonhamos ser e temos uma mínima, porém palpável, chance de conquistar.

Conselho para agora? Don´t worry. Não se preocupe muito. Conquiste e domine seu espaço. Estabeleça metas, daquilo que você quer fazer. E acelere o carro. E muita pinga. E desencane. E seja você mesmo, para o bem, para o mal. Porque agora é você quem constrói seus caminhos. E eu tenho plena confiança que, além de um excelente relacionador internacional, essa sua longa estada em Brasília mudará completamente sua maneira de enxergar o mundo e, ao mesmo tempo, você ainda vai permanecer a mesma pessoa nas coisas que mais importam.
Leo, desejo tudo de bom e do melhor nessa sua nova etapa de vida. Sinto muitíssimo não voltar para Franca para o churrasco de despedida, mas enfim, fico por aqui mesmo, na intenção e na torcida que dias melhores e mais leves virão.

quarta-feira, setembro 22, 2004

Quase adeus

“If I never see you again you’d stay in my mind”
(Teenage Fanclub – If I never see you again)

Vou me mudar. E dessa vez acho que não vou voltar tão cedo, ou tão freqüentemente e isso me assusta um pouco. Estou com medo de como será nos momentos de solidão durante a noite quando sei que não poderei ligar para ninguém. Irei ler alguma coisa do meu curso possivelmente e ficarei lendo sem parar até que eu enjoe e vá para a sacada com um copo de vodka com alguma coisa.

Essa ultima semana se consiste em despedidas. Despeço-me das caminhadas inúteis no centro da cidade, do carrinho de hot dog, do suco daquela lanchonete, do espetinho do açougue (volto a enfatizar que eu saia pra balada num açougue alguns dias), do golzinho que não dirigirei, da minha cama, do computador, do blog por período indeterminado, dos meus parentes, dos meus amigos e de um pedaço da minha vida que eu sei que não vai voltar. Não vai.

Começar novamente é o sonho de muita gente.É como se tivesse uma gama de possibilidades que jamais foi oferecida antes. A imagem que fazem de mim será uma pagina em branco e poderei fazer tudo, seja para o bem ou para o mal, e isso assusta muito, muito mesmo. Ë verdade que eu gostaria de ser auto-suficiente, mesmo, mas eu sou daqueles que se enquadram na frase clássica que diz “o homem é um ser social”. Preocupo-me com o que os outros acham de mim e sou paranóico o suficiente para achar que tudo o que digo pode e será usado contra mim (droga!).

Espero ter forças para agüentar as merdas sozinho, e a sobriedade necessária para não me perder no meio de todas as possibilidades. E só.

terça-feira, setembro 21, 2004

Post conjunto

"Tenho fases, como a Lua"
(Cecília Meirelles)

Tenho fases, como a Lua. Tenho fases de fazer barulho, tenho fases de fazer silêncio. Tenho fases de coragem e covardia, de grandeza e insignificância. De agir racionalmente, agindo impulsivamente. De querer abraçar o mundo e abandoná-lo logo em seguida.

Tenho fase de precisar dos outros, ou precisar de ninguém. Regozijar-me com o silêncio para depois me desesper com ele. Contentar só com migalhas ou só com o pão inteiro. Tenho fases de ser moderno, outras de retrocesso. Iludir-me, ser cético. Democrático e autoritário. Compreensivo e radical. Sincero, mentiroso. Inocente, ardiloso. Puro, vil. Cheio ou minguante. Novo ou crescente.

Alterno fases de mania, melancolia - sem calendário ou previsão. Ontem eu amava todos, agora já não amo ninguém. Há poucas coisas minhas que são constantes, mas me orgulho disso. Sou um alguém que busca o equilíbrio esbarrando nos extremos...

quarta-feira, setembro 15, 2004

TIM Festival

Viram que vai ter TIM Festival? Eu e o Joey já fizemos um cronograma básico de "o que queremos fazer no TIM Festival, já que vão ter muuuuuuuuuuitas atrações legais". Vamos lá:

05 - Motomix: com Cansei de ser Sexy (20 reais)

06 - TIM Stage: PJ Harvey e Primal Scream (40 reais)

07 - TIM Lab: The Libertines (30 reais)
Motomix: Pet Shop Boys e DJ Mau Mau (20 reais)

Evento Cult-Wannabe total. Quem vai?

Cenas de um velório.

Velórios são tristes , eu sei , já fui em alguns na minha vida , mas nada impede que em alguns momento dele não possa haver algum humor .

Cena 1
No inicio do velório , meu amigo (que perdeu o pai) tava mal e pedimos pra que ele saísse um pouco da sala para dar uma respirada e não ficar só naquela sala triste , eis que chega uma tia dele , que provavelmente não o via faz muito tempo e diz empolgada: “Oiiii Paulo , tudo bem?” e corre para abraça-lo com entusiasmo. Precisava disso? Pra que perguntar se ele tava bem? Lógico que ele não estava uai, o pai dele não era nenhum milionário com uma herança gigantesca , era um bom pai comum , NÃO TERIA COMO ELE ESTAR BEM ...

Cena 2
Meu amigo contou sobre seus pareceres da morte do pai , fato que comoveu a todos , e todos os amigos da turma começaram a chorar junto e a fazer aquela chupação de nariz. Não satisfeito com a situação eu resolvo abrir a boca pra fazer uma piadinha infame “ galera , eu acho q o Sorine deveria contratar a gente para um comercial de TV”

Cena 3
Meu amigo estava inconsolável comendo um saquinho de baconzitos e tomando uma coca na cantina do velório, eis que nossa amiga Lívia (sim , com a licença da ocasião, ela é loira) abre a boca e fala a seguinte merda “ Gente , Vamos no Edson e Hudson hoje lá em Cristais? Vai ta tão legal lá!”. Todos lançaram o maior olhar de reprovação q eu já vi alguém receber na minha vida toda. E ela não percebeu isso.

Post conjunto

"Leiam muitos livros, plantem algumas árvores, casem-se por amor e nunca aceitem caronas de estranhos"
(Charles Kiefer)

A vida é simples. A vida é de uma simplicidade absurda e encantadora. Aposto que meus medos particulares, anseios e esperanças sejam muito semelhantes à 99,99% da população.

As coisas boas da vida são todas clichês e batidas. Vemos todos dias na Sessão da Tarde, nas novelas das oito, naqueles filmes pegajosos de "mocinho fica com mocinha".

Não há motivos para se aventurar muito além dessas metas. A sabedoria popular e grande parte do mundo não podem estar errados.

Quanto a mim, tenho tentado, ao meu modo, encaixar minha vida insana dentro dessas metas áureas. Talvez, deixando de viver um pouco para viver um pouco mais no futuro. Talvez, tenho guardado energias para um sprint final. Mas tenho esperanças sinceras que o caminho que vislumbro seja o correto, apesar de tão comum: livros, árvores, amores - e carona de estranhos, por que não?

Post conjunto com o Sete Faces

sábado, setembro 11, 2004

Bestiário escolar parte 2

O petista convicto.
Nos seus olhos só se vê uma cor, vermelho. Vermelho é sangue , é paixão, é fúria, é guerra é energia é comunismo é PT. Ele não liga se ele está bem perante o sistema ou não , ele quer é ajudar os outros com suas idéias de riqueza para todos,terra para todos, tudo para todos, uma verdadeira orgia de bens.Acha que o mundo um dia vai ser um mundo teletubie e todos vão se dar bem. Geralmente esse tipo estressante morre quando entra na faculdade. Quando na faculdade ele ou se transforma num frustrado político que diz que política não presta e fala que vai votar em branco( mas na verdade vota no PT) , ou se converte num vermelhinho extremo que faz passeatas com o lema “Contra Burguês, vote 16”, isso é , ele vira um PSTUísta . Não estranhe se esse tipo de espécime for encontrado em cursos de humanas, principalmente história, serviço social e filosofia.

A beata.
A beata é uma criatura à beira da extinção, porem, ela existe. Geralmente as beatas se encontram em redutos inócuos de pureza, bondade e sonsice. Ela geralmente costuma ser mirradinha, já que reflete fisicamente a falta de maldade e sexualidade de sua psique. Não suporta nenhuma brincadeira com conotação sexual e costuma possuir um certo fervor religioso. Geralmente estas, depois de longos períodos de existência costumam lançar a SINTA, Síndrome do Tesão Acumulado, se tornando uma insaciável sexual, geralmente quando chegam nessa fase elas abandonam todos os parâmetros morais e éticos da fase beata e começam a viver uma vida de pecado.

A puta carente de família.
Aparentemente ficou dito no popular que putas não são garotas de família, e isso não passa de uma falsa generalização. Um dos seres mais interessantes e perigosos desse bestiário é a puta-carente-de família. Um belo dia você está com aquela vontade de tirar o atraso e procura um alvo aleatório, você fica com ela , transa com ela e alguma coisa a mais, o natural seria que o mundo seguisse o seu curso, porém, ela esta apaixonada e acha que você não pode abandona-la já que foi “tão legal” vocês juntos. Ela vai chorar todos os dias por você nos corredores, vai se sentir abandonada , traída, e mesmo assim vai querer grudar em você que nem chiclete na cruz. E todos vão te zoar, falando que você só cata puta (catapulta hahaha ...Que infame!). O problema não é ser zoado , o problema é ter que escutar eu te amo e outras coisas do gênero ...(arghhh)sendo que ela não te ama e a recíproca é verdadeira. A grande verdade é que essa besta só quer afeto e acha que só vai conseguir isso através do sexo. Pode acabar naquelas clinicas de pessoas com problemas de compulsao sexual caso não visitem um terapeuta ou um psiquiatra.Tenho pena!

O Supersociável
Você não conhece a pessoa e ela vira do nada e fala com todo entusiasmo do mundo “eeeeee aaaiiiiiiii caaaarraaa , belezaaa????? , Como você chama?? Nó Léo , eu tenho um amigo com o seu nomeeee” Pra que alguém se sujeita a essas coisas? Acho que o supersociável feminino é mais forte, especialmente por sua mania de abraçar as pessoas e falar que ama todo mundo, que a sua roupa é legal , que adora tudo em você e abordar as pessoas na rua com um abraço gigante e gritando “Amiiiiiiiiiiiigaaaaaa, comu vai você???? , Que saudadeeeee ... aiiii , tudo bom com você? Aiii você ainda ta namorando fulano?? Mee liga ta , (dois beijinhos melosos no rosto da outra menina) txauuu” ... Isso merece vômito!

quinta-feira, setembro 09, 2004

Post nonsense, mas enfim...

"I’d rather be in Tokyo
I'd rather listen to Thin Lizzy-oh
Watch the Sunday gang in Harajuku
There’s something wrong with me, I’m a cuckoo"
(I´m a cuckoo - Belle and Sebastian)

Querem entender como estou me sentindo? Como estou pensando? Escutem essa música.

É Belle and Sebastian, the official soundtrack of my life.

É o tal do Martini Seco fazendo efeito...

Bestiário Escolar Parte 1

A Paty.
A Paty do Inferno é uma espécie que por mais que seja altamente combatida sempre retorna e parece nunca entrar em extinção. Um dos principais pontos da espécie é o gosto de se vestir do modo que as tendências fashion indicam e a forte demarcação territorial. Quando um outro grupo da mesma espécie cerca algo do território original acontece uma forte disputa entre os grupos que pode perdurar até a conclusão de um curso.Os hábitos alimentares dessa espécie são bem variados, porém, espécimes gordos podem ser mandados para o exílio. Sexualmente ativas muitas gostam de fazer o estilo garota de família pura e inocente, seus não-me-toquem podem ser irritantes, especialmente se demorarem muito tempo até ceder. São atraídas por: Cartões de crédito com limite alto, Heranças, metrossexuais, mauricinhos, e pessoas que mesmo sem essas características sejam populares ou consigam falar alguma coisa não muito inteligente, mas que as deixe com tesão.

Esportista.
Esportistas geralmente se destacam pelo físico. Não necessariamente inteligentes eles se destacam nas aulas de Educação Física, sabe o nome de todos os aparelhos da academia, são desejado por muitas outras espécies do bestiário, e geralmente não bebem e não fazem uso de drogas, salvo a maconha que não é droga, “maconha é natural e serve para inúmeras coisas é um presente de Deus”. Se um dia chegar ao profissional ele será bastante religioso e em suas entrevistas usará o nome do senhor em vão muitas vezes. Geralmente os indivíduos masculinos dessa espécie se dão melhor que os espécimes femininos. Espécimes femininos podem apresentar características masculinas em alguns casos, cuidado.

O intercambiário.
No começo de um semestre normal chega alguém vindo de uma cidade que você desconhece que exista de um país estranho. Essa pessoa geralmente sabe se comunicar em inglês, porem, se não sabe se comunica através de gestos e aponta para as coisas. Por vir do céu e ter hábitos estranhos esse E.T. vira uma celebridade instantânea sendo cercada por abutres que querem ganhar alguma coisa desse ser de outro universo cultural.

Continua...


quarta-feira, setembro 08, 2004

Um post inútil

Numa discussão sobre encostos da universal, num dos renomados postos points de Franca, uns amigos e eu nos deparamos com um “mendingo” que tinha dois cigarros na mão e ficava olhando para eles e dizendo “paranóiaaaaaa” e soltando eles no chão, até que resolvia pagá-los novamente para refazer o mesmo ato diversas vezes.

Segunda (06 setembro) quando estávamos no Barba (uma lanchonete point de Franca), um cara de uns 50 anos, sai de uma caminhonete Nissan prata, vestindo só com um shortinho de ginástica, daqueles que eram moda nos anos 70, e com um tênis de corrida , entra no estabelecimento, compra um Tampico e sai correndo.

Meu pedido clássico no bar triangulo é uma feijoada, uma pinga de alambique e uma maça cabeça de bugre(refrigeréco).

Pra que escrever disso???

terça-feira, setembro 07, 2004

Post conjunto

"Não vão embora daqui
Eu sou o que vocês são
Não solta da minha mão
Nâo solta da minha mão"
(Los Hermanos)

Não vá embora, meu amor, não vá embora. Eu sou igual a você. Carne, osso, sangue, células. Dor e alma.

Eu preciso de você, tarde da noite, na tarde dos dias. Para repetir palavras de esperança que desconheço, para relembrar a beleza individual das coisas que nos cercam.

Só você sabe controlar meus impulsos destrutivos. Só você consegue equilibrar minha melancolia. Só você consegue me inocentar de meus erros, até os crassos. Só você consegue entender as entrelinhas - porque as coisas principais sempre ficam só nas entrelinhas. Só você que traduz a difícil linguagem dos silêncios absurdos, das madrugadas.

Nada mudou. Acredite em mim, nada mudou. Não precisa ir embora. Não agora. Que as tempestades apontam no horizonte. Que eu preciso de colo, carinho, chá quente e um pouco de dedicação.

Gosto do calor da ponta dos seus dedos. Preciso desse calor. É tão difícil admitir que precisa de alguém: e eu admito, eu preciso de você. Muito, muito mesmo.

Porque você me conhece e eu continuo o mesmo. Apesar de todos os defeitos e inconseqüências que fazem parte de mim.

Post conjunto com o Sete Faces

domingo, setembro 05, 2004

Eles também são inocentes

O que falar do atentado à escola russa? A barbárie? A consternação? Que continua sendo absurda toda essa carnificina? Não, não serei clichê. Não hoje. Serei confuso, pois não consigo juntar tudo o que estou pensando no momento. Tentem, por favor, ordenar meus pensamentos dispersos da maneira que convir.

Sei que depois de todo mal, não há como permanecer como se era. A cura nunca é um retorno a um estado anterior. As cicatrizes. Imagino que, para os reféns, os jornalistas, os terroristas sobreviventes e os policiais, a vida nunca mais será a mesma. Quero chamar atenção aos policiais que invadiram a escola de Beslam. Quero chamar atenção ao que consideramos sucesso e fracasso.

Hoje, imaginei-me na situação daqueles soldados, entricheirados defronte à escola. Por horas e horas. Tensos. São crianças, não? Daí, uma multidão consegue fugir - e os terroristas começam a metralhá-las, sim, eles metralham as crianças que fogem. Escuta-se o som de uma bomba estourando lá dentro. Quem, com a incumbência de resgate, ficaria assistindo passivamente ao que poderia ser o desfecho final dessa situação crítica? Se eles tivessem ficado parados, o crime maior não teria sido essa imobilidade dos policiais, lavando as mãos como Pilatos? Enfim, nenhuma das medidas parece razoavelmente levar a um sucesso completo, qual delas escolher?

E aí?

Aconteceu o resgate. Vamos ao resgate. Das conseqüências, sabemo-as de cor: que muitas pessoas morreram, é verdade. Em letras garrafais. Ninguém esquece. Mas é preciso lembrar, ler nas entrelinhas com muito esforço que a maioria dos reféns (80%) foram, sim, salvos.

É preciso lembrar que nem sempre o ideal é possível. Nem sempre o perfeito é aquilo que podemos alcançar.

É preciso romper com essa visão medíocre de sucesso e fracasso. Esse mundo binomial de 0 e 1. De preto no branco. É preciso aprender a enxergar e valorizar o cinza, que 99% das coisas giram em função do intervalo entre esses limites.

Só para finalizar:

Já pensaram que para uma criança resgatada que dorme hoje, no conforto do lar, a ação foi um sucesso? E para uma mãe que não dorme hoje, cujo filho morreu no decorrer do mesmo salvamento, foi um fracasso? Penso: como será que o policial, que salvou uma e não conseguiu salvar a outra, fará esse balanço entre sucesso e fracasso?

Entenderam aonde quis chegar, nesse post confuso?

quinta-feira, setembro 02, 2004

Bicicletas

Todas as pessoas têm alguma coisa idiota que não conseguem fazer. Alguns não conseguem soltar pipa, outros não cozinham, outros não sabem dobrar uma camiseta para fazerem uma mala. Uma das coisas que venho me mostrando completamente incapaz de fazer é andar de bicicleta.

Eu como maioria aprendi a andar de bicicleta quando eu era criança. Devia ter uns seis, sete anos quando comecei a andar sem as rodinhas de apoio.

Lá pelos meus oito anos eu resolvi que iria andar de bicicleta num circuito de motocross. Barro, subidas, decidas, curvas acentuadas...Fiz o percurso inteiro, ou melhor, quase. Quando estava para fazer a ultima subida eu falhei. A inclinação do montinho era de mais de 60°, resultado, a criancinha gordinha foi vencida pela gravidade e quase no topo, foi descendo, descendo, descendo... até cair de costas e machucar a canela. Fiquei manco por dois dias.

Passado o trauma do motocross eu resolvi andar em ruas normais como todo mundo. Andei por um bom tempo até resolver que voltaria para casa. As ruas que levam à minha casa são inclinadas, e eu adorava sentir o vento no meu rosto. Eram sete quarteirões de decida livre.
Desci uma rua antes da minha casa, não conhecia aquela rua. A velocidade que eu estava devia ser de mais ou menos uns 40 por hora. E tinha uma pedra no meio do caminho, uma pedra bem grande que me fez cair e me arremessou contra arames farpados enferrujados.
Conclusão: Uma antitetânica e um braço quebrado.

Depois disso eu ganhei uma 21 marchas que foi roubada, uma 18 que também foi roubada e fiquei sem andar de bike até esse ano.

As duas vezes que eu andei com ela eu fodi a minha bicicleta.Há um mês eu quebro a maldita caixa de marchas, e agora devido a uma manobra evasiva contra um caminhão e minha possível morte consegui quebrar o aro e o freio.

O jeito é andar a pé.

Ipês e Setembro

"A primavera tem um significado especial pra mim: me lembra reconstrução. Primavera é a estação de juntar o que sobrou de você e falar: foda-se para o mundo, eu vou continuar, com toda força que tiver"
(Eu, em 26/09/03)

E os ipês amarelos, absurdos e belos, já estão arrebentando em flor. Acho fascinante a capacidade dos ipês se prepararem, na calada da noite, sem que ninguém perceba a suspeita movimentação. Comunicam-se em língua desconhecida, sincronizam-se, ensaiam seu show particular. E num dia inesperado, quando acordamos, encontramos todos os ipês da rua desnudos, apresentando as flores amarelo manga, saltando a vista. Um pequeno milagre que acontece bem defronte aos nossos olhos.

Fico fascinado com o ciclo dos ipês. Esqueço-me deles durante o ano todo e surpreendo-me anualmente com o mesmo ritual. Anunciando a primavera. Anunciando dias ensolarados. Anunciando dias tépidos e o início do renascimento da natureza.

Por isso que todo setembro, para mim, é um mês de esperança. A vida parece que se recupera, brota da terra e das calçadas. Depois de agourentos agostos, dias nublados e frios, solidão irreversível, vem setembro e suas flores. Vem setembro e uma esperança irresistível de recomeço. Vem uma vontade de abrir as janelas, deixar a brisa leve varrer o pó, o cheiro de mofo, a imobilidade.

Setembro é sempre o início de um novo ciclo. Escolher novos caminhos. Assumir novos riscos. E assim tenho feito, sem medo. Porque sei que mesmo que as flores do ipê murchem, há sempre a possibilidade delas voltarem na próxima estação...


terça-feira, agosto 31, 2004

Post Conjunto

"Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra"
(Antoine de Saint Exupéry)

Despedir-me (ou desistir) de alguém, para mim, é uma tarefa dificílima: sei que cada pessoa é, de certa forma, insubstituível. Sei que cada um oferece um mar de particularidades, muitas que nem desconfiamos. Quando elas partem, deixam um gosto metálico na boca, de tudo isso que poderia ser visto e não foi.

As pessoas tem similaridades, sim. São semelhantes, mas nunca iguais. São como as zebras da savana e seus irrepetíveis padrões de listras.

Por isso tenho medo de palavras rudes, entrecortadas. Tenho medo de perder toda essa capacidade de surpresa, esse virar de páginas que as pessoas especiais nos proporcionam quando o convívio se estende além dos bons dias cotidianos, discussão sobre chuvas e futebol, a matéria de Patologia da próxima prova.

Por isso tenho paciência e perseverança, em esperar uma epifania quando há a iminência de uma. Toda e cada epifania é única, é um parto difícil que se assiste e, na hora exata, acontece. E quando acontece, é preciso reconhecer, parabenizar: nenhum parto é fácil ou isento de conseqüências futuras.

Por isso que tenho esperança no presente, no futuro. Porque quando compartilhamos nossa eterna solidão, ficamos mais reconfortados. E é isso que me mantém vivo, atento. É a impressão que toda essa solidão que nos envolve e aflige é relativa, é passageira, vai passar.

Mesmo sabendo que sempre um dia as pessoas partem e o que elas arrancam de nós nessa partida também é insubstituível...

Post conjunto com o Sete Faces

domingo, agosto 29, 2004

Carta a um companheiro grevista

O que você precisa enteder Companheiro, é que acabou. Se a Rússia que era a Rússia capitulou, apesar de 80 anos de luta socialista, entregando-se às ferozes forças de mercado com uma maçã na boca, imagine o nosso alegre país corrupto, aonde a ética borboleteia avessa a Constituições e tratados.

Não sou mais um papa do neoliberalismo, não. Sou um alguém que era simpático ao Lula na época que ele comia criancinhas, mas percebeu que tudo isso que acreditávamos era discurso datado. O Lula também percebeu, acordou do sonho antes de cair da cama. O Lula é o verdadeiro novo papa do neoliberalismo, para mostrar que até os intocáveis de ontem se curvam à nova realidade.

Companheiro, bem vindo à cruel lógica do mercado, a mais sagrada religião dos nossos dias. Bem vindo ao maravilhoso mundo das inovações tecnológicas excludentes, químicas e mecatrônicas. São elas que sustentam a elite detentora do conhecimento. São elas que te sustentam também. Defender a democratização disso tudo é um singelo narcótico para aqueles que são dominados. É preciso mantê-los semi-dormentes, controlados, para que possamos usufruir das conquistas sem eventuais contratempos.

Tá, você vai derrubar o governo, peitar a gringolândia toda, e daí? Vai virar o Camboja vermelho e mandar todo mundo de volta para roça? Vai aliar-se à Coréia do Norte e Cuba? Nosso dinheiro é todo deles. Nós somos mais um investimento desimportante, fruto que um dinheiro que eles deixam de gastar nos cassinos de Vegas ou num novo Porshe. Sobrevivemos através dessa prostituição imoral. É Companheiro, difícil de acreditar que viramos todos putos mesmo.

Marx agora é enfeite de biblioteca, lembrança saudosa para anedotas de velhos lutadores. Portanto, pegue sua velha bandeira e guarde-a com carinho. O jogo, faz tempo que já está perdido. Sei que é triste condenar tantos a tão pouco, mas enfim, a vida não é justa mesmo.

Volta para Terra logo Companheiro, porque a Mir já caiu faz tempo.

sábado, agosto 28, 2004

Conclusão inesperada

"I believe in a thing called love"
(The Darkness)

O esforço mais louvável é persistir em algo, apesar do mundo todo conspirar contra. Permanecer e acreditar, impassivelmente, naquilo que se considera justo, racional e correto.

(Com o coração batendo a 120 km/h)

sexta-feira, agosto 27, 2004

Ess muss sein!

Cansei-me da irreversibilidade. De tudo aquilo que, pelas mais diversas razões, são porque são e não nos cabe nenhum recurso para modificá-las.

Vanessa tem sete anos e uma doença pulmonar irreversível. Fibrose lenta. Um dia ela vai ficar sem respirar e vai morrer.

Glória tem 19 anos e um câncer no ovário altamente agressivo, que já se espalhou. Prognósticos sombrios e irreversíveis.

Wágner teve parada cardíaca quando nasceu. Portador de Síndrome de Down, anomalias cardíacas, paralisia cerebral pela falta de oxigênio prolongada. Condições irreversíveis.

Fico pensando em como uma sutil diferença, uma pequena modificação genética pôde instituir tão drasticamente o destino dessas pessoas. Chega a ser cruel, porque nem eles, nem nós, temos direito de reclamação ou justificativas. Nem revisão do destino. Nem clamar por justiça.

Porque o mundo, na essência, está muito longe de ser justo. Cada dia mais se aproxima do pensamento de Nietzsche, num mundo onde Deus está morto e faltam coisas em que acreditar ou se apegar. Que estamos abandonados, cada um procurando fagulhas de esperança em meio a uma escuridão irreversível. Que fomos jogados, esquecidos e abandonados à própria sorte...

Coincidências.

Estranhamente depois que aparecem guardas noturnos em bairros assaltos começam a ocorrer nesses bairros...Depois que todos pagam a quantia mensal os assaltos param, e olha que eles nem ficam olhando para o quarteirão de cinco em cinco minutos ...
Muito estranho.

terça-feira, agosto 24, 2004

Post Conjunto

"Maybe I just want to fly"
(Live Forever - Oasis)

Talvez, o que eu mais queira nesse mundo sejam coisas tão simples e básicas e fundamentais. Eu quero usar de minha cota diária de insanidade sem medo de repressão. Quero contar piadas de humor negro, correr debaixo de chuva, sem aquele olhar de reprovação. Quero exercer meu direito de permanecer alienado. Quero voltar para casa de noite e tomar o leite que deixei por lá pela manhã. Quero assistir uma ou outra série na TV, num raro momento de descanso. Quero que minha vida não seja motivo de inquisição ou de interesse coletivo. Quero passar alguns segundos do meu dia em silêncio, para valorizar os momentos de barulhos queridos.

Não quero nada que seja utópico ou desmedido. Não quero nada além do que eu não tenha obrigação, como ser vivente, de ter. Cansei de mordaças, cansei de meias medidas. Cansei de política de boa vizinhança, esperando que assim, a minha vizinhança pudesse ficar em paz.

Talvez o que eu mais queira seja um grito de libertação particular.

Talvez, o que eu mais queira seja simplesmente voar...

Post conjunto com o Sete Faces

P.S- O que é o post conjunto? Há um ano, eu e a Anita postamos semanalmente (com um esforço para ser na terça-feira) sobre uma mesma frase, ou tema. É proibido um ver o texto do outro antes dele estar na net. Nós nos revezamos na escolha da "frase motivadora" e é sempre muito legal ver as "variações sobre o mesmo tema". Pelo menos, consideramos que seja.

segunda-feira, agosto 23, 2004

Racismo

Estou escrevendo esse tópico por que estou triste e com medo. Medo sim , por que não, afinal serei descriminado mais que o habitual lá na Unb, afinal, o movimento anti-cotistas vai ser forte e da corzinha que eu sou ...hummm. Gostaria profundamente que as cotas se instalassem depois da minha graduação, mas... De qualquer forma não vai adiantar eu ficar aqui imaginado as coisas antes delas realmente acontecerem.

Fiquei chocado mesmo com alguns comentários feitos na comunidade “Humor Negro”do Orkut. O tópico começava com o título “Preto, Raça Ruim!?” e deflagrava comentários como:

“Não adianta dizer que preto é igual ao resto, quem faz áreas ligadas a saúde sabe, eles são anatomicamente diferentes, eles fedem, tem narizes de batata, e lábios grossos. Não sou hipócrita. Eu nunca enfiaria minha Baco na boca de um negro. Gato procria com gato, cachorro com cachorro, e assim deve ser, casamentos inter-raciais são uma afronta contra a normalidade. Defenda a sua raça.”
“ Preto é alem de feio, fedido é burro. Alguém já viu algum preto inteligente, ganhador de Nobel ou coisa parecida? Não , e por que? Por que eles devem ter um cérebro de macaco, que é o que na realidade eles são”
“ Pretos tem 30% de chance a mais de serem ladrões”

Pelo menos até a ultima vez que eu vi eu não vi nenhum comentário sobre o clássico popular “serviço de preto”.

Poderia falar sobre o contexto histórico que desencadeou o racismo no Brasil, mas exigiria muito tempo que eu não disponho agora. Também poderia falar sobre a diferença entre colocar 100% negro numa camiseta e 100% branco na outra e explicar o processo de auto-afirmação das minorias.

É sempre divertido lembrar que a Ku-Klux-Klan tem seu nome cindo de uma onomatopéia que representa a espingarda sendo preparada e atirando contra um negro.

Se você não é racista por favor não chame um negro de preto que alguns s sentem ofendidos, por que como diz meu amigo Choks: “Preto é cor de lápis de escrever, eu sou negro”.

Infelizmente o negro ainda só é considerado nas áreas da música e do esporte, e isso é muito triste mesmo.

Infelizmente eu acho que só deixa de ser racista quem é ou já foi discriminado por ser o que é. Muitas vezes eu sou atendente de loja, e um segurança do Itaú nunca me deixava entrar com a mochila cheia de cadernos por que eu tinha cara de bandido, acho.

Sei que esqueci de muita coisa para argumentar.

Para encerrar acho que seria legal se todo mundo olhasse a Declaração Universal Dos Direitos dos Homens especialmente os artigos primeiro e segundo e o clichê clássico “I Have a Dream”do Martin Luther King

domingo, agosto 22, 2004

O início do fim

- Talvez acabar não seja tão doloroso.
- Talvez.

sexta-feira, agosto 20, 2004

Um caso...

Essa semana ocorreu um caso triste e abafado aqui na cidadezinha provinciana. Não apareceu na mídia por que creio que não teve nenhuma morte acho, afinal, o ibope vem da morte do jovem atropelado na saia da festa open bar ou da violência que esta crescendo vertiginosamente na ex-idade mais calma do mundo.

Um ex-professor do colégio maligno cujo nome eu não citarei para evitar problemas jurídicos (mas saibam q é o único colégio que aparece nas olimpíadas e em jogos de futebol), foi espancado, levou uma coça das feias do pai de um ex-aluno da escola.

O professor em questão, pelo que sei, havia elogiado o ex-aluno(de colegial, 16 , 17 anos)e alguns amigos dele. Tá bom, o professor deve ter falado q o aluno era gostoso, bonito, ou coisa do tipo, poderia até ter se insinuado pra ele.O ponto é que o professor e o aluno não mantiveram nenhum contato sexual e isso é importante ressaltar.

O ex-aluno conta do ocorrido pro pai, e esse aborda o professor e o espanca, literalmente falando.

A escola abafou o caso. O aluno saiu da escola e o professor demitido.

Tudo bem , a historia chegou ao fim, mas eu gostaria que o pai levasse uma surra. Gostaria também profundamente que o filho desse pai viesse a se descobrir homossexual e o pai se visse numa situação não favorável. PQP, o cara espancar uma pessoa só por causa disso ta muito errado.

Em situações como essa eu me sinto ruim, muito. Eu aprendi desde criança a ser tolerante e que cada um vive de um jeito diferente e é preciso respeito. Tolerância e respeito, é tão difícil assim conseguir só essas duas coisas?

Não da para pensar que a sociedade vai melhorar quando exemplos como esse acontecem todos os dias e seguem à margem da sociedade e da punição.

quarta-feira, agosto 18, 2004

Post Conjunto

"- Quem é você? - Perguntou a Lagarta.
- Eu mal sei, Sir, nesse exato momento... Pelo menos sei quem eu era quando acordei essa manhã, mas acho que já passei por várias mudanças desde então."

(Alice no País das Maravilhas)

Eu já nem sei mais quem eu sou. O mundo anda girando rápido demais, baby.

(Re)Apaixono-me por pessoas que, teoricamente, já esperava ter superado. Retrocedo em opiniões políticas, defendendo coisas assustadoras para mim há pouco tempo atrás. Flerto com a solidão. Flerto com um isolamento acadêmico e um desisolamento pessoal.

E a Terra continua girando e girando. Nem sei aonde iremos parar. E a gente, só apertando o passo para acompanhar.

Mas não acho ruim não. Antes perceber que as paredes trocam constantemente de lugar que elas permanecerem numa estática irritantemente eterna. Sou partidário das metamorfoses, ainda que tragam, consigo, significativos efeitos colaterais...

Post conjunto com o Sete Faces

terça-feira, agosto 17, 2004

Meu defeito mais grave

O fato é que não me basto. Não consigo viver só de mim: preciso dos outros. Mas preciso mais dos outros que eles verdadeiramente precisam de mim.

Política

A verdade é que eu gosto de política, pelo menos na parte teórica. A verdade da política é que só somos capazes de vermos o que é política em anos eleitorais. Nesse ano vemos um fenômeno que deveria ser chamado de arranque de fígado. Afinal o interesse na política é sempre o mesmo, dinheiro, poder e o povo que se ferre.

Teoricamente eu sou uma pessoa de modos políticos levemente inclinado para a esquerda e que acredita num possível Wellfare State mas , moramos no Brasil um pais belo e corrupto pra caralho.

A mulher que trabalha aqui em casa Diz que vai votar no líder das pesquisas, um político que antes de ser prefeito era um radialista menos e que depois de eleito comprou duas rádios, a empresa que monopoliza o transporte urbano e roubou uma penca de dinheiro. Ah, pelo menos ele fez o trabalho nos córregos e construiu um monte de obras que podem ser vistas até hoje. Viva a malufagem , viva o dinheiro roubado em falsas licitações.Ele anda espalhando para as mulheres de outros candidatos que os maridos tem amantes.(viva as mentiras de bastidores)

O segundo nas pesquisas afundou o time local de futebol em dividas, teve uma proposta de mudar o nome da Unesp para um nome de uma pessoa filha da puta aqui da cidade, o que acarretaria em uma maior aceitação dele por parte da mídia local. Ah sim , quase q el não passa na prova de analfabetismo.

O terceiro candidato é querido por muitos(enganados e cegos que não querem ver) e odiado pelos da própria classe e por muitos outros devido a sacanagens, diz : “Já sou rico, não preciso roubar dos cofres públicos pra enriquecer. Tenho carreira e família estruturadas, agora tenho que fazer algo para Franca pra ser um Homem completo”

O que eu vou votar por obrigação é um ótimo cara, honesto inteligente e não vejo nenhum defeito em sua índole( não , eu não sou do TFP), porem, como eu vi em pesquisas de opinião, “Só tem um defeito, é do PT” e pode- se dizer que o PT fez uma administração, a meu ver, bem regular, sem muitos avanços (que pude ver) sem contar que a dívida subiu de 12 milhoes para 90mi, o que é foda.

O Outro, diz”ruim por ruim, vote em mim”... Precisa comentar?

Vota esse ano vai ser foda. E Olha que as campanhas ainda mal começaram.

segunda-feira, agosto 16, 2004

Olimpíadas

Pois é, sou viciado em Olimpíadas. Nesse meu final de semana ocioso, a coisa mais produtiva que fiz foi estacionar na frente da TV e ficar lá, vendo os mais diferentes esportes.

Estou longe de ser um expert atlético e tal. Mas é algo que me deixa entretido e faz o tempo voar.

Seria capaz de acompanhar toda a programação olímpica pela TV, desde que abastecido de refrigerante, pipoca e uns três canais diferentes para eu zapear. Não me incomodo de assistir a uma partida de handball entre Hungria e Estônia, a semifinal dos 400m medley, a final de softball. Cansei, mudo de canal, mudo de competição, mudo de posição no sofá, mudo de marca de refrigerante.

Queria acompanhar o judô, a esgrima, a ginástica olímpica, o basquete masculino. Queria dividir um pouco daquela alegria insana de estar na final de alguma coisa, mesmo não ganhando nada. Conhecer gente de tudo quanto é canto, que apesar das diferenças teriam muita coisa a ver comigo.

Gostaria de estar em Atenas, curtindo o verão, as pessoas, os países. Gostaria de estar bem, bem longe daqui.

Ou pelo menos, na frente de algo que prenda minha atenção por completo...

Sonhos

Sonhei que era meu aniversário, aqui em casa e que eu fui conversar com uma roda de pessoas desconexas (Gabriel, Luis Eduardo, Ricardo, Natalia, Juliana e Cássio, que em situações normais não estariam reunidas e algumas delas nem convidadas para o meu aniversario estariam). Quando me aproximei com meu moleton laranja berrante todos se afastaram de mim e reparei que todos estavam vestindo camisas com preto, branco e amarelo néon. Decidi colocar uma camisa xadrez com essas cores e passamos a conversar. Saímos apressados por termos de fazer promoção de uma festa. Não sei por que, numa das boates que a gente entrou pra fazer a festa apareceu uma drag queen vestida de sadomaso e começou um show de escravo e mestre com o Cássio. Todos os outros saíram. Segui para fazer o resto da entrega dos flyers com o Gabriel e jogamos um jogo de fliperama. O jogo era de luta. Gabriel escolhe lutar com o robozinho Megaman e eu escolho Don Quixote (?).
Paramos de jogar sem que houvesse vitória ou derrota. Pedimos uma tequila e viramos.
No carro acendo um cigarro( e olha q eu não fumo), e fico olhando a lua até dormir.

domingo, agosto 15, 2004

Fim de semana: querido diário

Fui curar a ressaca da não-vinda dos Strokes ao Brasil e de uma semana completamente desinteressante e deveras preocupante com show dos Los Hermanos, em Ribeirão Preto.

O show foi muito bom, apesar de curto e sem muita interação com o público. Faltou Conversa de Botas Batidas, que eu estava louco para escutar. É muito legal ir ao show de uma banda que você gosta bastante, ver os caras ali no palco, sentir a vibração da música.

Quase chorei com Sentimental, pulei junto com O vencedor, brinquei com confetes e serpentina em Todo Carnaval tem seu Fim, fiquei bem pensativo em Cara Estranho.

Obviamente, não tocaram Anna Júlia.

Depois dos Los Hermanos, os Paralamas entraram, sem muito brilho. Confesso que acho os Paralamas legaizinhos, mas não iria, espontaneamente, em um show deles. Foi legal ver o Herbert todo alto astral, tocando e cantando em uma cadeira de rodas. Mas estava muito frio naquela noite e foi só os Los Hermanos irem embora que eu, literalmente esfriei.

Fomos embora, vimos as Olimpíadas jogando Perfil "alcóolico". Acertei o Monet com apenas uma dica. O Leo acertou a Groelândia com uma dica também. O Décio não acertava e bebeu demais, demais. Tomei absinto. Passei a noite em claro. Foi legal.

De resto, o final de semana só serviu para sacramentar um estado de espírito indolente e insensível. Como quem caminha na praia sem sentir o brilho do mar. Como quem permanece, insone, alheio a tudo que lhe cerca.

Desculpem o post "querido diário", mas precisava escrever e não estava com paciência de florear o que estou sentindo.

quinta-feira, agosto 12, 2004

Destinos

Longa madrugada, ele se pôs a fitar o teto. Porque não conseguia dormir mais. Ficou insone, pensando no assustador futuro que o espreitava por detrás das cortinas, que o esperava na calada da noite.

Tudo, a partir daquele momento, envolveria sérios sacrifícios. Fazia as contas em uma difícil matemática, onde todos os dividendos possíveis obrigatoriamente passariam por uma dolorosa subtração.

Não havia nascido para sacrifícios, esse era o fato. Não havia nascido para escolhas difíceis: sempre que dois caminhos divergentes se colocavam à frente, sentava no meio fio e esperava para ver aonde os outros iriam.

Mas agora não havia mais tempo para adiamentos. Como, se algo tão inadiável quanto a morte, viesse a bater a sua porta, exigindo um posicionamento. Exigindo um destino. Exigindo uma resposta. Exigindo primeiros e cautelosos passos. Só não sabia, não sabia, para onde ir e como fazer.

Permaneceu insone pela madrugada adentro, imerso em complicados pensamentos, até o amanhecer...

terça-feira, agosto 10, 2004

Post Conjunto

"Wait, they don't love you like i love you"
(Maps - Yeah Yeah Yeahs)

Não me subestime, pois só quero o seu bem. Não quero ser nenhum demagogo, nem preciso confessar os meus pecados para dizer-lhe todas as coisas que desejo. Cansei dessa imobilidade, de fingir que a dor não existe para me preservar. Agora estou aberto, pronto para interferir em todos os pontos da sua vida que considerar relevante. Hoje não quero mais pecar pela falta: é dia dos excessos.

Percebo, muito além do que gostaria de perceber. Enxergo aquilo que não deveria. Sei que não sou o melhor conselheiro, sei que já errei tanto e tanto... Mas não vá embora. Espere. Só me dê mais uns segundos para eu tentar te compreender.

Post conjunto com o Sete Faces

Máscaras

“Mas quem eu era de fato? Sou obrigado a repetir: eu era aquele que tinha muitas caras
(...)
Todas eram verdadeiras: não tinha, a exemplo dos hipócritas uma cara autentica e outras falsas. Tinha muitas caras por que era moço e por que não sabia eu mesmo quem era e quem eu queria ser.(No entanto a desproporção existente entre todas essas caras me dava medo; e nenhuma delas eu aderia por completo, e por trás delas eu evoluía, desajeitado, às cegas.”( Milan Kundera em “A Brincadeira”)

Assim como o personagem de Ludvik eu acho que sempre fui assim , incapaz de assumir uma cara por completo. Quem me conhece sabe que sofro mutações diárias tanto de humor quanto personalidade e modo de pensar (não, não sou bipolar ou esquizofrênico...acho).
Acho que sou incapaz de exprimir tudo o que sinto e penso com apenas uma cara, eu não consigo ter apenas uma turma de amigos, tenho sim vários amigos com características bem distintas uns dos outros, alias , posso dizer que se alguns soubessem o que sei de outros eu poderia causar brigas físicas , e isso não é bom.

Não vou dizer que sou completo tendo várias caras, isso irrita, e muito! Mas, acredito que é melhor viver faíscas de felicidade com cada uma dessas caras do que imaginando uma vida com somente uma delas. Ainda sou muito novo para renunciar algumas coisas...

domingo, agosto 08, 2004

Desânimo antes do início...

Sou do tipo pacifista, até demais. Sou do tipo que respeita, com excessividade, a privacidade alheia. Sou do tipo que só invado o campo inimigo em retaliação. Sou do tipo que consegue suportar alguns murros no estômago só para não começar uma briga.

Mas chega uma hora que você não suporta mais.

Não suporta se tornar pára-raios alheio. Não suporta ser bode expiatório. Não suporta mais fazer caras e bocas para manter um estado de paz temporário.

Não suporta ver as pessoas ao seu lado desabarem por falta de intervenção. Quando era hora de ser agressivo, retirar uma confissão suavemente presa nos confins do inconsciente.

Sempre acreditei demais no bom senso das pessoas. Que elas tem juízo e vão gritar por ajuda quando for necessário. Mas isso não acontece.

Meus amigos estão se afogando sem gritarem pela minha bóia. Eles estão desabando bem diante dos meus olhos. Não sei o que fazer.

quarta-feira, agosto 04, 2004

Férias por período indeterminado

Pode parecer legal , mas não é, de jeito nenhum. Pra começar, eu posso dizer que esse mês de férias que eu tive foi excelente, um dos melhores que eu já tive ,mas, agora que todo mundo já voltou às aulas essas férias eternas estão um porre. Não tenho nada pra fazer, nada é nada mesmo , hoje a tarde pelo menos eu vou sair com meu primo para ajuda-lo a dar aulas de computação para alunos carentes.

Ta, mas isso é um dia só, e eu não poderia também me comprometer a dar aulas já que eu não sei quando eu teria que parar e me mudar ... Que situação chata...Enfim, se aqui em Franca ao menos tivesse alguns lugares legais para se ir e não fazer nada...

Entrar no icq ( sim , eu não tenho MSN) não tem graça pois ninguém estará online, postar um texto sem graça novamente não vai me satisfazer, o Orkut não me entusiasma como no começo e posso dizer que a ausência de alguém para me acompanhar num buteco numa quarta as três da tarde é algo triste ...

Odeio esse ócio não criativo

terça-feira, agosto 03, 2004

Post conjunto

"Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero"

(Maria Rita)

Viajar sem destino e sem data. Quisera eu não ter tantas responsabilidades. Nem precisar dar tantas satisfações.

Sabem, eu não tenho o direito de partir quando quero. Quando sinto necessidade e preciso fugir das pessoas. Quando preciso encontrar novos amigos, novos amores, novos prazeres, novos sabores, novas texturas, novos sotaques. Todas as coisas boas da vida agora precisam de data, hora, planejamento. Tudo está em função de tantas variáveis, que essas coisas boas ficaram reféns de outras tão desinteressantes.

E se eu ainda quiser fugir sem destino, as pessoas me cobram diário de bordo. O que fiz, por onde andei, quem visitei, o que ficou para trás. Quantos dias em cada lugar. Quantas horas em cada porto. O que vi no cinema. O que comi nos restaurantes. E uma sucessão indefinida de outros por quês, por quês, por quês...

Há coisas que só ficam bonitas na solidão de pessoas, da memória. Aquilo que você guarda secretamente dentro de um baú. São coisas que nem precisam estar em quadros ou fotografias. Coisas que nenhum cartão postal consegue reter. Coisas que nenhuma feira de Artesanato conseguem vender.

Invejo a sorte dos andarilhos, que fazem dos seus próprios passos ermos a única empresa. Que não precisam definir estrada ou destino a ninguém: apenas vão. E só retornam quando o coração necessitar...

Post conjunto com o Sete Faces

Lembrete para uma longa viagem:

"Meias medidas perdem todas as guerras"
(Napoleão Bonaparte)

domingo, agosto 01, 2004

Tempo de Morangos

Porque eu já me havia cansado de tanta escuridão. Porque agora, era a vez do turno da leveza. O Get Me Away fica para trás, junto com o Weblogger e todos os seus problemas técnicos. Agora é tempo de morangos. Dias menos sisudos, mais ensolarados, mais coloridos.

Com a leveza alcóolica do martini seco: adocicado e entorpecente...

A morte do Get me away...

"With a winning smile, the boy
With naivety succeeds
At the final moment, I cried
I always cry at endings"
(Get me away from here, I'm dying - Belle and Sebastian)

Ninguém imaginaria, no início, o que aquele garoto pretendia. Talvez ele também não fizesse idéia das dimensões que suas poucas palavras, soltas no mundo, trariam como conseqüência. Até aquela época, o garoto julgava que essas palavras soltas eram vazias de significado e alheias ao mundo real que o cercava.

Foi daí que um longo e estranho aprendizado aconteceu. Seus pensamentos, sensações e idéias foram tomando corpo quando as palavras escapavam. Após um certo tempo, percebeu que as palavras antigas pareciam não ser mais suas: estava dentro de um processo evolutivo imperceptível no dia-a-dia, mas notável a longo prazo.

Era uma caminhada solitária e coletiva. Fazia seus próprios passos, escolhia os próprios caminhos. Mas era assistido por muitas e desconhecidas pessoas, que, com diferentes graus de interferência, também ajudaram a escolher caminhos e desenhar trajetos.

Logo sentiu uma necessidade pungente de reforma. Começou a derrubar paredes, mudar a mobília, escancarar as janelas. Perceber as coisas com menor gravidade, menos imediatismo, menos desespero. O garoto começou a perder o medo excessivo das pessoas, criou coragem para enfrentar o mundo que espreitava além das cortinas. Esqueceu velhos crimes e partiu em busca de novas formas de redenção.

E o garoto agora está aqui, pronto para virar uma nova página. Este blog acaba aqui. Não porque me veja livre desta necessidade absurda de escrever. É porque o garoto não quer mais ser tirado daqui. Ele quer continuar, firme e forte, para esperar uma resposta final para isso tudo que ele está construindo.

Este blog termina como começou: ao som de Belle and Sebastian e com sorriso no rosto. Com sensação de dever cumprido, dias melhores e ensolarados, final feliz. Com um grande agradecimento a todos que acompanharam o Get Me Away nesse ano e quatro meses de existência.

sexta-feira, julho 30, 2004

"Primeiro você cai num poço. Mas não é ruim cair num poço assim de repente? No começo é. Mas você logo começa a curtir as pedras do poço. O limo do poço. A umidade do poço. A água do poço. A terra do poço. O cheiro do poço. O poço do poço. Mas não é ruim a gente ir entrando nos poços dos poços sem fim? A gente não sente medo? A gente sente um pouco de medo mas não dói. A gente não morre? A gente morre um pouco em cada poço. E não dói? Morrer não dói. Morrer é entrar noutra. E depois: no fundo do poço do poço do pocó você vai descobrir quê". (Nos poços - Caio Fernando Abreu)

domingo, julho 25, 2004

Voltei de Curitiba. Nem preciso falar que a cidade é o sonho de qualquer um morar: aquele clima europeu convidativo, trilhões de restaurantes legais, uma arquitetura de cair o queixo, o sistema de ônibus organizado, uma cidade limpa e bem conservada, um sebo do tamanho da Siciliano de Uberlândia, um cinema de filme cult pra lá de legal...

Apesar das nossas péssimas instalações e do frio quase siberiano (pois é galera, aguentar cinco graus ao meio dia quando você SÓ levou dois moletons e uma jaqueta é meio dose), foi uma viagem inesquecível e altamente recomendável. Vou publicando ela devagarzinho lá no Cult-Wannabe.

Cumpri mais da metade dos objetivos que me propus e isso é bom. O saldo da viagem foi altamente positivo. Agora é só juntar grana para revelar as 80 fotos que eu bati por lá.

sexta-feira, julho 16, 2004

O filme que, até então se assemelhava com dramas iranianos sem emoção nenhuma, agora lembrou filmes de suspense B. Nos últimos cinco minutos, duas ou três reviravoltas aconteceram, aparentemente mudando toda a história que se arrastava.

O roteirista lamenta por não ter interferido em certos pontos relevantes da história, mas bota a culpa na inexperiência em escrever roteiros mais complexos. Lamenta também que as reviravoltas tenham afetado apenas núcleos secundários: a história central, com exceção destes respingos de mudança que inevitavelmente acabam por atingir toda a história, continua no ritmo iraniano de sempre.

Agora, o roteirista realiza inúmeros testes para a inserção de novos personagens, já que os atores em cena não tem mais a capacidade, por si só, de encaminhar o filme para um final que não seja morno e clichê. Talvez, a busca por novas locações, mais ao Sul, tragam novas idéias para abordagens e desfechos. Importante não esquecer que o tempo urge e é curto, já que a fita já passou da metade da duração inicial prevista...

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Off-topic: viciei em "How soon is now", versão do Love Spit Love".

segunda-feira, julho 12, 2004

Porque no final das contas não sabemos quem é o culpado...
"A heart that's full up like a landfill,
a job that slowly kills you,
bruises that won't heal"


No início, tudo parecia como estava antes. Observava todos ao meu lado já sentindo os princípios da vertigem - dizem muito sobre essa tal vertigem de viver. Parecia que eu havia chegado atrasado à estação e perdido o trem. Parecia que eu havia ficado para trás. Entristeci. Repeteco de dias, anos passados. Eu não merecia. Eu queria mesmo era me libertar.

"You look so tired-unhappy,
bring down the government,
they don't, they don't speak for us"


Joguei-me na cama, sem muita esperança. Estava suficientemente escuro. Estava suficientemente fracassado. Impotente. Foi aí que percebi. Foi quando senti a vibração da música na epiderme, na ponta dos dedos, nos fios de cabelo. O tempo mudou, descompassou.

"I'll take a quiet life,
a handshake of carbon monoxide"


Senti que voava. Senti meu corpo pesar tanto, tanto. Um peso tão insustentável que mover meus dedos já era um esforço absurdo. Mas flutuava, muito acima das casas, das luzes noturnas, das pessoas que adormeciam em seus lares. Senti o vento na cara, bagunçando o cabelo. Senti o frio da brisa da madrugada. Contemplava o mundo do alto, pequeno e distante, enternecido com tudo aquilo que eu via. Senti-me o dono do mundo. Senti que, tudo aquilo que contemplava, de certa forma era meu. Eu era parte do mundo, o mundo era parte de mim. Senti como se tudo que eu enxergava fosse mera extensão do meu corpo.

Sem perceber, adormeci.

"With no alarms and no surprises,
No alarms and no surprises,
No alarms and no surprises,
Silent, silence..."


(No Surprises - Radiohead)